As mudanças de estação podem aumentar o desconforto de quem tem alergias respiratórias em Santa Catarina. A alternância entre dias frios e quentes, a redução da umidade do ar, a presença de poeira e mofo e, na primavera, a maior circulação de pólen podem favorecer crises de rinite, conjuntivite alérgica e asma.
O cuidado começa pela identificação dos fatores que desencadeiam os sintomas. Nem toda irritação nas vias respiratórias é uma alergia: resfriados e outras infecções também podem causar coriza, tosse e mal-estar. Por isso, sintomas persistentes, intensos ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, mudanças bruscas de temperatura, ácaros, mofo, pelos de animais, perfumes, fumaça e produtos com cheiro forte estão entre os possíveis gatilhos da rinite alérgica. A orientação geral é reduzir a exposição aos fatores identificados e não iniciar medicamentos por conta própria. Saiba mais sobre rinite alérgica na Biblioteca Virtual em Saúde.
Por que a mudança de estação pode piorar as alergias?
A transição entre as estações costuma trazer variações de temperatura e umidade. O ar frio e seco pode irritar as mucosas do nariz e da garganta, enquanto ambientes fechados e pouco ventilados favorecem o acúmulo de poeira, ácaros e mofo.
Em pessoas predispostas, a mudança brusca do clima também pode provocar sintomas nasais mesmo quando não há contato direto com um alérgeno específico. O Consenso Brasileiro sobre Rinites reconhece que oscilações de temperatura podem induzir ou agravar manifestações em pessoas com rinite.
Em Santa Catarina e em outros estados do Sul, a alergia sazonal ao pólen também merece atenção. A Sociedade Brasileira de Pediatria informa que a polinose, conhecida popularmente como alergia ao pólen ou febre do feno, é observada principalmente na região Sul, onde as estações são mais definidas. Os sintomas costumam aparecer com maior frequência durante a primavera, especialmente entre setembro e novembro. Confira as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Principais sintomas de uma crise alérgica
A rinite alérgica costuma provocar espirros repetidos, coriza transparente, coceira no nariz e obstrução nasal. Também pode haver coceira nos olhos, na garganta ou no céu da boca, além de secreção escorrendo para a garganta, pigarro e tosse.
Na conjuntivite alérgica, os sinais mais comuns são olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento e sensação de irritação. Em geral, o quadro aparece associado à rinite, principalmente quando a pessoa é exposta a poeira, ácaros ou pólen.
Quem tem asma pode apresentar tosse, chiado, falta de ar e aperto no peito. A presença de dificuldade para respirar, lábios arroxeados, confusão, sonolência intensa ou piora rápida exige atendimento de urgência.
Febre, dores no corpo, secreção nasal espessa, dor intensa no rosto ou mal-estar importante podem indicar infecção ou outro problema que precisa de avaliação. A aparência dos sintomas, isoladamente, não permite confirmar a causa.
Como reduzir poeira e ácaros dentro de casa
A limpeza do ambiente é uma das principais medidas para reduzir a exposição aos ácaros, que se concentram na poeira doméstica. O ideal é remover o pó com pano úmido e, quando possível, usar aspirador com filtro adequado. Vassouras e espanadores podem espalhar partículas pelo ar e piorar os sintomas durante a faxina.
Roupas de cama, cobertores e casacos guardados por muito tempo devem ser lavados ou expostos ao sol antes do uso. A recomendação é manter colchões e travesseiros protegidos com capas apropriadas e lavar os lençóis regularmente, conforme a rotina da casa e as orientações recebidas em consulta.
Tapetes, carpetes, cortinas pesadas, almofadas e bichos de pelúcia podem acumular poeira. Quando não for possível retirá-los, é importante estabelecer uma rotina de limpeza cuidadosa. Pessoas alérgicas devem evitar participar da faxina ou usar máscara durante a tarefa, especialmente em locais fechados.
A casa deve permanecer arejada e, sempre que possível, receber luz solar. Vazamentos, infiltrações e paredes com umidade precisam ser corrigidos, pois o mofo pode desencadear sintomas respiratórios.
Cuidados com mofo, umidade e ar-condicionado
Em períodos de chuva ou umidade elevada, é importante observar sinais de mofo em paredes, móveis, armários e tecidos. A remoção deve ser feita com segurança, evitando que a pessoa alérgica permaneça no local durante a limpeza. Se a infiltração persistir, apenas limpar a superfície não resolve a origem do problema.
O ar-condicionado também exige atenção. Filtros sujos acumulam poeira e outros resíduos, que podem ser lançados no ambiente. A manutenção deve seguir as instruções do fabricante e a rotina recomendada para o aparelho.
Em dias muito secos, a hidratação ajuda a manter o conforto das vias respiratórias. O uso de umidificadores, porém, exige cautela: aparelhos sujos ou utilizados por tempo excessivo podem aumentar a umidade e favorecer mofo. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar o abuso de umidificadores em ambientes de pessoas com rinite.
Como lidar com o pólen na primavera
Durante a primavera, pessoas sensíveis ao pólen podem perceber aumento de espirros, coriza, congestão nasal e coceira nos olhos. Os sintomas podem se intensificar em dias secos e com vento, quando partículas ficam mais tempo suspensas no ar.
Quando houver relação clara entre os sintomas e a exposição ao pólen, algumas medidas podem ajudar: manter as janelas fechadas em períodos de maior vento, trocar de roupa ao voltar de áreas externas, lavar o rosto e os cabelos e evitar esfregar os olhos.
Também é recomendável não secar roupas de cama ao ar livre em dias de grande circulação de pólen, caso a pessoa perceba piora após esse tipo de exposição. A identificação do padrão dos sintomas pode ajudar o médico a investigar uma possível alergia sazonal.
Não é necessário afastar-se de toda área verde ou interromper atividades ao ar livre sem orientação. O mais importante é observar os gatilhos individuais e buscar avaliação quando os sintomas forem frequentes ou prejudicarem o sono, o trabalho, os estudos ou a prática de exercícios.
Hábitos que ajudam a prevenir crises
Beber água ao longo do dia, manter uma alimentação equilibrada, dormir adequadamente e evitar o cigarro são medidas importantes para a saúde geral e respiratória. A fumaça do cigarro, inclusive a exposição passiva, irrita as vias respiratórias e pode agravar quadros alérgicos e crises de asma.
Perfumes, sprays, incensos, produtos de limpeza com odor forte, tintas e inseticidas também podem funcionar como irritantes. Sempre que possível, esses produtos devem ser utilizados em ambientes ventilados e longe de pessoas que apresentam sensibilidade.
Animais de estimação não precisam ser afastados automaticamente de casa. Entretanto, quando houver alergia comprovada a pelos ou descamações da pele, o médico pode orientar medidas para reduzir a exposição. Evitar que o animal suba na cama ou permaneça sobre estofados pode ser uma das estratégias indicadas.
A lavagem nasal com solução apropriada pode ser recomendada em alguns casos, mas o produto, a concentração e a forma de uso devem ser orientados por profissional de saúde, principalmente em crianças. O uso inadequado de soluções ou dispositivos pode causar desconforto e lesões.
Medicamentos: por que a automedicação deve ser evitada
Antialérgicos, sprays nasais, colírios e medicamentos para asma não devem ser escolhidos apenas com base em experiências anteriores ou recomendações de familiares. Cada tratamento depende da idade, dos sintomas, de outras doenças e dos medicamentos já utilizados.
O Ministério da Saúde alerta que remédios e vacinas antialérgicas devem ser prescritos por profissional habilitado. Descongestionantes nasais, quando usados de forma inadequada ou por tempo prolongado, podem causar efeitos indesejados e piora da obstrução nasal.
Para quem já tem diagnóstico de asma ou alergia, é importante seguir o plano de tratamento e manter os medicamentos prescritos disponíveis. A interrupção ou alteração da dose deve ser discutida com o médico, mesmo quando os sintomas melhoram.
Quando procurar atendimento
A consulta é indicada quando os sintomas são recorrentes, duram vários dias, interferem no sono ou nas atividades diárias, exigem uso frequente de medicamentos ou não melhoram com as medidas habituais.
Crianças que respiram pela boca, roncam, têm dificuldade para dormir ou apresentam queda no rendimento escolar também devem ser avaliadas. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que a rinite moderada ou grave pode afetar o sono e a qualidade de vida infantil. Veja as orientações da entidade para famílias.
Procure atendimento imediato em caso de falta de ar intensa, chiado que piora rapidamente, inchaço nos lábios ou na língua, dificuldade para engolir, desmaio, alteração da consciência ou reação alérgica após ingestão de alimento, uso de medicamento ou picada de inseto.
Em Santa Catarina, a porta de entrada para casos que não são de emergência costuma ser a Unidade Básica de Saúde, onde a equipe pode avaliar os sintomas e orientar o encaminhamento necessário. Situações graves devem ser direcionadas aos serviços de urgência e emergência.
Checklist para a troca de estação
- Lave roupas de cama, cobertores e casacos antes de usá-los novamente.
- Retire o pó com pano úmido e evite varrer ambientes fechados.
- Mantenha a casa ventilada e corrija infiltrações.
- Observe sinais de mofo em paredes, móveis e tecidos.
- Limpe ou troque os filtros do ar-condicionado conforme as instruções do fabricante.
- Evite fumaça, perfumes fortes, sprays e produtos irritantes.
- Em períodos de pólen, reduza a exposição em dias secos e ventosos se houver piora dos sintomas.
- Mantenha a hidratação e os cuidados de rotina.
- Não use medicamentos sem orientação profissional.
- Procure atendimento se os sintomas forem persistentes, intensos ou acompanhados de falta de ar.
As medidas de controle ambiental ajudam a diminuir a exposição aos gatilhos, mas não substituem o diagnóstico e o tratamento individualizado. Em caso de dúvida, a orientação mais segura é buscar avaliação em um serviço de saúde.
Fontes: Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde; Sociedade Brasileira de Pediatria; Sociedade Brasileira de Pediatria — rinite alérgica.



