A prevenção de doenças transmitidas por mosquitos em Santa Catarina exige cuidados permanentes dentro de casa, no trabalho e em áreas externas. A principal medida é eliminar locais que acumulam água e podem servir de criadouro para o Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus Zika.
O estado também registra a circulação de outras arboviroses, como a febre do Oropouche, transmitida principalmente pelo maruim, também conhecido como mosquito-pólvora. Por isso, a proteção individual deve ser combinada com a limpeza do ambiente, o uso adequado de repelentes e a atenção aos sinais de doença.
As orientações abaixo são baseadas em recomendações do Ministério da Saúde e da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina.
Quais doenças transmitidas por mosquitos exigem atenção em Santa Catarina?
As arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos e outros artrópodes. Em Santa Catarina, as mais conhecidas são dengue, chikungunya e Zika, que têm como principal vetor o Aedes aegypti. O mosquito se adapta ao ambiente urbano e pode se reproduzir em pequenos recipientes com água parada.
A dengue costuma causar febre, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, dor atrás dos olhos, náusea, vômitos e manchas vermelhas na pele. A chikungunya frequentemente provoca febre e dores articulares intensas. Já a infecção pelo vírus Zika pode causar febre baixa, manchas, coceira, olhos vermelhos e dores nas articulações. Os sintomas podem ser semelhantes, e o diagnóstico deve ser feito por profissional de saúde.
Outra doença que merece atenção no estado é a febre do Oropouche. Segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde, Santa Catarina passou a registrar casos autóctones da doença em 2024. O principal transmissor é o Culicoides paraensis, conhecido como maruim. Os sintomas podem incluir dor de cabeça, dores musculares e articulares, náusea e diarreia.
A febre amarela também é uma doença transmitida por mosquitos, mas o ciclo atual no Brasil é silvestre. Os casos confirmados desde 1942 estão relacionados a mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e não ao ciclo urbano. Para essa doença, a vacinação é a principal forma de prevenção.
Elimine os criadouros do Aedes aegypti
O controle dos criadouros é a medida mais importante para reduzir a circulação da dengue, da chikungunya e do Zika. A inspeção deve ser feita durante todo o ano, e não apenas quando há aumento de casos.
Uma pequena quantidade de água pode ser suficiente para o desenvolvimento do mosquito. Por isso, a vistoria deve incluir áreas internas e externas do imóvel, além de terrenos, garagens, varandas, jardins, locais de trabalho e espaços compartilhados.
- Elimine água acumulada em pratos de vasos de plantas, bandejas, baldes, garrafas e brinquedos.
- Mantenha caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios completamente fechados.
- Limpe calhas e lajes para evitar o acúmulo de água da chuva.
- Guarde pneus em local coberto ou encaminhe-os para descarte adequado.
- Vire garrafas, potes e recipientes com a abertura para baixo.
- Higienize ralos e mantenha aqueles que não são utilizados protegidos ou vedados.
- Retire folhas, galhos e resíduos que possam formar pequenos depósitos de água.
- Descarte corretamente copos, embalagens e outros objetos que possam acumular chuva.
Em imóveis que permanecem fechados por vários dias, é importante fazer uma inspeção antes da saída e outra na volta. A mesma atenção vale para casas de praia, sítios, obras, imóveis desocupados e áreas comuns de condomínios.
Use repelente de maneira correta
O repelente pode ser usado como medida de proteção individual contra picadas. Os produtos devem estar registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e as instruções do rótulo precisam ser seguidas quanto à idade, quantidade, local de aplicação e necessidade de reaplicação.
Os princípios ativos mais utilizados são DEET, icaridina e IR3535. O produto deve ser aplicado nas áreas expostas da pele e, quando permitido pelo fabricante, também pode ser usado sobre as roupas. Não é recomendado aplicar repelente diretamente no rosto; em produtos spray, a orientação é colocar primeiro nas mãos e depois espalhar cuidadosamente, evitando olhos, boca e mucosas.
O uso em crianças exige atenção especial. Repelentes à base de DEET não devem ser usados em menores de 2 anos. Entre 2 e 12 anos, o Ministério da Saúde orienta observar a concentração e a frequência indicadas para essa faixa etária. Em crianças pequenas, o ideal é buscar orientação profissional antes da utilização.
Gestantes podem usar repelentes devidamente registrados, desde que respeitem as instruções do fabricante. A proteção é especialmente importante porque a infecção pelo vírus Zika durante a gestação pode estar associada a complicações para o bebê.
Repelentes ambientais, como aparelhos elétricos, espirais e produtos similares, também devem ser registrados e usados conforme as precauções da embalagem. Produtos anunciados como “naturais”, incluindo velas, incensos e odorizadores com citronela ou outros óleos, não devem ser considerados automaticamente eficazes ou seguros.
Adote barreiras físicas contra os mosquitos
Roupas que cubram braços e pernas reduzem a área disponível para picadas. Em locais com muitos mosquitos, prefira calças compridas, camisas de manga longa, meias e calçados fechados, especialmente em atividades ao ar livre.
Telas em portas e janelas, mosquiteiros sobre a cama e ambientes protegidos ajudam a diminuir o contato com os vetores. Essas medidas são úteis tanto durante o dia quanto à noite, porque diferentes espécies de mosquitos têm hábitos variados.
Em passeios, trabalhos rurais, trilhas e atividades próximas a áreas de mata ou vegetação densa, a proteção deve ser reforçada. Além de usar roupas compridas e repelente, evite permanecer por longos períodos em locais com grande presença de insetos.
Como reduzir o risco da febre do Oropouche
A prevenção do Oropouche envolve cuidados diferentes daqueles dirigidos exclusivamente ao Aedes aegypti. O maruim pode estar associado a áreas com vegetação, matéria orgânica, folhas acumuladas e ambientes próximos a plantações ou quintais.
O Ministério da Saúde recomenda evitar locais com grande concentração de mosquitos, usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplicar repelente nas áreas expostas. Também é importante manter o ambiente limpo, remover folhas acumuladas e seguir as orientações da vigilância municipal quando houver casos confirmados na região.
Em áreas externas, a proteção deve ser reforçada no início da manhã e no fim da tarde, períodos em que alguns vetores podem apresentar maior atividade. A recomendação é evitar a exposição desnecessária e manter portas e janelas protegidas sempre que possível.
Vacinação também faz parte da prevenção
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a febre amarela. Antes de viajar para áreas de risco ou realizar atividades em regiões rurais e de mata, verifique a situação vacinal e procure uma unidade de saúde para receber orientação.
A vacina contra a dengue foi incorporada ao Sistema Único de Saúde, mas a oferta depende das definições do Programa Nacional de Imunizações e da disponibilidade para os públicos e municípios estabelecidos pelas autoridades de saúde. Mesmo para pessoas vacinadas, a eliminação de criadouros e a proteção contra picadas continuam necessárias.
O calendário e as regras de vacinação podem mudar. Por isso, a orientação é consultar a unidade básica de saúde do município ou os canais oficiais do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.
O que fazer ao apresentar sintomas?
Febre, dor de cabeça, dores no corpo, manchas na pele, dor atrás dos olhos, náusea, vômitos ou dor intensa nas articulações devem ser avaliados por um serviço de saúde, principalmente quando a pessoa vive ou esteve em área com transmissão de arboviroses.
Em Santa Catarina, a DIVE orienta que pessoas que estiveram, nos 14 dias anteriores, em município com presença do Aedes aegypti ou transmissão de dengue e desenvolveram sintomas procurem atendimento para avaliação.
Até receber orientação profissional, evite a automedicação. Alguns medicamentos podem aumentar o risco de sangramento em casos de dengue. A equipe de saúde deve indicar o tratamento adequado, a necessidade de hidratação e o momento de retorno para reavaliação.
Procure atendimento com urgência diante de sangramento, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, confusão, desmaio, piora rápida ou redução importante da ingestão de líquidos. Gestantes, crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas devem receber atenção especial.
Como colaborar com a vigilância em saúde
A prevenção depende de ações individuais e coletivas. Moradores devem permitir, quando previsto, a entrada de agentes de combate às endemias, seguir as orientações recebidas e comunicar à prefeitura a existência de locais que possam favorecer a proliferação de mosquitos.
Também é importante não remover produtos aplicados pelos agentes sem orientação e não utilizar inseticidas de forma excessiva ou inadequada. O controle químico é uma ação técnica da vigilância e não substitui a eliminação de criadouros.
Em Santa Catarina, informações sobre dengue, chikungunya, Zika e outras arboviroses podem ser acompanhadas nos canais da DIVE/SC e da Secretaria de Estado da Saúde. A prevenção mais eficaz combina limpeza frequente, proteção individual, vacinação quando indicada e busca rápida por atendimento diante de sintomas.



