sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Esportes

Crescimento dos esportes de areia transforma o litoral de Santa Catarina

O crescimento dos esportes de areia em Santa Catarina já aparece na expansão de arenas, na realização de torneios nacionais e internacionais e na presença cada vez maior das modalidades em calendários municipais, universitários e escolares.

O crescimento dos esportes de areia em Santa Catarina deixou de ser uma tendência restrita às praias mais conhecidas e passou a fazer parte da rotina esportiva de diferentes municípios do Estado. Beach tennis, vôlei de praia, futevôlei, beach soccer e outras modalidades ocupam arenas particulares, espaços públicos, torneios oficiais e eventos voltados ao lazer.

A expansão ocorre em diferentes frentes. Há aumento da oferta de quadras, criação de campeonatos municipais, realização de etapas nacionais e internacionais e maior aproximação entre esporte, turismo e economia local. No litoral, a presença da areia e o fluxo de visitantes favorecem a prática, mas o movimento também alcança cidades do interior, onde estruturas específicas começam a ser construídas.

O fenômeno ainda não é acompanhado por uma estatística estadual única capaz de medir quantos praticantes existem ou qual foi a taxa de crescimento de cada modalidade. Mesmo assim, a multiplicação de competições, investimentos públicos e iniciativas privadas indica a consolidação dos esportes de areia como um dos segmentos em expansão no cenário catarinense.

Beach tennis amplia a presença nas praias catarinenses

Entre as modalidades que mais ganharam visibilidade está o beach tennis. A combinação de regras relativamente simples, partidas em duplas e possibilidade de participação de iniciantes ajudou a popularizar o esporte em cidades litorâneas. A atividade também passou a atrair grupos de diferentes faixas etárias, desde praticantes recreativos até atletas que disputam competições oficiais.

Balneário Camboriú tornou-se uma das principais vitrines desse movimento. Em março de 2026, a cidade recebeu o ITF World Tour BT400, torneio internacional realizado na Praia Central. Segundo a prefeitura, a arena recebeu 75 mil pessoas ao longo dos seis dias de programação, que também contou com atrações gratuitas e shows. O número divulgado pela administração municipal demonstra a capacidade desses eventos de combinar competição esportiva e entretenimento para o público.

A realização de torneios de grande porte também contribui para profissionalizar a cadeia ligada ao esporte. Além dos atletas, as competições envolvem treinadores, árbitros, preparadores físicos, empresas de equipamentos, organizadores, profissionais de comunicação e trabalhadores responsáveis pela montagem das arenas. Em cidades turísticas, hotéis, restaurantes e outros serviços podem ser beneficiados pelo fluxo de visitantes.

O impacto, porém, não se limita aos grandes eventos. A modalidade também aparece em campeonatos municipais e em agendas esportivas de menor escala. Esse circuito de base permite que os praticantes tenham contato com a competição sem precisar viajar para centros maiores, além de criar uma porta de entrada para novos atletas.

O crescimento do beach tennis em Santa Catarina também aparece em propostas de ampliação da presença da modalidade em competições oficiais. Em 2026, um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa sugeriu a inclusão do beach tennis e do futevôlei nos Jogos Abertos de Santa Catarina e em competições escolares, como a Olimpíada Estudantil Catarinense e os Jogos Escolares de Santa Catarina. A proposta ainda representa uma discussão institucional, não uma mudança já consolidada no calendário. (alesc.sc.gov.br)

Vôlei de praia mantém tradição e renova a formação de atletas

O vôlei de praia tem uma trajetória mais longa no Estado e continua funcionando como uma das bases dos esportes de areia em Santa Catarina. Municípios como Navegantes, Itapema, Camboriú e outras cidades do litoral recebem torneios, treinamentos e atividades voltadas a diferentes categorias.

Navegantes abriu a temporada 2025 do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. A cidade foi escolhida para receber a primeira das nove etapas previstas para aquele ano, incluindo disputas adultas e competições de formação. A etapa também marcou o início de um novo ciclo olímpico depois dos Jogos de Paris, reforçando a importância do circuito nacional para a preparação de atletas e duplas. (cbv.com.br)

A realização de etapas nacionais aproxima o público de atletas de alto rendimento e fortalece a estrutura local. Para sediar uma competição desse nível, o município precisa organizar quadras, arquibancadas, áreas de apoio, logística, arbitragem e atendimento aos participantes. A experiência também pode deixar equipamentos e conhecimento técnico que permanecem disponíveis para projetos locais.

Os resultados nas categorias de base mostram outro aspecto da expansão. Em 2025, Santa Catarina terminou o Circuito Brasileiro Sub-17 na liderança geral nos torneios masculino e feminino, segundo a Confederação Brasileira de Voleibol. O desempenho indica a existência de um trabalho de formação capaz de levar jovens atletas a competições nacionais. (cbv.com.br)

A formação, no entanto, depende de continuidade. A presença de crianças e adolescentes nas quadras exige profissionais qualificados, equipamentos adequados, transporte para competições e programas que mantenham os jovens ligados ao esporte. Nesse ponto, projetos municipais, clubes, escolas e associações têm papel decisivo.

Futevôlei e novas modalidades ampliam o público

O futevôlei também ocupa espaço crescente nas praias e arenas catarinenses. A modalidade combina fundamentos do futebol e do vôlei, atrai jogadores de diferentes níveis e costuma integrar programações recreativas e competitivas. Como pode ser praticada em duplas ou grupos, o esporte também se adapta a eventos comunitários e atividades de verão.

Além do futevôlei, torneios universitários têm incorporado modalidades como beach hand, beach soccer, beach tennis, vôlei 4×4 e vôlei de praia. Em Itajaí, os Jogos Universitários de Esportes de Praia de 2026 reuniram essas práticas em uma programação apoiada pelo município. A diversidade do calendário mostra que a areia passou a ser utilizada por diferentes públicos, não apenas por atletas especializados. (itajai.sc.gov.br)

Essa variedade ajuda a reduzir a dependência de uma única modalidade. Uma arena pode receber aulas de beach tennis durante a semana, torneios de futevôlei no fim de semana e competições de vôlei de praia em períodos específicos. Para os empreendedores, o modelo amplia as possibilidades de uso do espaço. Para os municípios, cria alternativas de lazer e atividade física.

Expansão das arenas leva os esportes para além da faixa litorânea

Embora o litoral concentre a maior parte das quadras e dos eventos, a expansão dos esportes de areia não está limitada às cidades próximas ao mar. A criação de estruturas artificiais permite levar as modalidades a regiões onde não há praia, mas existe demanda por atividades esportivas e recreativas.

Em Tijucas, a prefeitura autorizou em março de 2026 a construção de uma quadra de areia destinada à prática de beach tennis, vôlei e futevôlei. A obra foi contratada por R$ 176.331,61, com previsão de execução em até 60 dias a partir do início dos trabalhos, conforme informado pelo município. (tijucas.sc.gov.br)

O caso ilustra uma mudança na forma de planejar o esporte. A quadra de areia deixa de ser vista apenas como uma estrutura associada à praia e passa a integrar políticas públicas de lazer, saúde e convivência. Em espaços urbanos, esses equipamentos podem atender aulas, torneios, atividades para crianças e ações voltadas à terceira idade.

A instalação de arenas públicas também pode ampliar o acesso de pessoas que não têm condições de pagar mensalidades em espaços privados. Para isso, é necessário que os municípios definam regras de uso, horários, manutenção e programas de iniciação esportiva. Sem essas medidas, a estrutura corre o risco de ser utilizada apenas por grupos já organizados.

Turismo esportivo ganha força no litoral de Santa Catarina

A relação entre esportes de areia e turismo é um dos fatores que explicam o crescimento das competições no litoral catarinense. Torneios nacionais e internacionais atraem atletas, familiares, equipes técnicas e torcedores. Em alguns casos, os eventos são planejados para ocorrer fora dos períodos de maior movimento, ajudando a distribuir a demanda ao longo do ano.

O turismo esportivo também modifica a experiência do visitante. A praia deixa de ser apenas um local de contemplação ou banho e passa a funcionar como cenário para competições, aulas, clínicas e atividades de participação. Isso cria novas oportunidades para empresas de hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços ligados ao lazer.

Para que o crescimento seja sustentável, entretanto, os eventos precisam considerar o uso responsável da faixa de areia. A montagem de arquibancadas e estruturas temporárias deve respeitar normas municipais e ambientais, além de garantir circulação, segurança e acesso dos frequentadores. Também é importante planejar a destinação de resíduos e a desmontagem das instalações.

Desafios para consolidar o crescimento

A expansão dos esportes de areia traz oportunidades, mas também exige organização. Um dos principais desafios é evitar que o crescimento fique concentrado em poucos municípios ou em grupos com maior poder de investimento. A criação de programas públicos de iniciação e a oferta de espaços gratuitos podem contribuir para ampliar a participação.

Outro ponto é a qualificação profissional. Professores, árbitros e organizadores precisam dominar as características de cada modalidade e os cuidados relacionados ao treinamento na areia. O piso aumenta a exigência física, especialmente para músculos e articulações, e pode elevar o risco de lesões quando não há preparação adequada.

A segurança também deve ser considerada. Quadras precisam de manutenção regular, drenagem eficiente, iluminação adequada e equipamentos em condições de uso. Em áreas abertas, a exposição ao sol exige atenção a hidratação, proteção da pele e horários das atividades.

Há ainda o desafio de construir indicadores. Saber quantas pessoas praticam cada modalidade, quantos eventos são realizados por ano e qual o impacto econômico gerado ajudaria o poder público e o setor privado a planejar investimentos. Sem dados consolidados, parte das decisões continua baseada apenas na percepção de crescimento.

Um mercado que combina esporte, lazer e comunidade

O avanço dos esportes de areia em Santa Catarina reflete uma mudança nos hábitos de lazer e na maneira de ocupar os espaços públicos. As modalidades oferecem uma alternativa de atividade física, favorecem a convivência e podem ser praticadas tanto de forma recreativa quanto competitiva.

No litoral, a vocação turística cria condições para grandes torneios e eventos de visibilidade nacional. Ao mesmo tempo, a expansão de arenas em cidades menores amplia o acesso e fortalece os circuitos locais. O resultado é um ecossistema que envolve atletas profissionais, amadores, crianças, universidades, clubes, prefeituras e empresas.

O próximo passo será transformar a popularidade em política esportiva permanente. Isso significa garantir manutenção de quadras, formação de professores, calendário regular, inclusão social e transparência nos investimentos. Se esse processo avançar, os esportes de areia poderão deixar de ser apenas uma atração sazonal e se consolidar como parte estruturante do esporte catarinense.