sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Esportes

Surf em Santa Catarina ganha destaque com novas competições e força do turismo esportivo

O surf em Santa Catarina ganhou novo impulso em 2026 com competições de ondas grandes, valorização de praias tradicionais e iniciativas que aproximam esporte, turismo e economia no litoral. De Florianópolis ao Sul catarinense, o estado mantém posição de destaque no cenário nacional da modalidade.

O surf em Santa Catarina ganhou novo destaque em 2026 com a realização de competições, a valorização de praias tradicionais e o avanço de iniciativas que associam o esporte ao turismo. O movimento reforça a importância do litoral catarinense no cenário nacional da modalidade e amplia a visibilidade de destinos que já fazem parte da rotina de surfistas brasileiros.

Com uma costa extensa, diferentes orientações de praia e exposição a ondulações de várias direções, Santa Catarina reúne condições para a prática durante boa parte do ano. O estado também concentra escolas, atletas, eventos e comunidades ligadas ao surfe, formando uma cadeia que envolve hospedagem, alimentação, comércio, transporte e serviços especializados.

Santa Catarina reúne diferentes perfis de ondas

O litoral catarinense apresenta características variadas. Há praias mais protegidas, adequadas para a iniciação e para aulas, e outras expostas a ondulações de maior energia, procuradas por surfistas experientes. Essa diversidade ajuda a explicar por que o estado atende públicos distintos, desde iniciantes até atletas profissionais e praticantes de ondas grandes.

Florianópolis é um dos principais centros do surfe em Santa Catarina. Praias como Joaquina, Mole, Campeche, Barra da Lagoa e Santinho são associadas à prática esportiva e recebem surfistas ao longo de diferentes períodos do ano. A capital também abriga escolas, projetos de formação e competições que contribuem para a permanência do esporte na agenda turística e cultural da cidade.

No Sul do estado, municípios como Garopaba, Imbituba, Laguna e Jaguaruna ganharam projeção por suas praias, pela presença de atletas e pela ocorrência de ondulações mais fortes. Imbituba, por exemplo, é reconhecida pela tradição no surfe e pela realização de eventos que atraem competidores e visitantes.

As condições do mar, porém, variam conforme ventos, sistemas de baixa pressão, direção das ondulações e características de cada praia. Por isso, a prática exige acompanhamento das previsões marítimas e respeito às orientações dos órgãos de segurança.

Ondas grandes ampliam a projeção do litoral Sul

Em 2026, a Praia do Cardoso, em Laguna, voltou a chamar atenção ao sediar uma etapa do CBSurf Big Wave Mormaii. O evento reuniu atletas em uma janela de condições favoráveis e registrou ondas de grande porte, levando ao litoral catarinense nomes de destaque do surfe de ondas grandes.

A competição também reforçou a visibilidade de uma área que passou a ser apresentada como parte da chamada Rota do Big Surf. A iniciativa, instituída pela Lei estadual nº 19.514, de 30 de outubro de 2025, conecta Jaguaruna, Laguna, Imbituba e Garopaba com o objetivo de estimular o turismo esportivo e o desenvolvimento econômico, social e cultural da região. (alesc.sc.gov.br)

Durante o campeonato realizado em maio de 2026, a Praia do Cardoso registrou ondas estimadas entre quatro e seis metros, segundo informações divulgadas pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Pedro Calado venceu a categoria masculina, enquanto Catarina Lorenzo ficou com o título feminino. (alesc.sc.gov.br)

O interesse pelas ondas grandes contribui para diversificar a imagem turística do estado. Além do turismo de verão associado ao banho de mar, o calendário de eventos pode atrair visitantes em períodos de menor movimento, especialmente quando as competições dependem de uma janela específica de ondulação e vento.

Esporte movimenta a economia fora da alta temporada

A relação entre surfe e turismo vai além da presença de atletas nas praias. Eventos esportivos costumam envolver hospedagem, alimentação, aluguel de equipamentos, transporte, produção audiovisual e contratação de serviços locais. Em cidades menores, esse fluxo pode representar uma oportunidade de ampliar a atividade econômica para além dos meses tradicionalmente mais movimentados.

O turismo ligado ao surfe também favorece estadias mais longas. Surfistas e equipes podem permanecer na região por vários dias à espera de condições adequadas para treinos ou competições. Acompanhantes e visitantes interessados no esporte igualmente contribuem para o consumo em pousadas, restaurantes, lojas e escolas.

O impacto, no entanto, depende da estrutura disponível e da organização dos eventos. A realização de campeonatos exige planejamento de segurança, mobilidade, atendimento médico, comunicação com moradores e preservação ambiental. Sem esses cuidados, o aumento do fluxo pode pressionar áreas naturais e serviços públicos.

Formação de novos atletas mantém a modalidade ativa

As escolas de surfe têm papel importante na expansão da modalidade em Santa Catarina. Elas oferecem aulas para crianças, adolescentes e adultos, além de introduzir noções de segurança, leitura do mar, escolha de equipamentos e convivência no ambiente de praia.

Em Florianópolis, a existência de regras e editais municipais relacionados ao funcionamento de escolas e projetos de surfe mostra que a atividade também é tratada como parte da organização esportiva e turística da cidade. A formação de novos praticantes ajuda a manter uma base local e pode abrir caminho para o desenvolvimento de atletas competitivos.

O crescimento do esporte ainda está ligado à presença de associações, federações, patrocinadores e projetos sociais. Em diferentes pontos do litoral, iniciativas comunitárias utilizam o surfe como ferramenta de inclusão, disciplina e contato com a natureza, embora os resultados dependam da continuidade dos projetos e da disponibilidade de equipamentos e profissionais qualificados.

Segurança deve acompanhar o crescimento do surf

A popularização do surfe aumenta a necessidade de informação sobre os riscos do mar. Correntes de retorno, mudanças rápidas nas condições meteorológicas, vento forte e séries maiores podem transformar uma praia aparentemente tranquila em um ambiente perigoso.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina destaca que as correntes de retorno podem ganhar força com a entrada de ondas maiores. A corporação também orienta que banhistas e praticantes observem as condições do local, respeitem a sinalização e procurem áreas supervisionadas por guarda-vidas. (cbm.sc.gov.br)

Em períodos de mar agitado, a Defesa Civil recomenda evitar atividades de navegação, pesca, esportes marítimos e banho de mar, além de acompanhar os avisos oficiais. Em 2026, diferentes comunicados registraram ondas entre dois e três metros no litoral catarinense, com picos superiores em alto-mar, associados à passagem de sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais. (defesacivil.sc.gov.br)

Para quem está começando, a orientação é buscar aulas com profissionais, utilizar equipamentos adequados e não entrar sozinho no mar. Mesmo surfistas experientes precisam considerar a previsão, o nível de dificuldade da praia e a possibilidade de alterações rápidas nas condições.

Preservação é parte do futuro do surfe

O avanço do surf em Santa Catarina também aumenta a responsabilidade sobre a conservação das praias. A qualidade ambiental influencia diretamente a experiência dos praticantes e a atratividade turística dos destinos. Restinga, dunas, costões, banhados e áreas de preservação são ambientes sensíveis à ocupação desordenada, ao descarte de resíduos e ao trânsito irregular de veículos.

A expansão de eventos e serviços relacionados ao esporte precisa ser acompanhada por medidas de gestão ambiental. Entre as ações esperadas estão a redução de resíduos, a instalação de estruturas temporárias com menor impacto, a orientação dos visitantes e o respeito às áreas protegidas.

Para os municípios, o desafio é equilibrar a exploração turística do surfe com a preservação das características naturais que atraem atletas e visitantes. A valorização econômica do litoral tende a ser mais sustentável quando ocorre com planejamento, participação da comunidade e fiscalização.

Estado consolida posição no cenário nacional

A combinação entre praias conhecidas, calendário esportivo, formação de atletas e condições naturais mantém Santa Catarina entre os principais destinos brasileiros para a prática do surfe. A visibilidade alcançada por eventos de ondas grandes amplia esse reconhecimento, mas a força do esporte no estado não depende apenas de competições profissionais.

O crescimento também se apoia na presença cotidiana de surfistas nas praias, nas escolas que formam novos praticantes, nos projetos sociais e na estrutura turística construída ao longo de décadas. Essa rede faz do surfe uma atividade esportiva, cultural e econômica integrada à identidade de diversas cidades do litoral catarinense.

Com a criação de iniciativas como a Rota do Big Surf e a realização de campeonatos de maior alcance, Santa Catarina busca transformar sua vocação para as ondas em uma estratégia permanente de turismo esportivo. O resultado dependerá da capacidade de combinar promoção, segurança, infraestrutura e preservação ambiental.