sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde cardiovascular em Santa Catarina: hábitos que ajudam a proteger o coração

Adotar hábitos de vida mais saudáveis é uma das principais formas de cuidar da saúde cardiovascular. Veja como melhorar a alimentação, iniciar atividades físicas, controlar a pressão e reconhecer sinais de emergência em Santa Catarina.

Cuidar da saúde cardiovascular envolve mais do que evitar o excesso de gordura na alimentação. A proteção do coração e dos vasos sanguíneos depende de um conjunto de hábitos: movimentar o corpo, controlar a pressão arterial, não fumar, moderar ou evitar o consumo de álcool, manter uma alimentação equilibrada e fazer acompanhamento regular com profissionais de saúde.

Essas medidas são importantes para moradores de Santa Catarina e de qualquer região do país. Doenças cardiovasculares podem estar relacionadas a fatores que não podem ser modificados, como idade, histórico familiar e algumas características genéticas, mas também a condições que podem ser prevenidas ou controladas, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, excesso de peso, sedentarismo e tabagismo.

As orientações a seguir têm caráter educativo e não substituem uma avaliação individual. Pessoas com doenças crônicas, sintomas ou limitações devem buscar orientação na Unidade Básica de Saúde, com médico, enfermeiro, nutricionista ou outro profissional habilitado.

Por que a saúde cardiovascular precisa de atenção

As doenças cardiovasculares atingem o coração e os vasos sanguíneos. Entre os principais problemas estão o infarto, o acidente vascular cerebral, a insuficiência cardíaca e algumas doenças relacionadas à circulação.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, alimentação inadequada, falta de atividade física, tabagismo e uso prejudicial de álcool estão entre os principais fatores comportamentais associados a doenças do coração e ao AVC. Esses fatores podem contribuir para o aumento da pressão arterial, da glicose e dos níveis de colesterol, além do excesso de peso.

Um dos desafios é que a hipertensão e o colesterol alto podem não provocar sintomas perceptíveis durante muito tempo. Por isso, esperar sentir alguma alteração para procurar atendimento não é uma estratégia segura. A verificação periódica dos indicadores de saúde ajuda a identificar riscos antes que ocorram complicações.

1. Faça da atividade física um hábito possível

A prática regular de atividade física ajuda no controle do peso, da pressão arterial e da glicose. Também contribui para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, o sono e o bem-estar.

Para quem está parado há muito tempo, o mais importante é começar de forma gradual. Caminhadas curtas, deslocamentos a pé, dança, bicicleta, exercícios na água e atividades domésticas podem ser pontos de partida. A orientação do Ministério da Saúde sobre atividade física recomenda iniciar com atividades leves e aumentar aos poucos a duração e a intensidade.

Uma referência prática para adultos é buscar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, distribuídos ao longo da semana, quando não houver contraindicação. Isso pode significar, por exemplo, caminhar em vários dias, alternando períodos mais curtos até alcançar uma rotina estável.

O exercício não deve ser usado para ignorar sinais de alerta. Dor no peito, falta de ar fora do habitual, tontura intensa, desmaio, palpitações persistentes ou mal-estar durante a atividade exigem interrupção e avaliação. Pessoas que já tiveram infarto, AVC, cirurgia cardíaca ou que convivem com doenças crônicas devem conversar com a equipe de saúde antes de aumentar a intensidade.

2. Melhore a alimentação sem buscar soluções radicais

Uma alimentação favorável à saúde cardiovascular deve priorizar variedade, equilíbrio e menor consumo de sal, açúcar e gorduras em excesso. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que a base das refeições seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados.

Na prática, isso significa dar preferência a frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, ovos, carnes frescas, peixes, leite e outros alimentos preparados com ingredientes conhecidos. Castanhas e outras oleaginosas sem excesso de sal também podem fazer parte da alimentação, respeitando as necessidades individuais.

Alimentos processados, como alguns queijos, conservas e carnes salgadas, devem ser consumidos com moderação. Já os ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, embutidos e refeições prontas, devem ser evitados ou reduzidos, porque frequentemente concentram sódio, açúcares, gorduras e aditivos.

Algumas mudanças simples ajudam no dia a dia:

  • usar ervas, alho, cebola, limão e outros temperos para reduzir a dependência do sal;
  • comparar a quantidade de sódio, açúcar e gordura nos rótulos;
  • trocar bebidas açucaradas por água na maior parte das ocasiões;
  • planejar refeições e lanches para diminuir a compra de produtos prontos;
  • incluir frutas, legumes e verduras em diferentes refeições;
  • evitar transformar frituras e carnes processadas em itens frequentes do cardápio.

Não é necessário adotar uma dieta restritiva por conta própria. Pessoas com diabetes, doença renal, hipertensão, colesterol alto ou outras condições podem precisar de orientações específicas de um profissional.

3. Acompanhe a pressão arterial

A hipertensão é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC, doença renal e insuficiência cardíaca. A pressão elevada pode não apresentar sintomas, e a única forma de identificar o problema é medir corretamente e fazer avaliação profissional.

O Ministério da Saúde informa que a pressão arterial deve ser acompanhada regularmente. Uma medida isolada não deve ser usada, sozinha, para confirmar diagnóstico. Quando há alteração, o profissional pode repetir a aferição, avaliar o histórico e solicitar exames.

Para pessoas já diagnosticadas com hipertensão, interromper o remédio porque a pressão melhorou pode ser perigoso. O tratamento deve seguir a prescrição, e qualquer mudança de dose ou suspensão precisa ser discutida com a equipe responsável.

Também é importante levar às consultas informações sobre medidas realizadas em casa, medicamentos usados, sintomas e histórico familiar. Esse registro ajuda o profissional a compreender a evolução do quadro.

4. Não fume e procure apoio para parar

O tabagismo prejudica os vasos sanguíneos, aumenta o risco de formação de placas nas artérias e está associado a infarto, AVC e outras doenças. O risco também envolve produtos derivados do tabaco, e não apenas o cigarro convencional.

Parar de fumar pode ser difícil, especialmente quando existe dependência de nicotina. Isso não significa falta de força de vontade. O Sistema Único de Saúde oferece tratamento para cessação do tabagismo, com aconselhamento estruturado e, em situações indicadas, medicamentos.

O primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde do município e informar o desejo de parar. A equipe pode avaliar o grau de dependência, orientar estratégias para lidar com a abstinência e indicar o acompanhamento adequado. Recaídas devem ser comunicadas aos profissionais, sem abandonar definitivamente o tratamento.

5. Modere o álcool e cuide do sono e do estresse

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode contribuir para aumento da pressão arterial, alterações no ritmo do coração, ganho de peso e piora do controle de doenças crônicas. Para reduzir riscos, é importante evitar o consumo abusivo e conversar com um profissional caso seja difícil diminuir ou interromper o uso.

O sono também faz parte do cuidado cardiovascular. Dormir mal de forma persistente pode afetar o humor, o apetite, o controle do peso e a pressão. Manter horários regulares, reduzir o uso de telas antes de dormir e evitar estimulantes no período noturno são medidas que podem ajudar.

O estresse não deve ser tratado como a única causa de problemas cardíacos, mas pode dificultar a manutenção de hábitos saudáveis e agravar comportamentos como fumar, comer em excesso ou dormir pouco. Atividades de lazer, convivência social, respiração consciente, acompanhamento psicológico e organização da rotina podem ser úteis, conforme a necessidade de cada pessoa.

6. Faça acompanhamento preventivo

A prevenção não depende apenas de consultas quando surgem sintomas. A avaliação periódica permite acompanhar pressão arterial, peso, glicemia, colesterol e outros fatores de risco. A frequência dos exames varia conforme idade, histórico familiar, doenças existentes e orientação profissional.

Na rede pública, a porta de entrada costuma ser a Unidade Básica de Saúde. O atendimento pode incluir avaliação clínica, orientações sobre alimentação e atividade física, acompanhamento de doenças crônicas, vacinação e encaminhamento para outros serviços quando necessário.

Quem vive em Santa Catarina deve procurar a rede municipal de saúde de sua cidade para saber quais serviços estão disponíveis e como funciona o agendamento local. O procedimento pode variar entre municípios, por isso não é recomendado seguir informações de redes sociais ou sites não oficiais sem confirmar com a unidade.

Quando procurar atendimento de emergência

Alguns sinais exigem atendimento imediato. Dor ou pressão no centro do peito, especialmente quando acompanhada de suor frio, palidez, falta de ar, náusea, fraqueza ou sensação de desmaio, pode indicar infarto. Em pessoas idosas e com diabetes, os sintomas podem ser menos típicos.

No caso de suspeita de infarto, o Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU pelo telefone 192 ou buscar uma emergência. Não se deve dirigir se houver possibilidade de agravamento nem esperar os sintomas desaparecerem.

Também é necessário agir rapidamente diante de sinais de AVC, como alteração súbita na fala, perda de força ou formigamento em um lado do corpo, desvio da boca, confusão, dificuldade para enxergar ou perda de equilíbrio. Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as possibilidades de avaliação e tratamento adequados.

Como começar nesta semana

Uma mudança sustentável pode começar com metas pequenas e objetivas. Escolha dias e horários para caminhar, substitua uma bebida açucarada por água, reduza o sal no preparo de uma refeição, marque uma consulta de rotina ou procure apoio para parar de fumar.

O objetivo não é atingir uma rotina perfeita de um dia para o outro. A saúde cardiovascular melhora quando escolhas mais saudáveis se tornam frequentes e quando fatores de risco são acompanhados com regularidade. Em caso de dúvida, procure a equipe de saúde do seu município e evite iniciar medicamentos, suplementos ou dietas restritivas sem orientação profissional.