sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Esportes

Tênis e novos espaços esportivos ampliam a oferta de lazer em cidades de Santa Catarina

Santa Catarina vive uma expansão de espaços dedicados ao tênis e a modalidades como beach tennis e padel. O movimento reúne investimentos privados, reformas de praças, competições regionais e iniciativas voltadas à formação de novos praticantes.

A expansão do tênis em Santa Catarina passou a aparecer não apenas no calendário de clubes e federações, mas também em praças, complexos privados, empreendimentos imobiliários e equipamentos públicos de lazer. Em diferentes regiões do estado, novos espaços esportivos vêm sendo projetados ou entregues para atender praticantes iniciantes, atletas federados e moradores em busca de atividades ao ar livre.

O movimento envolve o tênis tradicional, disputado em quadras de saibro ou piso rápido, mas também modalidades de crescimento recente, como o beach tennis e o padel. Embora tenham características diferentes, essas práticas compartilham estruturas, público e uma cultura esportiva baseada em aulas, locação de quadras, torneios e convivência social.

Em 2026, a Federação Catarinense de Tênis organizou etapas regionais em sete cidades. A quinta edição dos Regionais reuniu 848 atletas, 798 partidas e 57 quadras distribuídas em nove clubes catarinenses, segundo levantamento divulgado pela organização da competição. (ge.globo.com)

Calendário competitivo ajuda a ocupar as quadras

A realização de torneios em diferentes municípios é um dos sinais de que a modalidade possui uma rede de clubes e estruturas capaz de receber competições fora dos principais centros. Ao levar partidas para cidades de várias regiões, o calendário também cria oportunidades para atletas amadores, categorias de base e jogadores que estão começando a participar de campeonatos.

As etapas regionais funcionam como uma ponte entre o treinamento cotidiano e a competição. Para os clubes, os torneios movimentam reservas de quadra, serviços de arbitragem, hospedagem e alimentação. Para os municípios, podem representar uma forma de associar a prática esportiva à programação de lazer e ao turismo de eventos.

Em outra rodada do calendário de 2026, os Regionais da Federação Catarinense de Tênis previram 1.277 jogos em mais de 59 quadras. Os números indicam a existência de uma demanda distribuída e de uma infraestrutura que vai além de uma única cidade ou região. (ge.globo.com)

Praças passam a incorporar quadras de raquete

Uma das mudanças mais visíveis ocorre na transformação de áreas públicas em espaços de uso esportivo múltiplo. Em vez de concentrar a atividade em clubes fechados, alguns projetos municipais passaram a incluir quadras de tênis, beach tennis, basquete, futebol e outras modalidades em praças e parques.

Em Itajaí, uma praça passou por obras de requalificação com investimento informado de R$ 1,8 milhão e área de lazer de aproximadamente 5,9 mil metros quadrados. O projeto incluiu duas quadras de tênis, além de estruturas para futebol, basquete e beach tennis. A proposta integra esporte, convivência e ocupação comunitária do espaço urbano. (diariodoseditais.com.br)

Também em Itajaí, um projeto de reforma da Praça do Cidade Nova previu duas quadras de tênis, uma quadra de areia, campo de futebol e espaço para basquete 3×3. O investimento anunciado para a intervenção foi de R$ 1,2 milhão, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2026. (diarinho.net)

A criação de quadras em praças pode reduzir a distância entre o morador e o esporte. Quando o equipamento está localizado em uma área de circulação, próximo a bairros residenciais e integrado a outros espaços de lazer, a prática tende a ser mais acessível do que quando depende exclusivamente de clubes particulares.

Desafio é garantir acesso e manutenção

A construção de uma quadra, porém, não encerra o trabalho do poder público. O uso regular depende de manutenção do piso, redes, iluminação, cercamento, limpeza e definição de regras de ocupação. Também são necessários mecanismos que permitam a participação de crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência.

Outro ponto é a existência de atividades orientadas. Uma quadra aberta pode estimular o uso espontâneo, mas aulas gratuitas, projetos sociais e parcerias com escolas ajudam a transformar o equipamento em espaço de formação esportiva. Sem programação, o local corre o risco de ser utilizado de maneira irregular ou ficar restrito a quem já conhece a modalidade.

Em Lages, a prefeitura informou investimentos de R$ 2,4 milhões em diferentes estruturas esportivas, incluindo a entrega de uma quadra e ordens de serviço para outras obras. Para o período de 2025 e 2026, o município também divulgou a previsão ou execução de 34 obras na área do esporte. (lages.sc.gov.br)

O caso mostra que a expansão da infraestrutura esportiva não se limita ao litoral. Cidades do interior também buscam ampliar a oferta de equipamentos, o que pode favorecer uma distribuição mais equilibrada das oportunidades de lazer e treinamento.

Complexos privados apostam em várias modalidades

No setor privado, a tendência é reunir diferentes esportes de raquete em um mesmo empreendimento. A estratégia permite compartilhar áreas de convivência, iluminação, vestiários, estacionamento, serviços de alimentação e sistemas de reserva. Para o público, a variedade de modalidades pode facilitar a experimentação e aumentar a frequência de uso.

Em Tijucas, o Espaço Rioparque passou a operar quadras de padel e beach tennis como parte de uma proposta de integração entre esporte, convivência e desenvolvimento urbano. A estrutura foi apresentada como um ponto de encontro e de aproximação do público com o empreendimento. (rcwtv.com.br)

Na região da Costa Esmeralda, um complexo esportivo privado inaugurado em 2026 foi planejado com sete quadras voltadas a diferentes modalidades, incluindo tênis, padel, beach tennis e pickleball, além de skate park, playground e áreas de convivência. O espaço faz parte de um Sport Center com 5 mil metros quadrados, segundo informações divulgadas sobre o empreendimento. (exame.com)

Esse modelo amplia o conceito de clube esportivo. A quadra deixa de ser apenas o local da partida e passa a integrar uma experiência que combina atividade física, socialização e permanência. O formato é especialmente comum em áreas urbanas de crescimento imobiliário e em regiões com forte circulação turística.

Projeto internacional coloca o estado no radar do tênis

Santa Catarina também aparece em projetos de maior escala voltados à formação de jogadores. Um deles é o Rafa Nadal Tennis Center, anunciado para o estado como o primeiro centro da marca na América do Sul. A estrutura divulgada inclui 17 quadras de tênis, sendo dez ao ar livre e sete cobertas, além de oito quadras de padel.

O projeto foi apresentado com capacidade para atender até 700 alunos por dia. A proposta combina treinamento, iniciação esportiva e estrutura para atividades em diferentes condições climáticas, com quadras preparadas para uso noturno. (ge.globo.com)

A instalação de um centro desse porte pode fortalecer a cadeia do esporte, mas seus efeitos dependerão do modelo de acesso, das parcerias educacionais e da relação com clubes, academias e projetos locais. A presença de uma marca internacional, por si só, não garante a democratização da modalidade. Para alcançar novos públicos, é necessário combinar formação, preços compatíveis e programas destinados a quem ainda não pratica tênis.

Tênis tradicional convive com beach tennis e padel

O crescimento dos esportes de raquete não significa necessariamente substituição do tênis tradicional. As modalidades podem compartilhar parte do público, mas apresentam exigências, regras e perfis de participação distintos.

O tênis exige maior área de deslocamento e costuma demandar um período mais longo de adaptação técnica. O beach tennis, por sua vez, ganhou espaço em cidades litorâneas e em centros esportivos com quadras de areia. Já o padel utiliza uma quadra menor, cercada por paredes, e é geralmente praticado em duplas.

A presença de várias opções pode ser positiva para a iniciação. Um praticante pode começar pelo beach tennis, experimentar o padel e posteriormente buscar aulas de tênis. Para os gestores, a diversificação ajuda a ocupar as instalações em horários diferentes e a ampliar a sustentabilidade econômica dos espaços.

Ao mesmo tempo, o planejamento urbano precisa considerar os impactos da instalação de quadras de areia e estruturas esportivas em áreas públicas. É necessário avaliar drenagem, ruído, iluminação, circulação de pessoas, acessibilidade e relação com o uso original da praça ou da orla.

Formação de jovens é decisiva para consolidar o crescimento

A expansão de quadras só se transforma em política esportiva consistente quando vem acompanhada de programas de formação. Escolas, clubes, prefeituras e federações podem atuar na identificação de talentos, na oferta de aulas introdutórias e na criação de competições por faixa etária.

Projetos voltados à infância e à adolescência também contribuem para o desenvolvimento motor, a disciplina e a convivência. No entanto, é importante evitar que o acesso fique restrito a famílias com condições de pagar mensalidades, equipamentos e transporte. A utilização de praças, escolas e centros comunitários pode reduzir essas barreiras.

Outro fator relevante é a qualificação de professores e monitores. O crescimento da procura exige profissionais preparados para trabalhar com diferentes níveis de habilidade e com públicos variados. A orientação técnica adequada ajuda a reduzir lesões, melhora a experiência dos iniciantes e aumenta a chance de continuidade na prática.

O que esperar dos próximos anos

O cenário catarinense aponta para uma combinação de investimentos públicos, empreendimentos privados e calendário competitivo. O tênis tende a permanecer associado aos clubes tradicionais, enquanto beach tennis e padel devem continuar presentes em complexos esportivos de uso compartilhado.

A principal questão será definir quem terá acesso às novas estruturas. Em espaços privados, os custos de locação, mensalidade e equipamentos podem limitar a participação. Em equipamentos públicos, a manutenção, a segurança e a oferta de atividades regulares serão determinantes para evitar a subutilização.

Com planejamento, os novos espaços podem cumprir funções que vão além da prática esportiva. Podem fortalecer a ocupação de praças, estimular hábitos saudáveis, movimentar o turismo de eventos e criar caminhos para a formação de atletas. Para isso, a expansão precisa ser acompanhada por gestão, transparência e políticas que aproximem as quadras da população.

Em Santa Catarina, a multiplicação de torneios e a abertura de novos equipamentos indicam que os esportes de raquete ganharam espaço na agenda urbana. O desafio agora é fazer com que essa estrutura alcance diferentes bairros, faixas de renda e regiões do estado, transformando o interesse crescente em participação duradoura.