Os parques e áreas verdes de Santa Catarina oferecem alternativas de lazer que vão além dos destinos turísticos mais conhecidos. Praças arborizadas, parques urbanos, trilhas, unidades de conservação, áreas de contemplação e espaços de convivência permitem praticar atividades físicas, descansar, observar a paisagem e conhecer diferentes ambientes naturais do estado.
Para aproveitar esses locais com segurança, no entanto, é necessário entender que cada área tem características e regras próprias. Um parque urbano pode ser adequado para uma caminhada curta ou um piquenique, enquanto uma unidade de conservação pode exigir agendamento, acompanhamento de condutor, uso de equipamentos específicos ou restrições a determinadas atividades.
O planejamento ajuda a evitar imprevistos e também reduz os impactos sobre a vegetação, os animais e os recursos naturais. Em Santa Catarina, o Instituto do Meio Ambiente administra unidades de conservação estaduais, com parques que permitem visitação ordenada e reservas biológicas submetidas a regras mais restritivas. (ima.sc.gov.br)
Escolha o espaço de acordo com o objetivo do passeio
O primeiro passo é definir o tipo de experiência desejada. Quem busca apenas descansar pode optar por uma praça, um parque urbano ou uma área de lazer próxima de casa. Esses espaços costumam ter acesso mais simples e podem ser usados para leitura, convivência, alongamento, brincadeiras e caminhadas leves.
Já quem pretende fazer uma trilha deve observar o nível de dificuldade, a duração estimada, o tipo de terreno e a necessidade de acompanhamento. A plataforma oficial de visitação do IMA apresenta atrativos com diferentes graus de dificuldade, incluindo percursos classificados como fáceis, moderados e difíceis. (visitacao.ima.sc.gov.br)
Também é importante diferenciar parque urbano de unidade de conservação. O parque urbano geralmente combina áreas verdes, equipamentos de lazer, mobiliário, espaços esportivos e caminhos para circulação. A unidade de conservação, por sua vez, tem como objetivo principal proteger ecossistemas, espécies, paisagens e patrimônios naturais ou culturais. A visitação pode ocorrer, mas é submetida ao plano de manejo e às normas do órgão responsável.
Consulte as regras antes de sair de casa
Informações como horário de funcionamento, necessidade de reserva, cobrança de ingresso, presença de condutores e atividades permitidas podem mudar de um local para outro. Por isso, a consulta aos canais oficiais deve fazer parte do planejamento, especialmente em fins de semana, feriados e períodos de maior movimento.
Em alguns parques estaduais, o agendamento prévio é obrigatório. É o caso do Parque Estadual da Serra Furada, onde o acesso para visitação deve ser programado antecipadamente. O local também apresenta diferenças entre atividades realizadas com condutor e sem acompanhamento, conforme as regras divulgadas pelo IMA. (ima.sc.gov.br)
O Parque Estadual Rio Canoas também exige organização prévia para determinados percursos. As trilhas dependem do acompanhamento e da orientação de condutor autorizado, além de agendamento, segundo as informações oficiais do parque. (ima.sc.gov.br)
Antes de viajar, o visitante deve confirmar se há alterações temporárias causadas por chuva, manutenção, risco de deslizamento, obras, controle de acesso ou preservação de áreas sensíveis. Informações encontradas em redes sociais ou aplicativos de mapas podem estar desatualizadas e não substituem os canais do órgão gestor.
Planeje o trajeto e leve o necessário
Mesmo em passeios considerados simples, o ideal é verificar a previsão do tempo, o tempo estimado de deslocamento e as condições de acesso. Em áreas rurais ou mais isoladas, o sinal de celular pode ser limitado e o transporte público pode não estar disponível.
Para caminhadas e trilhas, recomenda-se usar calçado fechado, roupas confortáveis e proteção contra sol e insetos. Água, lanche leve, documento pessoal, medicamentos de uso contínuo e uma pequena bolsa para guardar resíduos também podem ser necessários. Em passeios mais longos, o visitante deve avaliar se precisa levar capa de chuva, lanterna, apito, carregador portátil ou equipamento de navegação.
O planejamento deve considerar o condicionamento físico de todos os participantes. Uma trilha classificada como fácil pode ainda apresentar piso irregular, raízes, pedras, trechos com lama ou variação de inclinação. Crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida precisam de atenção especial quanto à acessibilidade, à existência de banheiros e à distância entre os pontos de apoio.
No Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, por exemplo, há trilhas interpretativas, espaço para piquenique e atividades educativas. O IMA informa que parte das trilhas tem fácil acesso e conta com condições de acessibilidade para cadeirantes, mas também recomenda roupas confortáveis, calçado fechado, proteção solar, repelente, água e lanche. (visitacao.ima.sc.gov.br)
Use as áreas verdes para diferentes atividades
Os parques e áreas verdes podem ser aproveitados de maneiras variadas, de acordo com a estrutura disponível e as regras locais. A caminhada é uma das opções mais acessíveis e pode ser feita em ritmo leve, moderado ou mais intenso. Em parques com pistas ou caminhos delimitados, é importante manter atenção ao fluxo de pedestres, ciclistas e outros usuários.
O alongamento e os exercícios de mobilidade também podem ser realizados em áreas abertas, desde que não prejudiquem a circulação nem ocupem equipamentos destinados a outras pessoas. Algumas áreas contam com quadras, academias ao ar livre, pistas de skate, brinquedos infantis e espaços para atividades coletivas.
O piquenique é outra possibilidade, mas deve ser feito somente onde a atividade é permitida. O visitante precisa evitar o uso de fogo, respeitar as áreas destinadas à alimentação e recolher todos os resíduos ao final. Em ambientes naturais, restos de comida podem atrair animais e alterar seus hábitos.
A observação de aves, plantas e paisagens pode transformar uma caminhada em uma atividade educativa. Binóculos, caderno de anotações e aplicativos de identificação podem ser úteis, mas a aproximação deve ser evitada. Animais silvestres não devem ser alimentados, capturados ou perseguidos, e plantas não devem ser retiradas.
Respeite os limites das unidades de conservação
As unidades de conservação de Santa Catarina cumprem funções de proteção ambiental, pesquisa, educação e visitação. O Estado mantém dez unidades de conservação de proteção integral administradas pelo IMA. Entre elas estão parques estaduais e reservas biológicas, que possuem níveis diferentes de acesso público. (ima.sc.gov.br)
Nos parques, a visitação pode ser autorizada dentro de regras específicas. Nas reservas biológicas, o acesso tende a ser mais restrito, pois a prioridade é a preservação dos ecossistemas e a realização de pesquisas. O fato de uma área estar identificada no mapa não significa que todos os caminhos estejam liberados para circulação.
Trilhas fechadas, áreas sinalizadas e orientações de condutores devem ser respeitadas. Atalhos podem provocar erosão, danificar a vegetação e aumentar o risco de acidentes. Em trechos próximos a rios, costões, encostas e cachoeiras, o cuidado deve ser redobrado, principalmente depois de períodos de chuva.
Também é necessário observar as regras sobre animais domésticos. Algumas áreas permitem a entrada de cães em locais determinados, enquanto outras proíbem animais para evitar impactos sobre a fauna e a flora. No Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, por exemplo, a entrada de animais domésticos não é permitida. (visitacao.ima.sc.gov.br)
Faça uma visita mais segura
O visitante deve informar a alguém de confiança o roteiro previsto quando for realizar uma trilha mais longa ou visitar uma área isolada. Em grupos, é recomendável manter todos juntos e evitar que pessoas com ritmos muito diferentes se afastem sem comunicação.
Não é prudente entrar em rios, cachoeiras ou áreas alagadas sem conhecer as condições do local. Correnteza, pedras escorregadias, mudanças repentinas no nível da água e ausência de sinalização podem representar riscos. O consumo de bebidas alcoólicas também pode comprometer a percepção e aumentar a possibilidade de acidentes.
Durante tempestades, ventos fortes ou chuva intensa, a melhor decisão é interromper a atividade e procurar um local seguro. Em áreas com árvores, não se deve permanecer próximo de galhos instáveis ou isolado em pontos elevados. A orientação dos responsáveis pelo parque deve ser seguida mesmo quando o trajeto parecer curto.
Reduza o impacto ambiental
A preservação começa por atitudes simples. Levar uma sacola para recolher o próprio lixo, evitar produtos descartáveis, não retirar elementos naturais e permanecer nas trilhas autorizadas são medidas que ajudam a conservar o local.
O visitante também deve evitar música em volume alto, especialmente em áreas de mata. O ruído interfere na experiência de outras pessoas e pode afetar o comportamento de animais. Fotografias são permitidas em muitos espaços, mas não justificam a aproximação de ninhos, tocas, filhotes ou animais que estejam se alimentando.
Outra prática importante é não deixar marcas em árvores, pedras, bancos, placas ou estruturas. Pichação, coleta de plantas, abertura de caminhos e abandono de resíduos comprometem o patrimônio público e o ambiente natural.
A visitação ordenada é considerada pelos órgãos ambientais uma forma de uso recreativo, esportivo, educacional, cultural ou religioso das unidades de conservação. As atividades de educação ambiental podem incluir trilhas, interpretação da paisagem, exposições, conversas e outras ações destinadas a aproximar o público do patrimônio protegido. (consultas.ima.sc.gov.br)
Inclua os parques urbanos na rotina
Não é preciso esperar uma viagem para ter contato com áreas verdes. Parques, praças e espaços públicos de lazer podem ser incorporados à rotina semanal, inclusive para atividades curtas. Uma caminhada de 20 ou 30 minutos, uma pausa para leitura ou uma brincadeira ao ar livre já contribuem para tornar o uso da cidade mais ativo.
Em Florianópolis, por exemplo, o município mantém uma rede de informações sobre espaços livres públicos, com categorias como parques urbanos, praças, áreas esportivas abertas, alamedas, calçadões e áreas de lazer. A classificação ajuda o morador a identificar locais conforme o tipo de atividade e a infraestrutura disponível. (espacospublicos.pmf.sc.gov.br)
A mesma lógica pode ser aplicada em outras cidades catarinenses. Secretarias municipais, fundações de meio ambiente e órgãos de turismo costumam divulgar informações sobre parques, horários, eventos e condições de uso. A consulta local é importante porque regras, equipamentos e serviços variam conforme a administração de cada espaço.
Ao escolher um parque próximo de casa, o visitante também reduz deslocamentos, custos e emissões associadas ao transporte. A frequência ajuda a criar vínculo com o espaço público e pode estimular a comunidade a participar de ações de conservação, educação ambiental e melhoria da infraestrutura.
Uma experiência que combina lazer e responsabilidade
Aproveitar parques e áreas verdes de Santa Catarina é uma forma de cuidar da saúde, conviver com outras pessoas e conhecer a diversidade natural do estado. Para que esse uso seja positivo, é essencial escolher atividades compatíveis com o local, consultar as regras, planejar o passeio e respeitar os limites ambientais.
O melhor passeio não é necessariamente o mais longo ou o mais distante. Em muitos casos, uma praça arborizada, uma caminhada em parque urbano ou uma visita guiada a uma unidade de conservação oferece uma experiência completa. Com informação e responsabilidade, esses espaços podem ser aproveitados por diferentes públicos sem comprometer a proteção da natureza.



