O beach tennis em Santa Catarina deixou de ser uma atividade restrita às praias e passou a ocupar espaço permanente na rotina esportiva de moradores de diferentes regiões do estado. A modalidade atrai iniciantes, reúne grupos de amigos, movimenta arenas particulares e ganhou uma estrutura própria de organização, com calendário de torneios, ranking estadual e regulamentos específicos.
A expansão ocorre em um estado que combina extensa faixa litorânea, tradição em esportes ao ar livre e forte circulação de turistas durante o verão. As quadras de areia também se multiplicaram em clubes, academias, condomínios e espaços esportivos urbanos, permitindo que o esporte seja praticado mesmo longe da praia.
Embora não exista um levantamento público consolidado com o número total de praticantes em Santa Catarina, a movimentação em torno de competições, associações e arenas indica que o beach tennis passou a integrar o cenário esportivo catarinense de forma mais estruturada.
Modalidade ganhou força fora das praias
O beach tennis é jogado em uma quadra de areia, geralmente em duplas, com raquetes próprias e uma bola de baixa pressão. A rede é mais alta do que a utilizada no tênis convencional, e a principal característica da modalidade é que a bola não pode quicar no chão antes de ser devolvida.
A dinâmica favorece trocas rápidas, deslocamentos curtos e participação constante dos jogadores. Por isso, o esporte costuma ser procurado tanto por pessoas que já têm experiência com tênis e vôlei quanto por quem nunca praticou uma modalidade de raquete.
Segundo informações divulgadas pela Federação Catarinense de Beach Tennis, o esporte foi criado na Itália na década de 1980 e chegou ao Brasil por volta de 2008. Desde então, a prática se espalhou por diferentes estados e ganhou visibilidade com a realização de torneios nacionais e internacionais em território brasileiro.
Em Santa Catarina, a presença do beach tennis é facilitada pela relação do estado com o litoral. Cidades como Florianópolis, Balneário Camboriú, Itajaí, Joinville, Blumenau, Criciúma e Chapecó também passaram a contar com espaços de areia voltados à modalidade, ainda que a distribuição das arenas varie conforme o município e a iniciativa de clubes e empresas.
Federação estadual organiza calendário e ranking
Um dos principais sinais de consolidação do esporte foi a criação da Federação Catarinense de Beach Tennis, em 2023. A entidade informa que é filiada à Confederação Brasileira de Beach Tennis e tem como objetivo desenvolver a modalidade, organizar eventos e ampliar o acesso ao esporte em Santa Catarina.
A federação mantém calendário oficial, ranking estadual e regulamento para as competições. O sistema reúne categorias por nível técnico, faixa etária, gênero e formato de disputa, o que permite a participação de atletas amadores e profissionais em diferentes etapas.
Na temporada de 2026, o regulamento estadual prevê torneios com graduações variadas. A pontuação é atribuída conforme a categoria do evento e a fase alcançada pelo atleta. Para ter os resultados contabilizados, o competidor precisa estar regularmente filiado e em situação financeira regular no momento da competição.
O ranking também passou a cumprir uma função esportiva além da classificação. Conforme o regulamento da federação, os resultados obtidos ao longo da temporada podem ser considerados na convocação de atletas para representar Santa Catarina no Campeonato Brasileiro.
O modelo estabelece critérios de participação, número de etapas e desempenho por categoria. A previsão de uma seleção estadual aproxima os torneios locais do circuito nacional e cria uma possibilidade de progressão para atletas que começam em competições amadoras.
Competições ampliam a participação
O calendário oficial é formado por etapas realizadas em diferentes períodos do ano. Além dos torneios estaduais, clubes, academias, associações e empresas promovem eventos independentes, confraternizações e competições de curta duração.
Esse conjunto de atividades ajuda a manter as quadras ocupadas também fora da alta temporada. No verão, o movimento tende a aumentar com a presença de visitantes e a procura por atividades ao ar livre. Durante o restante do ano, a continuidade das aulas e dos torneios contribui para transformar a modalidade em hábito esportivo.
As competições costumam ser divididas em categorias de entrada e níveis mais avançados. A separação reduz a diferença técnica entre os participantes e permite que os iniciantes disputem partidas contra adversários com experiência semelhante.
Para muitos praticantes, os torneios funcionam como uma extensão das aulas. A pessoa aprende os fundamentos, passa a frequentar treinos regulares e depois participa de uma competição para testar posicionamento, saque, devolução e comunicação com o parceiro.
O ambiente social também é um dos fatores associados à expansão do beach tennis. Como as partidas são disputadas em duplas e as arenas frequentemente concentram várias quadras, o esporte favorece a formação de grupos e a convivência entre pessoas de idades e profissões diferentes.
Estrutura de arenas mudou a rotina de quem pratica
A expansão do beach tennis criou uma demanda por espaços especializados. As arenas oferecem quadras de areia, iluminação, vestiários, áreas de convivência e, em alguns casos, serviços de treinamento físico, locação de equipamentos e organização de torneios.
O investimento em iluminação permite a realização de aulas e partidas no período noturno, o que facilita a adesão de pessoas que trabalham ou estudam durante o dia. A possibilidade de reservar horários também contribui para que a prática seja incorporada à rotina semanal.
Em municípios do interior, a instalação de quadras de areia ampliou o alcance do esporte para além das cidades litorâneas. A modalidade não depende necessariamente de uma praia natural: a quadra pode ser construída em áreas urbanas, desde que tenha dimensões adequadas e manutenção da areia.
Esse processo também movimenta profissionais ligados ao setor. Professores, preparadores físicos, árbitros, organizadores de eventos e fabricantes ou vendedores de equipamentos passaram a encontrar novas oportunidades relacionadas ao crescimento da modalidade.
Esporte atrai iniciantes e antigos atletas
Uma das características do beach tennis é a possibilidade de adaptação para diferentes níveis de condicionamento e experiência. As aulas introdutórias costumam trabalhar golpes básicos, deslocamento na areia, regras, posicionamento e noções de jogo em dupla.
Quem já praticou tênis, vôlei de praia, frescobol ou outros esportes pode reconhecer alguns movimentos, mas precisa se adaptar ao comportamento da bola e à ausência do quique. O deslocamento na areia também exige atenção ao equilíbrio, à resistência e à intensidade dos movimentos.
Para evitar lesões, especialistas em preparação física geralmente recomendam progressão gradual, aquecimento e uso de calçados ou equipamentos adequados quando indicados pelo professor. A areia reduz o impacto em algumas situações, mas também aumenta a exigência muscular, especialmente nas pernas e nos tornozelos.
A prática ao ar livre é outro atrativo. Em Santa Catarina, as condições climáticas e a disponibilidade de espaços próximos à praia ajudam a criar um ambiente favorável, embora o treinamento dependa de fatores como chuva, vento, temperatura e conservação da quadra.
Desafios acompanham a expansão
O crescimento do beach tennis também impõe desafios. A manutenção das quadras, a formação de profissionais, a segurança dos atletas e a padronização das competições são pontos que ganham importância à medida que aumenta o número de praticantes.
Outro desafio é garantir que a modalidade permaneça acessível. Aulas, aluguel de quadras, inscrições em torneios, raquetes, bolas e outros equipamentos representam custos que podem limitar a participação de parte da população.
A própria Federação Catarinense de Beach Tennis afirma ter entre seus objetivos ampliar o acesso ao esporte e estimular a participação de crianças e comunidades com menor acesso a atividades esportivas. A efetividade dessas iniciativas depende da criação de projetos, parcerias e ações regulares, com informações públicas sobre alcance e resultados.
Também é necessário diferenciar a popularização da modalidade do número de atletas federados. Muitas pessoas praticam beach tennis de maneira recreativa e não participam de competições oficiais. Por isso, o ranking estadual e os torneios registram apenas uma parcela dos praticantes existentes.
Santa Catarina busca espaço no cenário nacional
Com uma federação própria, calendário de eventos e critérios de convocação, Santa Catarina passou a construir uma estrutura para formar atletas e disputar competições de maior alcance. O ranking estadual permite acompanhar o desempenho dos competidores e dá visibilidade a diferentes categorias.
A presença de atletas catarinenses em competições nacionais também contribui para fortalecer a modalidade no estado. Resultados individuais, torneios bem organizados e a criação de novas categorias podem estimular a entrada de mais pessoas no circuito.
O desenvolvimento, no entanto, não depende apenas do desempenho dos atletas de elite. A base formada por iniciantes, crianças, adultos e praticantes recreativos é fundamental para manter o esporte ativo e ampliar a quantidade de professores, equipes e competições.
O beach tennis em Santa Catarina ainda é uma modalidade relativamente recente em comparação com esportes tradicionais, mas já apresenta sinais de institucionalização. A combinação entre cultura litorânea, expansão das arenas, calendário competitivo e apelo social explica por que o esporte conquistou espaço no estado.
O próximo passo é transformar o interesse crescente em participação duradoura, com oferta de aulas, torneios acessíveis, formação técnica e projetos que alcancem diferentes municípios. Se esse processo continuar, o beach tennis tende a deixar de ser apenas uma tendência associada ao verão e se consolidar como uma das principais modalidades de areia praticadas em Santa Catarina.


