sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados necessários para praticar esportes aquáticos em Santa Catarina

Veja os principais cuidados para praticar esportes aquáticos em Santa Catarina com mais segurança, desde a escolha do local e dos equipamentos até os procedimentos em caso de emergência.

Os cuidados para praticar esportes aquáticos em Santa Catarina começam antes de entrar na água. Praias, rios, lagoas, piscinas e áreas de costão têm características diferentes e podem apresentar riscos mesmo quando o tempo está ensolarado. Correntes de retorno, ondas fortes, pedras escorregadias, mudanças repentinas no clima e falta de monitoramento estão entre os fatores que exigem atenção.

Para reduzir a possibilidade de acidentes, a recomendação é escolher locais apropriados, respeitar a sinalização, utilizar equipamentos compatíveis com a atividade e nunca ultrapassar os próprios limites. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina orienta que os banhistas prefiram áreas protegidas pelo serviço de guarda-vidas e sigam as instruções dos profissionais. (cbm.sc.gov.br)

Escolha um local adequado para a atividade

Antes de praticar surfe, stand up paddle, caiaque, canoagem, natação em águas abertas, kitesurfe ou outra modalidade, verifique se o local é autorizado e se oferece condições compatíveis com o nível de experiência do praticante. Iniciantes devem evitar mar aberto, rios com correnteza, costões e áreas isoladas.

Nas praias, dê preferência aos trechos próximos aos postos de guarda-vidas. A presença desses profissionais facilita o atendimento em uma emergência e permite obter informações sobre correntezas, profundidade, pedras, bancos de areia e alterações nas condições do mar.

Em rios, lagoas e cachoeiras, a ausência de ondas não significa que o ambiente seja seguro. O fundo pode ser irregular, haver correntezas internas, galhos submersos, pedras e mudanças bruscas de profundidade. O CBMSC alerta que ambientes de água doce também podem transmitir uma falsa sensação de segurança, especialmente quando não há monitoramento. (cbm.sc.gov.br)

Observe as bandeiras e os avisos dos guarda-vidas

As bandeiras instaladas nos postos de salvamento indicam as condições gerais do trecho de praia. De modo geral, a bandeira verde representa baixo risco, a amarela indica atenção e a vermelha sinaliza alto risco de afogamento. Mesmo com bandeira verde, porém, o banho e a prática esportiva exigem cautela.

A bandeira preta indica que o posto está desativado ou fechado. Já a bandeira lilás pode alertar para a presença de águas-vivas. A sinalização pode variar conforme o ponto da praia, por isso é importante observar também as bandeiras instaladas na faixa de areia e seguir as orientações locais. (cbm.sc.gov.br)

Não entre na água quando houver bandeira vermelha, mar revolto, ressaca, tempestade ou orientação expressa para permanecer fora. Também evite iniciar uma atividade aquática sem consultar a previsão meteorológica e as condições de vento, ondas e visibilidade.

Use o equipamento de segurança correto

O colete salva-vidas é indispensável em atividades realizadas com embarcações e em modalidades nas quais o praticante pode cair na água. O equipamento deve ser homologado, estar em bom estado e ter tamanho compatível com o peso e o corpo do usuário. Boias de braço e outros dispositivos infláveis não substituem o colete, porque podem esvaziar, escapar ou oferecer uma falsa sensação de segurança.

Em embarcações de esporte e recreio, deve haver coletes em quantidade suficiente para todos os ocupantes, incluindo modelos adequados para crianças. A Marinha do Brasil recomenda que os coletes sejam mantidos em local acessível e verificados antes da saída. Para condutores e passageiros de moto aquática e equipamentos similares, o uso do colete homologado é obrigatório. (marinha.mil.br)

Antes de embarcar, confira fechos, fitas, apito, costuras e possíveis danos na espuma ou no tecido. Não use o colete como assento ou encosto, não o deixe exposto a calor intenso e lave-o com água doce após o uso, deixando-o secar em local ventilado. Esses cuidados ajudam a preservar a flutuabilidade do equipamento. (marinha.mil.br)

Dependendo da modalidade, também podem ser necessários capacete, leash, roupa de neoprene, calçado apropriado, protetor solar resistente à água, óculos de proteção e sinalizadores. O equipamento deve ser escolhido de acordo com o esporte e com a orientação de instrutores habilitados.

Conheça os riscos das correntes de retorno

As correntes de retorno são canais de água que se deslocam em direção ao mar aberto e podem afastar rapidamente o banhista da faixa de areia. Em alguns casos, a água parece mais escura, há menor quebra de ondas e uma área relativamente calma entre regiões agitadas.

Se for levado por uma corrente, não tente nadar diretamente contra o fluxo. A orientação do CBMSC é manter a calma, flutuar e nadar paralelamente à praia até sair da corrente; depois, o banhista deve retornar em direção à areia. Se não conseguir sair, peça ajuda e acene para os guarda-vidas. (cbm.sc.gov.br)

Não pratique esportes aquáticos perto de costões rochosos, molhes ou pedras quando houver ondas fortes. Além do risco de impacto, essas áreas podem ter superfícies escorregadias, mudanças de maré e correntes difíceis de identificar.

Não misture álcool, drogas e atividades aquáticas

O consumo de bebidas alcoólicas reduz a capacidade de avaliar riscos, prejudica a coordenação motora e pode levar a decisões perigosas. Por isso, não entre no mar, em rios, cachoeiras ou piscinas depois de beber. A recomendação vale também para quem pretende conduzir embarcações ou moto aquáticas.

O álcool pode fazer com que a pessoa subestime ondas, correntezas, distância da margem e sinais de cansaço. Mesmo quem sabe nadar está sujeito a acidentes quando perde reflexos e capacidade de reação. O CBMSC inclui a combinação entre álcool e água entre os comportamentos que devem ser evitados. (cbm.sc.gov.br)

Redobre os cuidados com crianças

Crianças devem permanecer sob supervisão constante e próxima de um adulto, mesmo quando usam colete ou estão em uma área rasa. A supervisão não deve ser substituída por celulares, conversas ou pela expectativa de que outra pessoa esteja observando.

Em piscinas, o ideal é instalar cercas ou barreiras que impeçam o acesso desacompanhado. A lona não deve ser usada como proteção, pois a criança pode ficar presa caso caia sobre a cobertura. Também é importante manter brinquedos fora da água quando a piscina não estiver em uso e verificar a existência de tampas adequadas em ralos e sistemas de sucção.

O SAMU de Santa Catarina orienta que crianças não fiquem sozinhas perto de piscinas e que sejam adotadas barreiras físicas para bloquear o acesso. (saude.sc.gov.br)

Faça uma avaliação antes de sair

Em esportes praticados com embarcações, faça uma inspeção básica antes de iniciar o percurso. Verifique o casco, a vedação, o motor, as baterias, as luzes de navegação, o rádio e os demais itens de salvatagem. Confira se há combustível suficiente, se o número de pessoas está dentro da capacidade da embarcação e se todos sabem onde estão os equipamentos de emergência.

Informe a alguém de confiança o trajeto previsto, o horário aproximado de retorno e a quantidade de pessoas no grupo. Evite navegar sozinho em áreas afastadas e não se distancie além da capacidade técnica do equipamento ou do seu nível de treinamento.

Condutores também devem conhecer as regras de navegação aplicáveis à área e respeitar limites de velocidade, distância de banhistas e outras embarcações. Em caso de dúvida, procure a Capitania dos Portos ou uma escola e empresa autorizada para receber orientação específica.

Proteja-se do sol, do frio e da desidratação

O esforço físico na água pode aumentar a perda de líquidos e energia. Leve água potável, faça pausas e evite praticar exercícios nos horários de maior exposição solar. Use protetor solar, reaplique o produto conforme as orientações do fabricante e proteja áreas como rosto, orelhas, nuca e ombros.

Em dias frios ou em atividades prolongadas, a hipotermia também merece atenção. Roupas de neoprene podem ajudar em determinadas modalidades, mas não eliminam a necessidade de sair da água ao apresentar tremores, confusão, fraqueza ou perda de coordenação. Depois da atividade, troque as roupas molhadas e aqueça o corpo gradualmente.

Saiba como agir em uma emergência

Ao perceber que alguém está se afogando, não entre na água para tentar salvar a vítima se você não tiver treinamento. A pessoa em pânico pode agarrar o socorrista e colocá-lo em perigo. Acione imediatamente o guarda-vidas ou ligue para o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193. Quando necessário, também é possível chamar o SAMU pelo 192. (cbm.sc.gov.br)

Se estiver em uma margem ou na areia, lance um objeto flutuante, uma corda ou outro material que possa ajudar a vítima a permanecer na superfície, sem se aproximar além do que for seguro. Informe aos profissionais o ponto exato do incidente, as condições da água e quantas pessoas precisam de atendimento.

Depois que a vítima for retirada da água, observe se está consciente e respirando. Não ofereça bebidas, alimentos ou medicamentos. Mesmo quando parece bem, a pessoa deve ser avaliada por uma equipe de saúde se tiver apresentado tosse persistente, dificuldade para respirar, sonolência, confusão, dor no peito ou desmaio. Os protocolos do SAMU orientam avaliação das condições respiratórias e atendimento especializado após episódios de submersão. (gov.br)

Checklist antes de entrar na água

  • Escolha uma área autorizada e, preferencialmente, monitorada por guarda-vidas.
  • Observe as bandeiras, os avisos e as orientações dos profissionais.
  • Confira a previsão do tempo, o vento, as ondas, a correnteza e a visibilidade.
  • Use colete salva-vidas adequado sempre que a modalidade exigir.
  • Não consuma álcool antes ou durante a atividade.
  • Nunca deixe crianças sem supervisão próxima e constante.
  • Não pratique sozinho em locais afastados ou desconhecidos.
  • Leve água, protetor solar e equipamentos compatíveis com o esporte.
  • Saiba como acionar o 193 e o 192 antes de iniciar a atividade.

Em Santa Catarina, a variedade de praias e ambientes de água doce amplia as opções de lazer, mas também exige planejamento. A combinação entre informação, equipamento adequado, respeito à sinalização e avaliação dos próprios limites é a principal medida para aproveitar os esportes aquáticos com segurança.