O inverno em Santa Catarina exige atenção redobrada para a prevenção de doenças respiratórias. Com temperaturas mais baixas, é comum que as pessoas permaneçam por mais tempo em ambientes fechados, muitas vezes com pouca circulação de ar. Essa condição facilita a transmissão de vírus como influenza, SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório (VSR), rinovírus e outros agentes que causam infecções respiratórias.
A prevenção depende de um conjunto de medidas simples, que devem ser adotadas principalmente por idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indivíduos com baixa imunidade. A vacinação, a ventilação dos ambientes e a higiene das mãos estão entre as principais estratégias recomendadas pelas autoridades de saúde.
As orientações deste conteúdo são gerais e não substituem a avaliação de um profissional de saúde. Em caso de sintomas intensos, persistentes ou que estejam piorando, é importante procurar atendimento.
Por que o inverno favorece as doenças respiratórias?
O frio, por si só, não causa gripe ou covid-19. O aumento dos casos durante os meses frios está relacionado principalmente à maior permanência em locais fechados, à proximidade entre as pessoas e à menor renovação do ar. Em ambientes pouco ventilados, partículas respiratórias podem permanecer suspensas ou se espalhar com mais facilidade.
As baixas temperaturas também podem agravar sintomas de pessoas com asma, bronquite, rinite e outras doenças respiratórias. O ar frio e seco pode irritar as vias aéreas, enquanto a exposição à fumaça, poeira, mofo e produtos com cheiro forte pode desencadear crises em indivíduos sensíveis.
Em Santa Catarina, onde há períodos de frio intenso e grande variação de temperatura entre regiões, é importante manter os cuidados durante toda a estação, sem concentrar a prevenção apenas nos dias de maior queda térmica.
Mantenha a vacinação em dia
A vacinação é uma das principais formas de reduzir o risco de casos graves e complicações causadas por doenças respiratórias. A vacina contra a influenza precisa ser tomada anualmente porque os vírus circulantes podem mudar ao longo do tempo. A imunização não impede todas as infecções respiratórias, mas ajuda a diminuir o risco de formas graves, hospitalizações e mortes por gripe.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação contra a influenza é direcionada a grupos definidos pelo Ministério da Saúde e pelas estratégias vigentes. Entre os públicos prioritários estão crianças pequenas, gestantes, puérperas, pessoas com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde, pessoas com doenças crônicas, pessoas com deficiência permanente, professores e outros grupos específicos.
Como os públicos, períodos e regras podem ser atualizados a cada campanha, a recomendação é consultar a unidade básica de saúde do município ou os canais oficiais da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Também é importante verificar a situação da caderneta de vacinação contra covid-19 e outras doenças previstas no calendário.
Para gestantes, o Ministério da Saúde também disponibiliza estratégias específicas de proteção contra o VSR, conforme os critérios em vigor. A imunização pode contribuir para proteger o bebê nos primeiros meses de vida. A indicação, o período e a disponibilidade devem ser confirmados nos serviços do SUS.
Ventile os ambientes mesmo nos dias frios
A ventilação é uma das medidas mais importantes para reduzir a concentração de partículas respiratórias em locais fechados. Sempre que possível, mantenha portas e janelas abertas, mesmo que por períodos ao longo do dia. A circulação de ar deve ser priorizada em residências, salas de aula, escritórios, veículos e estabelecimentos comerciais.
Em dias muito frios, não é necessário manter todas as janelas abertas o tempo inteiro. Uma alternativa é fazer a renovação do ar em intervalos regulares, evitando a permanência prolongada em ambientes totalmente fechados. Quando houver muitas pessoas reunidas, o cuidado deve ser ainda maior.
O uso de aparelhos de ar-condicionado não substitui a ventilação natural. Equipamentos devem ser higienizados de acordo com as orientações do fabricante, mas a limpeza do aparelho não elimina a necessidade de renovar o ar do ambiente.
Adote a etiqueta respiratória
Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo. Evite usar as mãos, pois elas podem levar partículas para maçanetas, celulares, copos, mesas e outras superfícies.
Lenços descartáveis devem ser jogados no lixo imediatamente após o uso. Depois, lave as mãos com água e sabão ou utilize preparação alcoólica a 70%. Também é recomendável evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienizar as mãos.
Pessoas com sintomas respiratórios devem reduzir o contato próximo com outras pessoas, principalmente com idosos, bebês, gestantes e indivíduos imunossuprimidos. Quando for necessário sair ou permanecer em ambientes fechados e aglomerados, o uso de máscara pode ajudar a reduzir a transmissão.
Quando usar máscara
O Ministério da Saúde recomenda o uso de máscara por pessoas com sintomas gripais, por quem teve contato próximo com alguém doente e por pessoas com maior risco de complicações, especialmente em locais fechados, mal ventilados, aglomerados ou em serviços de saúde.
Máscaras bem ajustadas ao rosto oferecem melhor proteção. Modelos como PFF2 ou N95 podem ser recomendados em situações de maior risco, desde que utilizados corretamente. Pessoas sintomáticas devem evitar máscaras com válvula, que não oferecem proteção adequada para quem está ao redor.
A máscara não substitui a vacinação, a ventilação dos espaços, a higiene das mãos e o afastamento quando houver sintomas. As medidas funcionam melhor quando adotadas em conjunto.
Lave as mãos com frequência
A higiene das mãos ajuda a interromper a transmissão de vírus e bactérias. A lavagem deve ser feita com água e sabão, esfregando palmas, dorso das mãos, dedos, espaços entre os dedos, unhas e punhos. O procedimento é especialmente importante:
- antes de comer ou preparar alimentos;
- depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz;
- após usar o banheiro;
- ao chegar da rua;
- antes e depois de tocar os olhos, o nariz ou a boca;
- depois de cuidar de uma pessoa doente;
- após tocar superfícies de uso coletivo.
Quando não houver água e sabão disponíveis, pode-se utilizar álcool em gel ou outra preparação alcoólica a 70%, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.
Evite compartilhar objetos e mantenha a limpeza
Copos, talheres, garrafas, toalhas e outros objetos de uso pessoal não devem ser compartilhados, principalmente em períodos de maior circulação de vírus respiratórios. A limpeza regular de superfícies tocadas com frequência, como maçanetas, interruptores, mesas e celulares, também contribui para reduzir a disseminação de microrganismos.
Em casa, é importante lavar roupas de cama, toalhas e cobertores de acordo com a necessidade. Ambientes com umidade, mofo ou acúmulo de poeira devem receber atenção especial, sobretudo quando houver moradores com alergias, asma ou rinite.
Proteja crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas
Crianças pequenas, pessoas com 60 anos ou mais, gestantes e indivíduos com doenças cardíacas, pulmonares ou imunológicas podem ter maior risco de desenvolver complicações. Nesses grupos, a prevenção deve incluir vacinação atualizada, acompanhamento regular e atenção aos primeiros sinais de piora.
Familiares e cuidadores devem evitar levar pessoas com sintomas respiratórios para locais aglomerados. Também é importante não expor bebês e idosos a pessoas doentes sem necessidade. Quando alguém da casa estiver com sintomas, a ventilação, a higiene das mãos e a redução do contato próximo devem ser reforçadas.
Pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, bronquite ou outras condições devem seguir o tratamento prescrito. A interrupção ou alteração de medicamentos sem orientação pode aumentar o risco de descompensação.
Cuidados com frio, fumaça e umidade
Manter o corpo protegido do frio é importante, especialmente para crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Roupas molhadas devem ser trocadas o mais rapidamente possível. Também é recomendável evitar exposição prolongada a temperaturas muito baixas e ambientes com fumaça.
Fumaça de cigarro, lenha, queimadas, incensos e produtos de limpeza pode irritar as vias respiratórias e agravar crises de asma, rinite e bronquite. O ideal é não fumar dentro de casa e manter crianças longe de qualquer ambiente com fumaça.
Mofo e umidade também podem piorar sintomas alérgicos. A limpeza deve ser feita com segurança, evitando misturar produtos químicos e mantendo o local ventilado. Pessoas alérgicas não devem participar da remoção de grandes áreas de mofo sem proteção adequada.
O que fazer ao surgirem sintomas?
Sintomas como coriza, tosse, dor de garganta, febre, dor no corpo e cansaço podem ocorrer em diferentes infecções respiratórias. Nem sempre é possível identificar a causa apenas pelos sintomas. Por isso, evite iniciar antibióticos por conta própria, pois esses medicamentos não tratam infecções virais e seu uso inadequado pode causar efeitos adversos e resistência bacteriana.
Durante o quadro, a pessoa deve descansar, manter a hidratação e evitar contato próximo com outras pessoas. Medicamentos para febre, dor ou tosse devem ser usados conforme orientação profissional, especialmente no caso de crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas.
A unidade básica de saúde pode avaliar sintomas, atualizar vacinas, acompanhar doenças crônicas e encaminhar o paciente quando necessário. A rede municipal também orienta sobre o local mais adequado para atendimento conforme a gravidade do quadro.
Sinais de alerta exigem atendimento
Procure atendimento médico quando os sintomas forem persistentes, estiverem se agravando ou ocorrerem em pessoas que fazem parte de grupos de risco. A atenção deve ser imediata diante de falta de ar, dificuldade intensa para respirar, dor ou pressão no peito, lábios arroxeados, confusão mental, desmaio, convulsão, sonolência excessiva ou sinais de desidratação.
Em bebês e crianças, também merecem avaliação rápida a dificuldade para mamar ou beber líquidos, respiração muito acelerada, gemência, retração das costelas durante a respiração e redução importante da disposição. Em idosos, uma piora súbita do estado geral ou confusão pode ser sinal de gravidade, mesmo sem febre.
As orientações do Ministério da Saúde e da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina devem ser acompanhadas durante o período de maior circulação de vírus respiratórios. A prevenção no inverno depende de atitudes individuais e coletivas: vacinação, ambientes ventilados, higiene das mãos, etiqueta respiratória, uso responsável de máscaras e busca oportuna por atendimento.



