sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Esportes

Mountain bike ganha novos praticantes e amplia presença em Santa Catarina

O mountain bike em Santa Catarina reúne atletas experientes, ciclistas amadores e novos praticantes em provas, grupos de pedal e projetos de formação. A modalidade cresce apoiada pela variedade de terrenos, pelo calendário esportivo e pela busca por atividade ao ar livre.

O mountain bike em Santa Catarina vem atraindo novos praticantes e ampliando a presença em diferentes regiões do Estado. A expansão aparece na realização de provas, na formação de grupos de pedal, no crescimento de categorias amadoras e na criação de iniciativas voltadas à base do ciclismo.

Embora não exista um levantamento estadual recente capaz de medir com precisão o número de praticantes, o calendário de eventos e os resultados divulgados pela Federação Catarinense de Ciclismo indicam uma comunidade ativa, com participação de atletas de várias idades e níveis de experiência. As competições reúnem desde categorias de formação até grupos de elite, master, feminino e e-bike.

O movimento também é favorecido pelas características geográficas de Santa Catarina. O Estado oferece serras, áreas rurais, estradas de chão, trilhas em regiões de mata e trajetos com diferentes graus de dificuldade. Essa variedade permite que o mountain bike seja praticado tanto por quem busca lazer e contato com a natureza quanto por quem pretende disputar provas.

Modalidade combina esporte, lazer e contato com a natureza

O mountain bike é uma modalidade do ciclismo praticada fora do asfalto, em terrenos como estradas de terra, trilhas, caminhos rurais e percursos com obstáculos naturais. A bicicleta utilizada tem características próprias para esse tipo de ambiente, como pneus com maior aderência, suspensão e estrutura preparada para enfrentar irregularidades do solo.

Na prática, o esporte pode assumir formatos diferentes. Há ciclistas que fazem pedais recreativos nos fins de semana, grupos que organizam roteiros de longa distância e atletas que se dedicam a provas de cross-country, maratona, downhill ou outras disciplinas reconhecidas no ciclismo de montanha.

Essa diversidade facilita a entrada de iniciantes. Nem todos começam com o objetivo de competir. Muitos conhecem a modalidade por meio de amigos, grupos de bairro, lojas especializadas ou passeios organizados. Depois, passam a buscar percursos mais longos, aprimorar a técnica e participar de eventos esportivos.

Calendário de provas ajuda a aproximar iniciantes

Um dos fatores que contribuem para a visibilidade do mountain bike em Santa Catarina é a realização de competições em diferentes partes do Estado. A Federação Catarinense de Ciclismo mantém registros de eventos e resultados que incluem provas de mountain bike, ciclismo de estrada, cicloturismo e outras modalidades.

Entre as competições tradicionais está a Volta a Santa Catarina em Mountain Bike. A 25ª edição, realizada em 2025, teve categorias como elite masculina e feminina, sub-30, júnior, master, feminino master, e-bike e categorias esportivas. A presença de diferentes faixas etárias e níveis técnicos mostra que as provas não são restritas a atletas profissionais. (scciclismo.com.br)

A edição seguinte da competição também foi divulgada no calendário da Federação Catarinense de Ciclismo, com regulamento baseado em normas da União Ciclística Internacional, da Confederação Brasileira de Ciclismo e da própria entidade estadual. (scciclismo.com.br)

Para quem está começando, a existência de categorias amadoras e esportivas reduz a distância entre o passeio recreativo e a competição formal. O participante pode testar seu preparo em um ambiente organizado, com percurso sinalizado, apoio da organização e divisão por faixa etária ou nível de experiência, conforme as regras de cada prova.

Regiões do Estado concentram grupos e eventos

O desenvolvimento do mountain bike ocorre de maneira descentralizada em Santa Catarina. Municípios do Vale Europeu, do Planalto Norte, do Oeste, da Serra e do litoral aparecem no calendário de eventos ou abrigam grupos ligados ao ciclismo.

No Vale Europeu, por exemplo, o Desafio Vale Europeu das Estações é apresentado como uma prova tradicional do mountain bike brasileiro. A competição reúne atletas amadores e profissionais e utiliza os cenários rurais e naturais da região como parte do percurso. A edição de 2026 foi anunciada em Benedito Novo, com programação voltada à temporada da modalidade. (timbonet.com.br)

Na região Oeste, Chapecó recebeu uma etapa de campeonato regional de MTB XCO com participação de atletas de diferentes municípios. O evento também foi associado a ações de formação esportiva, incluindo a entrega de bicicletas BMX para uma escolinha de base. A iniciativa mostra como competições locais podem funcionar como porta de entrada para crianças e adolescentes. (chapeco.sc.gov.br)

No Planalto Norte, eventos de mountain bike também já reuniram participantes de Santa Catarina e do Paraná. Em uma edição do Desafio Planalto Norte de MTB, realizada em Três Barras, a organização informou a presença de cerca de 170 atletas de 22 municípios dos dois Estados. (tresbarras.sc.gov.br)

Projetos de base ampliam participação de jovens

A presença de crianças e adolescentes é um dos sinais de renovação do ciclismo de montanha. Além das categorias juvenis em competições, municípios e associações desenvolvem escolinhas e atividades voltadas ao aprendizado das técnicas básicas do ciclismo.

Os projetos de base podem contribuir para a formação esportiva e para a criação de hábitos de atividade física. Em muitos casos, o primeiro contato ocorre em espaços urbanos, pistas ou circuitos adaptados. Com o tempo, os participantes podem avançar para percursos de maior dificuldade e conhecer as regras das competições oficiais.

O investimento na base também ajuda a diversificar o perfil do esporte. A participação feminina, as categorias master e as provas de e-bike aparecem nos resultados recentes da Volta a Santa Catarina em Mountain Bike, indicando que o público não se limita ao grupo tradicional de homens adultos. (scciclismo.com.br)

Apesar dos avanços, a ampliação da base depende de fatores como acesso a bicicletas adequadas, equipamentos de segurança, transporte para os locais de treino, orientação técnica e manutenção das trilhas. A falta de estrutura pode dificultar a permanência de novos praticantes, especialmente em regiões onde não há clubes ou projetos regulares.

Grupos de pedal têm papel importante

Os grupos de pedal ajudam a transformar o interesse inicial em prática frequente. Para quem ainda não conhece as trilhas ou não se sente seguro para pedalar sozinho, acompanhar ciclistas mais experientes pode facilitar a escolha de rotas e a adaptação ao terreno.

Além da companhia, os grupos costumam compartilhar informações sobre condições das trilhas, previsão do tempo, equipamentos, manutenção da bicicleta e comportamento em áreas rurais. A convivência também cria uma rede de apoio para iniciantes, que podem evoluir gradualmente sem a necessidade de começar por percursos muito exigentes.

O crescimento desses grupos, porém, exige responsabilidade. Trilhas passam por propriedades particulares, áreas de preservação, estradas utilizadas por moradores e locais sujeitos a mudanças climáticas. Antes de pedalar, é necessário verificar se o acesso é permitido, respeitar sinalizações e evitar a abertura de atalhos que provoquem erosão ou degradação ambiental.

Segurança deve acompanhar o crescimento

A entrada de novos praticantes reforça a necessidade de orientação sobre segurança. O capacete é um item básico, mas não substitui outros cuidados. Dependendo do percurso, podem ser necessários óculos, luvas, iluminação, ferramentas para reparos, câmara reserva, bomba de ar, água e alimentação.

Também é recomendável informar alguém sobre o trajeto e o horário previsto para o retorno, principalmente em áreas rurais ou de baixa cobertura de telefonia. Pedalar em grupo reduz riscos, mas não elimina a necessidade de planejamento. O nível do percurso deve ser compatível com a experiência e o condicionamento dos participantes.

Em descidas técnicas, pedras, raízes, lama e trechos estreitos exigem controle da bicicleta e atenção redobrada. A velocidade deve ser ajustada às condições da trilha. O uso de equipamentos de proteção adicionais pode ser indicado em modalidades de maior risco, como downhill e enduro.

Preservação das trilhas é responsabilidade coletiva

O avanço do mountain bike em Santa Catarina também aumenta a pressão sobre os espaços utilizados pelos ciclistas. A conservação das trilhas depende de práticas que reduzam o impacto sobre o solo, a vegetação e os cursos d’água.

Entre as condutas recomendadas estão permanecer no trajeto existente, não descartar resíduos, evitar pedalar em áreas alagadas e respeitar períodos de manutenção ou interdição. Em locais compartilhados, ciclistas devem dar passagem a pedestres e manter atenção a animais, veículos e moradores.

A relação com proprietários rurais e gestores de áreas naturais é outro ponto importante. O acesso autorizado ajuda a evitar conflitos e permite que os trajetos sejam organizados com mais segurança. Eventos maiores também precisam observar as regras aplicáveis ao local e contar com planejamento para sinalização, atendimento e controle do percurso.

Desafio é transformar interesse em participação contínua

O calendário de eventos confirma a força do mountain bike no Estado, mas a consolidação do crescimento depende da capacidade de manter os novos praticantes ativos. Para isso, é necessário que o esporte ofereça opções para diferentes perfis, desde passeios de curta distância até competições de alto rendimento.

A presença de categorias amadoras, provas regionais, grupos de pedal e iniciativas de base cria caminhos variados. O ciclista pode começar por uma atividade recreativa, participar de um passeio organizado e, mais tarde, disputar uma prova. Essa progressão ajuda a reduzir a pressão por desempenho e torna a modalidade mais acessível.

Também é importante ampliar a oferta de informação confiável. Orientações sobre equipamentos, treinamento, alimentação, primeiros socorros, regras de convivência e conservação ambiental podem evitar acidentes e melhorar a experiência dos participantes.

Mountain bike se fortalece no cenário catarinense

Em Santa Catarina, o mountain bike combina características favoráveis: diversidade de paisagens, tradição esportiva, calendário de competições e atuação de clubes, associações e grupos independentes. A realização de provas com categorias variadas e o surgimento de ações de formação indicam um ambiente capaz de receber novos praticantes.

O Estado ainda não dispõe de uma contagem pública consolidada sobre o total de pessoas que praticam a modalidade. Mesmo assim, os eventos registrados, a participação de atletas de diferentes municípios e a presença de projetos voltados à base mostram que o ciclismo de montanha ocupa espaço crescente no esporte catarinense.

Mais do que uma atividade competitiva, o mountain bike se apresenta como alternativa de lazer, exercício físico e contato com áreas naturais. O desafio para os próximos anos será ampliar o acesso com segurança, preservar as trilhas e garantir que o crescimento do número de praticantes ocorra de forma organizada e responsável.