sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SAÚDE

Exames preventivos: por que são importantes para a população de Santa Catarina

A realização de exames preventivos permite detectar alterações de saúde antes do aparecimento de sintomas. Em Santa Catarina, a população pode procurar a Unidade Básica de Saúde para atualizar vacinas, medir a pressão, avaliar fatores de risco e verificar a necessidade de rastreamentos conforme idade, histórico familiar e condições clínicas.

A realização de exames preventivos é uma das principais formas de cuidar da saúde antes que apareçam sinais de doença. Em Santa Catarina, assim como no restante do país, a população pode buscar a Unidade Básica de Saúde (UBS) para fazer uma avaliação individual, atualizar vacinas, medir a pressão arterial, verificar fatores de risco e receber orientação sobre exames indicados para cada fase da vida.

O objetivo não é fazer todos os exames disponíveis de maneira indiscriminada. A prevenção deve considerar idade, histórico familiar, hábitos de vida, doenças já diagnosticadas, uso de medicamentos e sintomas apresentados. A equipe de saúde avalia essas informações e define quais procedimentos são necessários, em que intervalo devem ser repetidos e se há necessidade de encaminhamento para outro serviço.

O que são exames preventivos

Exames preventivos, também chamados de exames de rotina ou de rastreamento, são procedimentos usados para avaliar a saúde de pessoas com ou sem sintomas. Alguns ajudam a identificar fatores de risco, como pressão alta e alterações da glicemia. Outros procuram sinais iniciais de doenças específicas em grupos definidos por idade ou condição clínica.

É importante diferenciar rastreamento de investigação. O rastreamento é feito em pessoas que ainda não apresentam sintomas, mas pertencem a uma faixa etária ou grupo para o qual há recomendação. Já a investigação ocorre quando existe uma queixa, alteração física ou resultado anormal que precisa ser esclarecido.

Essa diferença evita tanto o atraso no diagnóstico quanto a realização de exames sem indicação. Um resultado fora do padrão nem sempre significa uma doença grave e pode exigir repetição, avaliação clínica ou exames complementares. Por isso, a interpretação deve ser feita por um profissional de saúde.

Por que a prevenção é importante

Muitas doenças evoluem silenciosamente por meses ou anos. A hipertensão arterial, por exemplo, frequentemente não provoca sintomas no início. Segundo o Ministério da Saúde, a medição regular da pressão é a única maneira de diagnosticar a condição, e pessoas com mais de 20 anos devem verificá-la pelo menos uma vez por ano, com maior frequência quando há histórico familiar ou outros fatores de risco.

A detecção precoce permite iniciar mudanças de hábitos, acompanhamento clínico e, quando necessário, tratamento. Em muitos casos, esse cuidado reduz o risco de complicações cardiovasculares, renais, neurológicas e metabólicas. Também ajuda a pessoa a compreender melhor a própria saúde e a participar das decisões sobre o cuidado.

A prevenção não se limita aos exames laboratoriais. Consultas, vacinação, acompanhamento odontológico, avaliação da saúde mental, orientação nutricional, atividade física, controle do peso, redução do consumo de álcool e abandono do cigarro fazem parte de uma estratégia ampla de proteção à saúde.

Cuidados avaliados na Unidade Básica de Saúde

Na consulta de rotina, a equipe da atenção primária pode verificar a pressão arterial, o peso, a altura, o índice de massa corporal e a circunferência abdominal, além de investigar alimentação, sono, atividade física, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e histórico familiar.

De acordo com a avaliação, podem ser solicitados exames de sangue, como glicemia e perfil lipídico, ou outros procedimentos necessários para acompanhar doenças já conhecidas. A indicação não é igual para todas as pessoas. Alguém com diabetes, obesidade, doença renal, hipertensão ou histórico familiar importante pode precisar de acompanhamento diferente de uma pessoa sem esses fatores.

Também é importante levar à consulta exames anteriores, receitas, relatórios médicos e a carteira de vacinação. Essas informações ajudam o profissional a evitar repetições desnecessárias e a identificar mudanças ao longo do tempo.

Rastreamento do câncer do colo do útero

O rastreamento do câncer do colo do útero é destinado a mulheres e pessoas com colo do útero dentro da faixa etária recomendada e que já iniciaram a vida sexual. O Ministério da Saúde informa que o público prioritário está entre 25 e 64 anos.

As diretrizes nacionais passaram a prever o teste molecular para identificação do DNA do HPV como exame primário. Quando o resultado é negativo, o intervalo previsto pode chegar a cinco anos, conforme o protocolo adotado e a organização do serviço. A implantação ocorre de forma progressiva na rede pública. Onde essa tecnologia ainda não estiver disponível, o exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo utilizado segundo a orientação da equipe de saúde.

O exame preventivo não deve ser abandonado por ausência de sintomas. Corrimento persistente, sangramento fora do período menstrual, dor durante a relação sexual, lesões ou verrugas na região genital devem ser informados ao profissional, pois podem exigir investigação específica.

A vacinação contra o HPV complementa a prevenção, mas não substitui o rastreamento. A vacina não protege contra todos os tipos do vírus, e pessoas vacinadas devem seguir as orientações de acompanhamento indicadas para sua faixa etária.

Mamografia e avaliação das mamas

Para mulheres e pessoas com mamas sem sinais ou sintomas suspeitos, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer recomendam a mamografia de rastreamento, em geral, entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. A orientação pode mudar quando há histórico pessoal de câncer, casos na família, alterações genéticas ou outros fatores de risco.

Nessas situações, a decisão deve ser individualizada. A idade para iniciar o acompanhamento, a periodicidade e a necessidade de exames complementares dependem da avaliação profissional. A ultrassonografia, por exemplo, pode ser indicada como complemento em determinadas situações, mas não substitui automaticamente a mamografia de rastreamento.

Independentemente da idade, qualquer pessoa deve procurar atendimento ao perceber nódulo persistente, retração do mamilo ou da pele, secreção com sangue, mudança no formato da mama ou aumento progressivo acompanhado de alterações na pele. A presença desses sinais não confirma câncer, mas exige avaliação sem esperar o próximo exame de rotina.

Próstata: prevenção não significa fazer exames indiscriminadamente

O câncer de próstata exige uma abordagem cuidadosa. O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional sistemático em homens sem sinais ou sintomas, porque os exames podem produzir resultados falso-positivos, levar a procedimentos desnecessários e identificar tumores que talvez não causassem impacto durante a vida.

Isso não significa ignorar a saúde do homem. Pessoas com dificuldade para urinar, sangue na urina, necessidade frequente de urinar ou outros sintomas devem procurar atendimento. Homens com histórico familiar importante ou outros fatores de risco também podem conversar com um profissional sobre os benefícios e possíveis danos do PSA, do toque retal e de outras estratégias de investigação.

A decisão deve ser compartilhada e considerar o perfil individual. O PSA e o toque retal não devem ser realizados automaticamente apenas por causa da idade, sem uma conversa sobre o significado dos resultados e as etapas que podem ser necessárias depois.

Vacinação também é uma forma de prevenção

A vacinação faz parte dos cuidados preventivos em todas as fases da vida. O Calendário Nacional de Vacinação contempla crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. Entre as vacinas previstas estão as que protegem contra doenças como hepatite B, difteria, tétano, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola e influenza, conforme a idade, o histórico vacinal e as condições de saúde.

A carteira de vacinação deve ser levada à UBS para conferência. A ausência do documento não impede a busca pelo serviço: a equipe pode verificar os registros disponíveis e orientar a atualização das doses. Pessoas com doenças crônicas, imunossupressão ou outras condições especiais podem ser encaminhadas para avaliação específica e, quando indicado, para um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais.

Quem deve procurar a UBS

Qualquer pessoa pode procurar a atenção primária para saber quais cuidados preventivos são adequados. A busca é especialmente importante para quem está há anos sem consulta, tem histórico familiar de doenças, usa medicamentos contínuos, está grávida, planeja uma gestação ou apresenta mudanças recentes na saúde.

Na rede pública, a UBS costuma ser a porta de entrada para avaliação, solicitação de exames, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e encaminhamento para serviços especializados. O fluxo pode variar entre os municípios catarinenses, por isso o morador deve consultar a unidade de referência de seu bairro ou os canais oficiais da prefeitura.

É recomendável não esperar o surgimento de sintomas para procurar atendimento. Dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, fraqueza súbita em um lado do corpo, sangramento importante ou outros sinais de urgência exigem atendimento imediato, e não apenas o agendamento de uma consulta preventiva.

Como se preparar para a consulta

  • Leve documento de identificação e cartão do SUS, quando disponíveis.
  • Apresente a carteira de vacinação e exames anteriores.
  • Informe todos os medicamentos, vitaminas e suplementos utilizados.
  • Relate doenças existentes e casos relevantes na família.
  • Anote sintomas, quando começaram e com que frequência aparecem.
  • Pergunte qual é a finalidade de cada exame e quando o resultado deve ser avaliado.

O mais importante é não interpretar um resultado isoladamente nem interromper medicamentos por conta própria. A prevenção funciona melhor quando há continuidade: realizar o exame indicado, retirar o resultado, retornar ao serviço e seguir a orientação recebida.

Prevenção exige acompanhamento

Os exames preventivos são ferramentas de cuidado, mas não substituem hábitos saudáveis nem a avaliação clínica. Também não existe uma lista única de exames que sirva para toda a população. A necessidade muda conforme a idade, o sexo, a presença de órgãos específicos, o histórico familiar, os fatores de risco e as condições de saúde.

Para consultar orientações oficiais sobre rastreamento, vacinação e atendimento no SUS, a população pode acessar o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer. Em Santa Catarina, a orientação inicial deve ser buscada na UBS responsável pelo território. O cuidado preventivo começa com uma consulta, mas depende principalmente de manter o acompanhamento ao longo do tempo.