sábado, 3 de outubro de 2026
MANCHETES

Turismo de aventura ganha destaque em diferentes regiões de Santa Catarina

O turismo de aventura em Santa Catarina se distribui por diferentes regiões, aproveitando a diversidade de paisagens do estado. Atividades como trilhas, rafting, rapel, tirolesa, voo livre e cicloturismo movimentam destinos do litoral ao interior e reforçam a busca por experiências na natureza, com atenção à segurança e à sustentabilidade.

O turismo de aventura em Santa Catarina deixou de ser uma atividade concentrada em poucos destinos e passou a integrar a oferta turística de diferentes regiões do estado. A combinação de litoral, serras, vales, rios, cachoeiras, cânions e áreas rurais permite a prática de atividades como trilhas, rafting, rapel, tirolesa, voo livre, canoagem, arvorismo e cicloturismo.

A diversidade geográfica favorece roteiros com perfis variados. Há experiências voltadas a iniciantes, passeios de curta duração e atividades familiares, mas também opções que exigem preparo físico, acompanhamento especializado e equipamentos específicos. O segmento combina recreação, contato com a natureza e desafios controlados, mas não elimina a necessidade de planejamento e avaliação dos riscos.

O interesse pelo estado também aparece em pesquisas nacionais. Em levantamento do Ministério do Turismo sobre viagens de lazer entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, Santa Catarina apareceu entre os estados mais citados pelos entrevistados, com 12% das preferências. No mesmo estudo, o turismo de aventura foi apontado por 5% dos participantes como segmento escolhido para viagens no período. (gov.br)

Uma atividade distribuída entre litoral, serra e interior

Em Santa Catarina, o turismo de aventura acompanha a variedade de paisagens do território. No litoral, o visitante encontra atividades ligadas ao mar, às encostas e às áreas de preservação, além de trilhas que conectam praias, morros e costões. Em regiões serranas, o relevo favorece caminhadas, escaladas, cicloturismo, voo livre e roteiros de contemplação associados a terrenos de maior altitude.

Os rios também desempenham papel importante na formação dos produtos turísticos. A Secretaria de Estado do Turismo destaca que Santa Catarina possui cursos d’água relacionados às regiões hidrográficas do Paraná, do Uruguai e do Atlântico Sul. Esse cenário cria condições para atividades náuticas e experiências associadas a corredeiras, cachoeiras e áreas de mata. (setur.sc.gov.br)

O estado está organizado em regiões turísticas que reúnem municípios com características econômicas, culturais e ambientais semelhantes. O Ministério do Turismo já identificou, em diferentes momentos, áreas como Caminho dos Cânions, Grande Florianópolis, Costa Verde & Mar, Serra Catarinense, Vale Europeu, Grande Oeste e Alto Vale do Itajaí como territórios com potencial para o ecoturismo e a aventura. A divisão regional ajuda a estruturar roteiros que ultrapassam os limites de um único município.

Alto Vale do Itajaí reúne atividades de diferentes níveis

O Alto Vale do Itajaí é um dos exemplos de região em que a aventura se tornou parte da identidade turística. Municípios como Ibirama e Lontras aparecem associados a atividades de rapel, tirolesa, canoagem e voo livre, aproveitando paredões, rios, pontes, morros e áreas de mata.

Ibirama recebeu o título de Capital Catarinense do Turismo de Aventura. Entre os atrativos destacados pela Assembleia Legislativa está uma tirolesa com 92 metros de altura e 1.050 metros de extensão. A região também é procurada para práticas de voo livre na Serra do Mirador e para atividades relacionadas ao relevo do Vale do Itajaí. (alesc.sc.gov.br)

Em Lontras, a Ponte 16, antiga estrutura ferroviária sobre o rio Itajaí-Açu, é utilizada para a prática de rapel. Segundo a Assembleia Legislativa, o local tem uma descida de 35 metros e acesso facilitado, o que permite atender também pessoas que estão começando na atividade. (alesc.sc.gov.br)

Além da experiência em si, a presença de atividades de aventura ajuda a distribuir o fluxo turístico por cidades do interior. Hospedagens, restaurantes, transportadores, guias, lojas especializadas e prestadores de serviços podem ser beneficiados quando os visitantes permanecem mais tempo na região.

Cânions e serras ampliam a procura por trilhas e experiências ao ar livre

Na Serra Catarinense e no Caminho dos Cânions, o relevo é um dos principais elementos de atração. As formações rochosas, os vales profundos, as áreas de campos e as mudanças de altitude criam oportunidades para caminhadas, travessias, observação da paisagem e atividades verticais.

As trilhas podem variar de percursos curtos, com pouca exigência física, a travessias que demandam mais tempo, preparo e conhecimento do terreno. A classificação de dificuldade deve ser considerada antes da contratação ou da realização do passeio, especialmente em áreas sujeitas a mudanças rápidas de clima, neblina, chuva e baixa temperatura.

O turismo de aventura nesses territórios também se relaciona ao turismo rural, à gastronomia e à hospedagem em propriedades afastadas dos centros urbanos. A combinação de atividades ao ar livre com produtos locais permite que o visitante monte roteiros de mais de um dia e reduza a dependência de viagens concentradas apenas no verão.

O frio, por exemplo, pode ser um atrativo para a serra, mas exige atenção redobrada com roupas, calçados, hidratação e planejamento. Em qualquer estação, a paisagem não deve ser confundida com ausência de risco. Encostas, rios, pedras molhadas e trilhas sem sinalização podem exigir acompanhamento profissional.

Cicloturismo e trilhas aproximam aventura de novos públicos

O cicloturismo é outra frente em expansão no estado. A modalidade combina deslocamento por estradas rurais, caminhos históricos, áreas de mata e trechos urbanos, com diferentes graus de dificuldade. Em agosto de 2025, a Assembleia Legislativa sediou o lançamento catarinense de um guia nacional de sinalização para rotas de cicloturismo e trilhas de ciclismo de montanha.

Na ocasião, foi informado que Santa Catarina contava com 13 circuitos de cicloturismo envolvendo mais de 100 municípios. A padronização da sinalização é apontada como uma medida para melhorar a orientação dos praticantes, organizar os percursos e aumentar a segurança durante as atividades. (alesc.sc.gov.br)

A modalidade pode atender desde ciclistas experientes até pessoas interessadas em passeios recreativos, dependendo do trajeto escolhido. A existência de rotas sinalizadas, pontos de apoio e informações sobre distância, altimetria, pavimento e condições do caminho é importante para que o visitante dimensione o esforço necessário.

Para os municípios, o cicloturismo também representa uma oportunidade de integração regional. Um circuito que atravessa mais de uma cidade amplia a circulação de visitantes e estimula a criação de serviços de apoio ao longo do percurso.

Segurança é parte central do turismo de aventura

O turismo de aventura envolve riscos avaliados, controlados e assumidos pelo participante. A definição consta da terminologia técnica adotada para o setor e reforça que o consumidor deve receber informações claras sobre a atividade, o ambiente, os equipamentos, as condições físicas exigidas e os procedimentos em caso de imprevisto. (procon.sc.gov.br)

Santa Catarina possui uma lei estadual, a Lei nº 13.621, de 15 de dezembro de 2005, que estabelece regras mínimas de segurança para esportes de aventura, incluindo canoagem, rafting, bóia cross, rapel e escalada. A norma trata de equipamentos e procedimentos básicos para reduzir riscos durante a prática. (leis.alesc.sc.gov.br)

Na contratação de um passeio, o visitante deve verificar quem é o responsável pelo serviço, quais são as condições de participação, se há condutor habilitado ou capacitado e quais equipamentos estão incluídos. Também é importante perguntar sobre o nível de dificuldade, o tempo previsto, a necessidade de treinamento, o tipo de vestuário recomendado e a existência de plano para situações de emergência.

O Procon de Santa Catarina orienta que agências e operadores informem os riscos da atividade, disponibilizem condutores com conhecimento técnico e adotem sistemas de gestão de segurança. O órgão também recomenda atenção ao cadastro no Cadastur e às condições do contrato, além da verificação sobre seguro facultativo e termos de responsabilidade. (procon.sc.gov.br)

Planejamento reduz impactos ambientais

O crescimento do turismo de aventura aumenta a importância do planejamento ambiental. Trilhas, rios, cavernas, cachoeiras e áreas de montanha são ambientes sensíveis à circulação intensa, ao descarte de resíduos, à abertura irregular de caminhos e à retirada de vegetação.

A visitação deve respeitar regras de unidades de conservação, propriedades privadas e áreas de proteção. O visitante precisa seguir a sinalização, evitar atalhos, não retirar elementos naturais, levar o próprio lixo e manter distância segura de animais. Em atividades aquáticas, também é necessário observar o nível do rio e as orientações dos operadores.

Para os municípios e empresas, a estruturação do setor passa pela manutenção de trilhas, sinalização, controle de acesso, capacitação de profissionais e comunicação com os visitantes. A sustentabilidade não se limita à preservação da paisagem: envolve também a participação das comunidades locais e a distribuição dos benefícios econômicos do turismo.

Estado busca fortalecer a segurança turística

O Ministério do Turismo incluiu o apoio ao ecoturismo e ao turismo de aventura no Programa de Segurança Turística, detalhado pela Portaria MTur nº 7, de 24 de fevereiro de 2026. O programa prevê ações para divulgar normas, protocolos e práticas responsáveis entre turistas, prestadores de serviços, órgãos públicos e comunidades receptoras.

Entre as metas do programa está a elaboração, até 2027, de um guia de segurança turística para usuários de serviços de turismo de aventura. A iniciativa também prevê ações de capacitação e o mapeamento de boas práticas de turismo responsável. (gov.br)

Em Santa Catarina, a combinação entre diversidade natural, oferta de serviços e presença de circuitos regionais sustenta a expansão do segmento. O desafio é fazer com que o crescimento seja acompanhado por informação, qualificação, fiscalização e preservação ambiental.

Com atividades espalhadas do litoral ao interior, o turismo de aventura amplia as possibilidades de viagem no estado e ajuda a combater a concentração sazonal dos visitantes. Para o turista, a escolha segura começa antes do embarque: pesquisar o destino, entender o nível de dificuldade e contratar prestadores preparados são etapas tão importantes quanto escolher a paisagem que será visitada.