A Serra Catarinense vem ganhando espaço entre os principais destinos de inverno do Brasil. A combinação de temperaturas baixas, possibilidade de neve, paisagens de montanha, hospedagens acolhedoras e gastronomia regional tem atraído visitantes de diferentes estados durante os meses mais frios do ano.
O movimento é concentrado em municípios como Urubici, São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema e Lages, que oferecem experiências distintas dentro de um mesmo roteiro. Há opções para quem busca observar fenômenos naturais, conhecer vinícolas, visitar mirantes e cânions ou simplesmente aproveitar o clima serrano em pousadas, hotéis-fazenda e restaurantes.
O fortalecimento do turismo de inverno também movimenta a economia local. Um levantamento divulgado pela Secretaria de Estado do Turismo de Santa Catarina apontou que, em 2025, os visitantes destinaram 36% dos gastos à alimentação e 24% à hospedagem, além de despesas com comércio, lazer e transporte. O gasto médio por estabelecimento chegou a R$ 354, segundo o estudo. (setur.sc.gov.br)
Frio e paisagens naturais atraem visitantes
O principal fator de atração da Serra Catarinense durante o inverno é o clima. A região registra geadas, temperaturas negativas e, em determinadas condições, neve, chuva congelada e sincelo — fenômeno que ocorre quando gotículas de neblina congelam sobre árvores, postes e outras superfícies.
Esses eventos dependem das condições meteorológicas e não podem ser garantidos em uma viagem. Ainda assim, a possibilidade de encontrar paisagens cobertas de gelo contribui para a popularidade do destino, especialmente entre turistas que vivem em áreas de clima mais quente.
Em 2025, a primeira ocorrência de neve registrada no Estado foi observada em municípios da Serra Catarinense, incluindo Urupema, São Joaquim e Bom Jardim da Serra. Na ocasião, a Defesa Civil e a Epagri/Ciram confirmaram temperaturas abaixo de zero em parte da região. (setur.sc.gov.br)
Além do frio, os visitantes encontram campos de altitude, vales, cachoeiras, formações rochosas e estradas cercadas por mata. O cenário muda de acordo com a altitude e com o município, o que permite combinar atrações naturais em roteiros de curta ou longa duração.
Urubici concentra procura por hospedagem
Urubici aparece entre os destinos mais procurados da região. De acordo com pesquisa divulgada pelo governo estadual, o município foi escolhido por 53,6% dos entrevistados que viajaram para a Serra Catarinense em 2025. São Joaquim e Lages registraram 17,6% cada nas preferências de hospedagem apontadas pelo levantamento. (setur.sc.gov.br)
A cidade reúne atrações conhecidas, como o Morro da Igreja, a Serra do Corvo Branco, a Cascata do Avencal e a Cascata Véu de Noiva. Os pontos de visitação estão associados a mirantes, trilhas, cânions e quedas d’água, mas o acesso e as condições de funcionamento podem variar conforme o clima e as regras de cada local.
O Morro da Igreja é um dos cartões-postais mais conhecidos da região. A área integra o Parque Nacional de São Joaquim e é procurada pelas paisagens de altitude e pela vista para formações rochosas, incluindo a Pedra Furada. Para visitar áreas protegidas, o turista deve verificar previamente as regras de acesso, a necessidade de agendamento e eventuais restrições.
São Joaquim combina frio, cultura e produção de maçãs
São Joaquim construiu sua imagem turística a partir do frio intenso, da ocorrência de neve e da produção de maçãs. O município também se tornou referência no enoturismo, segmento associado às vinícolas e aos chamados vinhos de altitude.
A cidade recebe eventos culturais durante a temporada mais fria, com programação que pode envolver música, gastronomia, artesanato, esporte e atividades em espaços públicos. Em 2025, o Festival de Inverno de São Joaquim teve quase um mês de programação e foi apresentado pela prefeitura como uma iniciativa para movimentar o comércio e os serviços locais. (saojoaquim.sc.gov.br)
O turismo em São Joaquim não se limita à observação do frio. Vinícolas, pomares, restaurantes e empreendimentos rurais ampliam o número de atividades disponíveis. A produção local de frutas, especialmente a maçã, também aparece em produtos artesanais e experiências gastronômicas oferecidas aos visitantes.
Bom Jardim da Serra valoriza a Serra do Rio do Rastro
Bom Jardim da Serra é outro município de destaque no turismo de inverno. A cidade está próxima da Serra do Rio do Rastro, uma das estradas cênicas mais conhecidas de Santa Catarina, marcada por curvas, paredões e mirantes com vista para a serra.
O município investe na criação de uma atmosfera própria para a temporada, com decoração temática, programação de inverno e divulgação de experiências relacionadas ao frio. A iniciativa Jardim de Inverno, realizada na cidade, busca reforçar a identidade do destino e estimular a permanência dos visitantes no comércio e nos serviços locais. (bomjardimdaserra.sc.gov.br)
As opções de passeio incluem mirantes, cachoeiras, campos e áreas de contemplação. Entre os atrativos divulgados pelo município estão o Salto do Rio Pelotas, a Cascata da Barrinha, a Cachoeira do Saiki e o Perau dos Cabritos. O acesso a algumas áreas pode exigir deslocamento por estradas rurais, por isso é recomendável consultar as condições da via antes de sair.
Vinhos de altitude ampliam o roteiro turístico
O enoturismo se tornou uma das principais alternativas para diversificar a experiência na Serra Catarinense. As vinícolas da região produzem rótulos associados ao cultivo de uvas em áreas de maior altitude, onde as características de temperatura e luminosidade influenciam o processo de maturação.
Visitas guiadas, degustações e refeições harmonizadas aproximam o turista da produção regional. Segundo a pesquisa estadual sobre o turismo de inverno de 2025, 11,9% dos entrevistados citaram vinícolas e vinhedos como parte essencial do roteiro. (setur.sc.gov.br)
A atividade também contribui para reduzir a dependência do turismo baseado exclusivamente na ocorrência de neve. Mesmo quando não há precipitação ou temperaturas negativas, os visitantes podem aproveitar os vinhedos, conhecer técnicas de produção e consumir produtos elaborados na própria região.
Gastronomia reforça a identidade da Serra
A culinária é outro componente importante da temporada. O pinhão, o cordeiro serrano, os queijos artesanais, os doces, os cafés e os pratos preparados para os dias frios aparecem com frequência nos cardápios locais. Fondues, caldos e carnes também fazem parte da oferta voltada aos turistas.
O consumo de produtos regionais fortalece pequenos produtores, restaurantes, cafés coloniais e empreendimentos familiares. A experiência gastronômica, combinada com lareiras, pousadas e paisagens de montanha, ajuda a diferenciar a Serra Catarinense de outros destinos turísticos do país.
Para o visitante, a diversidade permite montar uma viagem com diferentes perfis. É possível combinar aventura e ecoturismo durante o dia com experiências gastronômicas e hospedagem confortável à noite. Também há roteiros voltados ao turismo rural, à observação da natureza e à valorização da cultura serrana.
Temporada de inverno movimenta municípios
O governo de Santa Catarina passou a tratar o inverno como uma temporada estratégica para o turismo estadual. A Estação Inverno 2026 foi lançada em 17 de junho, em Bom Jardim da Serra, com a proposta de promover roteiros da serra e de outras regiões do Estado. A programação foi apresentada como parte de uma estratégia para fortalecer Santa Catarina como destino de inverno. (setur.sc.gov.br)
A mobilização envolve prefeituras, empreendedores, produtores rurais, restaurantes, vinícolas e entidades ligadas ao setor. O objetivo é ampliar a permanência dos turistas, distribuir o fluxo entre diferentes municípios e estimular o consumo de serviços locais.
Em 2025, a maior parte dos visitantes da Serra Catarinense veio de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O levantamento também apontou crescimento da participação de turistas de outros estados, que passou de 37% para 39,4% naquele período. (setur.sc.gov.br)
Planejamento é necessário para aproveitar a viagem
O inverno é considerado o período de maior procura pela Serra Catarinense. Por isso, a reserva antecipada de hospedagem pode ser necessária, principalmente em fins de semana, feriados e datas com previsão de frio intenso.
O visitante também deve acompanhar a previsão do tempo e verificar as condições das estradas. Nevoeiro, geada, chuva, gelo e alterações no acesso a parques ou mirantes podem modificar o roteiro. Em áreas rurais e de altitude, a cobertura de celular pode ser limitada.
Roupas térmicas, calçados adequados e planejamento dos deslocamentos ajudam a tornar a viagem mais segura. Também é importante confirmar horários, valores, regras de visitação e necessidade de agendamento diretamente com os atrativos, vinícolas e unidades de conservação.
Com natureza, frio, gastronomia e produção de vinhos, a Serra Catarinense deixou de ser apenas uma alternativa para quem procura neve. A região passou a oferecer um conjunto de experiências que sustenta o turismo durante toda a temporada e amplia a presença de Santa Catarina no mapa dos destinos de inverno do Brasil.








