sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SAÚDE

Como cuidar da saúde durante o verão catarinense

Saiba como prevenir desidratação, insolação, queimaduras, viroses, intoxicação alimentar e doenças transmitidas por mosquitos durante o verão catarinense.

O verão catarinense reúne dias quentes, maior circulação de pessoas, viagens, atividades ao ar livre e mais tempo em praias, piscinas e parques. A combinação exige cuidados simples, mas importantes, para reduzir o risco de desidratação, insolação, queimaduras solares, doenças transmitidas por alimentos e infecções provocadas por mosquitos.

A orientação vale para toda a população, mas crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada. Calor intenso pode agravar problemas cardíacos e respiratórios, além de aumentar a perda de água e sais minerais pelo suor. Por isso, a prevenção deve começar antes de sair de casa e continuar durante todo o passeio.

Hidrate-se ao longo do dia

A sede nem sempre aparece no início da desidratação. Por isso, o ideal é beber água regularmente, mesmo quando não houver vontade intensa de tomar líquidos. A quantidade necessária varia conforme idade, atividade física, alimentação, temperatura e condições de saúde.

Durante caminhadas, atividades esportivas ou longos períodos na praia, leve água e faça pausas em locais frescos ou com sombra. Quem pratica exercício deve aumentar a atenção à hidratação antes, durante e depois da atividade. Bebidas alcoólicas não substituem a água e podem favorecer a desidratação. O mesmo cuidado vale para o consumo excessivo de bebidas com cafeína.

Água de coco e sucos naturais podem fazer parte da hidratação, mas não devem substituir completamente a água. Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal ou outras condições que exigem restrição de líquidos devem seguir a orientação do profissional de saúde que acompanha o caso.

Em crianças pequenas, idosos e pessoas que dependem de cuidados, é importante oferecer líquidos com frequência e observar sinais como boca seca, fraqueza, tontura, sonolência, urina escura ou redução do volume urinário. Em caso de diarreia ou vômitos, a reposição de líquidos precisa ser reforçada. O Ministério da Saúde recomenda atenção especial à hidratação em situações de calor e esforço físico.

Evite a exposição excessiva ao sol

A radiação ultravioleta pode causar queimaduras, envelhecimento da pele e aumentar o risco de câncer de pele. O cuidado não deve ser limitado aos dias sem nuvens: mesmo com o céu nublado, a proteção continua necessária.

Sempre que possível, programe atividades ao ar livre para o início da manhã ou o fim da tarde. Entre 10h e 16h, procure reduzir o tempo de exposição direta ao sol, principalmente nos períodos de maior calor. Ficar sob guarda-sol ajuda, mas não elimina totalmente a exposição à radiação refletida pela areia, pela água e por outras superfícies.

Use protetor solar conforme as instruções do rótulo e aplique o produto em quantidade adequada antes da exposição. A reaplicação é necessária durante a permanência ao sol, especialmente depois de entrar na água, nadar, suar muito ou se secar com toalha. Não esqueça regiões que costumam ficar descobertas, como orelhas, nuca, mãos, pés e lábios.

Chapéus ou bonés, óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta, roupas leves e de preferência que cubram parte do corpo também ajudam. Bebês e crianças precisam de proteção adicional, com prioridade para sombra, roupas apropriadas e redução do tempo de exposição. Em relação a crianças muito pequenas, siga as orientações do pediatra e do rótulo do produto.

Saiba reconhecer a insolação

A insolação é uma condição grave associada à exposição prolongada ao calor e ao sol. Os sinais podem incluir dor de cabeça, tontura, náusea, fraqueza, pele quente, temperatura elevada, pulso acelerado e alterações na visão. Confusão mental, desmaio, convulsão e perda de consciência são sinais de emergência.

Ao perceber esses sintomas, leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Retire o excesso de roupas, ajude a resfriar o corpo com água fresca e ofereça líquidos apenas se ela estiver consciente e puder engolir com segurança. Não force a ingestão de água em alguém confuso, desacordado ou com dificuldade para engolir.

Casos com confusão mental, desmaio, convulsão, dificuldade para respirar ou piora rápida exigem atendimento imediato. Acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192 ou leve a pessoa a um serviço de emergência, sem deixá-la sozinha.

Adapte a rotina nos dias mais quentes

Em períodos de calor intenso, reduza atividades físicas extenuantes e prefira horários mais frescos. Use roupas leves, soltas e de cores claras. Dentro de casa, mantenha os ambientes ventilados e, quando possível, procure locais mais frescos durante as horas de maior temperatura.

Pessoas que usam medicamentos para pressão alta, diuréticos, antidepressivos ou antipsicóticos devem conversar com o profissional responsável pelo tratamento sobre os cuidados em dias muito quentes. Não interrompa, reduza ou altere a dose de nenhum remédio por conta própria.

Também é importante verificar regularmente crianças, idosos, gestantes e pessoas que vivem sozinhas. Pergunte como estão, ofereça água e observe mudanças no comportamento, na disposição e na aparência. A ausência de queixa não significa necessariamente que a pessoa esteja bem hidratada.

Tenha cuidado com alimentos e bebidas

O calor acelera a deterioração de alimentos e favorece a multiplicação de microrganismos quando os produtos são armazenados ou manipulados de forma inadequada. Durante viagens e passeios, prefira alimentos bem acondicionados, mantenha produtos perecíveis refrigerados e evite consumir itens cuja procedência, conservação ou validade sejam duvidosas.

Em praias, festas e eventos, observe se alimentos que precisam de refrigeração estão mantidos em condições adequadas. Preparações com maionese, cremes, carnes, frutos do mar, leite e derivados merecem atenção especial. Evite produtos expostos ao sol, sem proteção ou mantidos por longos períodos fora de refrigeração.

Lave as mãos antes de comer e depois de usar o banheiro. Higienize frutas e verduras conforme as orientações sanitárias e não compartilhe utensílios com pessoas que estejam com vômitos ou diarreia. Quem apresentar sintomas gastrointestinais deve evitar preparar comida para outras pessoas.

Diarreia, vômitos, dor abdominal, febre e presença de sangue nas fezes exigem avaliação, principalmente quando atingem crianças, idosos ou pessoas com doenças crônicas. A perda de líquidos pode causar desidratação rapidamente. O Ministério da Saúde orienta que a reposição de líquidos seja reforçada e que o atendimento seja procurado diante de sinais de gravidade.

Observe as condições da água

Ao frequentar praias, rios, cachoeiras e piscinas, respeite as orientações das autoridades locais e os avisos sobre as condições da água. Evite entrar em locais sinalizados como impróprios para banho ou onde houver suspeita de contaminação.

Não engula água durante o banho e evite nadar em áreas próximas a saídas de esgoto, após chuvas intensas ou quando houver alteração visível na cor, no cheiro ou na aparência da água. Em caso de ferimentos abertos, redobre o cuidado e procure orientação médica se houver contato com água possivelmente contaminada.

O contato com água imprópria e o consumo de alimentos contaminados podem contribuir para o surgimento de doenças diarreicas e outras infecções. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina reúne orientações sobre doenças de transmissão hídrica e alimentar no site da DIVE/SC.

Previna a dengue e outras arboviroses

O calor e as chuvas podem criar condições favoráveis à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. A prevenção depende da eliminação de água parada dentro e fora de casa.

Uma vez por semana, faça uma vistoria em vasos de plantas, calhas, ralos, caixas-d’água, bandejas de ar-condicionado, piscinas, pneus, garrafas, brinquedos e recipientes deixados no quintal. Mantenha caixas-d’água fechadas, lave os recipientes dos animais e guarde garrafas com a abertura voltada para baixo. Piscinas devem receber tratamento e limpeza adequados.

Durante viagens, verifique a casa antes da saída e ao retornar. Em áreas com muitos mosquitos, use telas, roupas que cubram braços e pernas e repelente conforme as instruções do fabricante. Gestantes, crianças e pessoas com alergias devem receber orientação profissional sobre o uso de repelentes.

Febre, dor no corpo, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas, náuseas ou mal-estar podem ocorrer em casos de dengue e outras infecções. Procure uma unidade de saúde diante desses sintomas e informe o uso de medicamentos. Não tome ácido acetilsalicílico ou anti-inflamatórios por conta própria quando houver suspeita de dengue, pois a conduta adequada deve ser definida por um profissional.

Organize uma rotina segura para praia e viagens

Antes de sair, leve água, protetor solar, chapéu ou boné, roupas leves e medicamentos de uso contínuo. Mantenha remédios em suas embalagens originais e não interrompa tratamentos durante a viagem. Também é útil levar uma pequena quantidade de alimentos seguros para evitar a compra de produtos mantidos em condições inadequadas.

Na praia ou na piscina, crianças devem ser supervisionadas de perto e permanecer sempre ao alcance de um adulto responsável. Não confie apenas em boias ou outros acessórios. Respeite placas, bandeiras e orientações dos salva-vidas. Evite nadar após consumir álcool e não entre na água se estiver passando mal, muito cansado ou com sinais de insolação.

Em qualquer passeio, interrompa a atividade se surgirem tontura, fraqueza, falta de ar, dor no peito, confusão mental, vômitos persistentes ou desmaio. A busca por atendimento precoce pode evitar complicações.

Quando procurar atendimento

Procure uma unidade de saúde se houver sinais de desidratação, febre persistente, diarreia intensa, vômitos repetidos, piora de doenças crônicas ou sintomas após contato com água ou alimento suspeito. Em emergências, como perda de consciência, convulsão, confusão mental, dificuldade para respirar, dor no peito ou temperatura corporal muito elevada, o atendimento deve ser imediato.

Os cuidados com a saúde no verão catarinense não exigem medidas complexas. Hidratar-se, proteger a pele, escolher alimentos seguros, evitar os horários de maior calor, eliminar água parada e observar sinais de alerta são atitudes que ajudam a reduzir riscos e tornam a estação mais segura para toda a família.