sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Esportes

Trilhas e trekking ganham espaço entre os esportes de aventura em Santa Catarina

Trilhas e trekking estão entre as atividades de aventura que mais aproveitam a diversidade natural de Santa Catarina. O estado reúne caminhos em praias, morros, florestas, cânions e parques estaduais, com opções para iniciantes e praticantes experientes.

As trilhas e o trekking estão entre as atividades de aventura que melhor aproveitam a diversidade natural de Santa Catarina. No estado, a caminhada pode passar por praias, costões, florestas, rios, cachoeiras, morros, campos de altitude e áreas de serra. A variedade de cenários permite a realização de passeios curtos, circuitos de um dia e travessias que exigem planejamento, preparo físico e, em alguns casos, pernoite.

Embora não exista um levantamento único e atualizado que permita estabelecer um ranking estadual das modalidades mais praticadas, a presença de trilhas em parques, unidades de conservação, destinos litorâneos e roteiros rurais mostra a relevância da atividade para o turismo de natureza. Órgãos públicos e entidades de turismo tratam a caminhada, o trekking e outras modalidades ao ar livre como parte importante da oferta de ecoturismo e turismo de aventura no estado.

O site da Secretaria de Estado do Turismo informa que Santa Catarina possui sete parques estaduais abertos a atividades de visitação e contato com a natureza. Já o portal de visitação do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina reúne informações sobre atrativos, duração estimada e nível de dificuldade de diferentes trilhas.

Uma atividade adaptável a diferentes perfis

Trilha e trekking são termos próximos, mas não significam exatamente a mesma coisa em todos os contextos. A trilha pode ser um percurso curto, circular ou de ida e volta, realizado em poucas horas. O trekking costuma estar associado a caminhadas mais longas, com maior exigência física e, em determinadas situações, necessidade de pernoite.

O manual de sinalização de trilhas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade diferencia percursos de acordo com a extensão e a organização do trajeto. Trilhas com pernoite são aquelas que não podem ser concluídas em apenas um dia. Já as trilhas de longo curso ultrapassam 100 quilômetros e conectam áreas protegidas ou diferentes regiões.

Na prática, a modalidade pode atender desde pessoas que buscam uma caminhada de baixa dificuldade até montanhistas acostumados a desníveis acentuados e terrenos irregulares. A classificação do percurso, porém, deve ser verificada antes da saída. Distância, tempo estimado, ganho de elevação, tipo de piso, exposição ao sol, travessias de rios e condições climáticas influenciam diretamente o nível de esforço.

Do litoral às serras catarinenses

No litoral, as trilhas combinam mata, praias, costões rochosos, dunas e mirantes. Florianópolis é um dos destinos mais conhecidos por concentrar caminhos em diferentes regiões da ilha, com alternativas que passam por áreas urbanas, unidades de conservação e trechos de vegetação nativa. Percursos como os acessos à Lagoinha do Leste e a outros pontos isolados da costa são procurados pela paisagem, mas podem apresentar trechos íngremes, escorregadios e de difícil acesso para equipes de resgate.

O litoral sul também reúne ambientes de interesse para o ecoturismo. A Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca abrange municípios como Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba, Laguna e Balneário Rincão. Segundo o Ministério do Turismo, a unidade protege ecossistemas costeiros, como dunas, restingas, lagoas e costões rochosos, além de áreas relacionadas à presença da baleia-franca.

Na região serrana, o relevo amplia a diversidade de experiências. Os percursos podem incluir campos de altitude, florestas de araucárias, vales, escarpas e áreas próximas a cânions. Nesses locais, a mudança de temperatura e a possibilidade de neblina, chuva e ventos fortes exigem atenção maior ao planejamento.

O Parque Estadual da Serra Furada, em Orleans, é um exemplo de unidade que oferece atrativos para caminhadas com diferentes níveis de exigência. No portal do IMA, a Trilha da Serra Furada aparece classificada como difícil, com duração estimada de cinco horas. O mesmo sistema apresenta opções em outras unidades, como o Parque Estadual Rio Canoas, em Campos Novos, e o Parque Estadual das Araucárias, em São Domingos.

Parques estaduais ampliam a oferta de ecoturismo

As unidades de conservação têm papel central na organização da visitação. Além de protegerem ambientes naturais, elas podem oferecer trilhas sinalizadas, centros de visitantes, atividades educativas e informações sobre regras de acesso. Em Santa Catarina, os parques estaduais estão distribuídos por diferentes regiões e representam uma alternativa para quem deseja praticar caminhada com maior estrutura de gestão.

Entre as unidades citadas pelo governo estadual estão os parques estaduais das Araucárias, Acaraí, Fritz Plaumann, Rio Canoas, Rio Vermelho, Serra do Tabuleiro e Serra Furada. Cada área possui características próprias, regras específicas e diferentes níveis de estruturação. Por isso, não basta escolher o destino apenas pela paisagem: é necessário consultar previamente as condições de visitação e os procedimentos definidos pela administração.

Alguns atrativos exigem agendamento, cadastro ou acompanhamento de condutor. Em determinadas unidades, o controle dos visitantes serve tanto para organizar o uso do espaço quanto para facilitar a resposta em caso de acidente. O visitante deve confirmar informações oficiais antes de sair, especialmente em períodos de chuva, estiagem, obras, manutenção ou restrição temporária de acesso.

Impacto econômico e integração com o turismo local

O crescimento das trilhas também pode movimentar serviços ligados ao turismo de natureza. Hospedagens, restaurantes, transporte, comércio de equipamentos, condutores e agências especializadas são beneficiados quando os visitantes permanecem mais tempo nas regiões percorridas.

Em municípios do interior, a caminhada pode ser integrada a roteiros de turismo rural, gastronomia, patrimônio histórico e produção local. No Alto Vale do Itajaí, por exemplo, o turismo de aventura é associado a atividades como rapel, tirolesa, canoagem e voo livre, além das caminhadas. A Assembleia Legislativa de Santa Catarina destaca a presença de modalidades de aventura em municípios da região.

Eventos de caminhada e circuitos de trilhas também podem aproximar moradores e visitantes de áreas naturais que antes recebiam pouca atenção turística. Em Schroeder, no Norte do estado, o município promove um circuito que reúne trekking e mountain bike em caminhos rurais e áreas de interesse ecológico. A iniciativa mostra como a atividade pode ser usada para divulgar o território sem depender exclusivamente de atrações tradicionais.

Esse potencial, no entanto, depende de planejamento. O aumento do fluxo sem controle pode provocar erosão, compactação do solo, abertura de atalhos, descarte irregular de lixo, perturbação da fauna e danos à vegetação. A criação ou divulgação de uma trilha deve ser acompanhada de sinalização, manutenção, orientação aos visitantes e definição de limites de uso quando necessário.

Segurança começa antes da caminhada

O ambiente natural apresenta riscos que não desaparecem com a existência de uma trilha sinalizada. Escorregões, quedas, desidratação, hipotermia, insolação, picadas de animais, perda de orientação e mudanças repentinas no tempo estão entre as situações que podem ocorrer durante o percurso.

O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina recomenda preparação prévia, uso de roupas adequadas, calçado apropriado, proteção contra sol e insetos, além do transporte de água e alimentos. A corporação também orienta que, em caso de acidente ou desorientação, o praticante mantenha a calma, permaneça próximo à trilha e economize os recursos disponíveis. Em emergências, o contato com os bombeiros deve ser feito pelo telefone 193.

Antes de sair, é importante pesquisar a previsão do tempo, informar alguém sobre o roteiro e estimar o horário de retorno. O grupo deve levar celular carregado, lanterna, kit básico de primeiros socorros e, quando possível, mapa ou recurso de navegação offline. Em áreas remotas, a ausência de sinal de telefonia deve ser considerada no planejamento.

A contratação de um condutor experiente é especialmente recomendável em travessias longas, trechos pouco sinalizados, percursos com travessia de rios ou locais com histórico de acidentes. O guia conhece as características do caminho, pode ajudar na avaliação das condições do terreno e contribui para a organização do grupo.

Respeito à natureza é parte da prática

A expansão do trekking em Santa Catarina também aumenta a responsabilidade dos praticantes. A regra básica é deixar o local como foi encontrado, sem retirar plantas, pedras ou outros elementos naturais e sem alimentar animais. O lixo deve ser levado de volta e descartado em local apropriado.

Fazer fogo fora das áreas autorizadas, acampar em locais proibidos, abrir atalhos e entrar em áreas interditadas pode causar danos ambientais e colocar pessoas em risco. Em unidades de conservação, o visitante deve seguir as normas da administração, respeitar horários, limites de acesso e orientações dos funcionários.

O planejamento das trilhas é uma ferramenta de conservação. Segundo o ICMBio, a sinalização deve informar características como distância, duração, nível de exigência física, atrativos, regras e contatos de emergência. Essas informações ajudam o visitante a escolher um percurso compatível com sua experiência e reduzem a possibilidade de acidentes.

Uma experiência que exige planejamento

Trilhas e trekking ocupam espaço relevante entre os esportes de aventura praticados em Santa Catarina porque combinam acessibilidade, diversidade de paisagens e possibilidades de diferentes níveis de desafio. A mesma atividade pode ser uma caminhada curta junto ao litoral, um circuito em área de mata ou uma travessia de vários dias pelas serras.

O crescimento do segmento depende da conciliação entre turismo, segurança e preservação. Para o visitante, a escolha responsável começa pela consulta às informações oficiais, passa pela avaliação do próprio condicionamento e termina com o respeito às regras ambientais. Para os destinos, o desafio é estruturar a visitação sem comprometer os ambientes que tornam as trilhas catarinenses atrativas.

Com planejamento, sinalização adequada e comportamento consciente, a caminhada deixa de ser apenas uma atividade de lazer e passa a contribuir para a valorização das áreas naturais, da economia local e da conservação do patrimônio ambiental de Santa Catarina.