A vacinação em Santa Catarina é uma das principais estratégias para prevenir doenças graves, reduzir a circulação de vírus e bactérias e proteger pessoas que não podem ser imunizadas por orientação médica. O atendimento segue o Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), com recomendações específicas para cada faixa etária, condição de saúde e situação epidemiológica.
Em 2026, o Ministério da Saúde atualizou as orientações nacionais para crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes. A recomendação é consultar regularmente uma unidade básica de saúde (UBS) e verificar se há doses em atraso. A ausência da caderneta não impede a vacinação, mas o documento ajuda a equipe a conferir o histórico e registrar as aplicações.
As informações oficiais podem ser consultadas no portal de vacinação do Ministério da Saúde e na página da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina.
Quem deve manter a vacinação atualizada
O calendário do SUS acompanha todas as fases da vida. A proteção começa nos primeiros dias após o nascimento e continua na adolescência, na idade adulta, durante a gestação e na velhice. Também existem recomendações específicas para pessoas com doenças crônicas, condições clínicas especiais, exposição ocupacional ou necessidade de proteção adicional.
Para definir as doses indicadas, o serviço de saúde considera a idade, o histórico vacinal, a presença de doenças, a gestação, o trabalho exercido e possíveis viagens para áreas com circulação de determinados agentes infecciosos. Por isso, não é recomendado tomar decisões apenas com base em informações gerais ou em registros incompletos.
Vacinação de crianças
Na infância, o calendário concentra doses importantes para prevenir doenças como tuberculose em suas formas graves, hepatite B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, rotavírus, meningites, doenças pneumocócicas, sarampo, caxumba, rubéola, varicela e hepatite A.
Entre as primeiras vacinas estão a BCG e a hepatite B, indicadas ao nascer. Nos meses seguintes, a criança recebe doses de vacinas como a pentavalente, a poliomielite inativada, o rotavírus, a pneumocócica e a meningocócica. Aos 12 meses, entram, entre outras, a tríplice viral, a vacina pneumocócica de reforço e a meningocócica ACWY. Aos 15 meses, são previstos reforços e vacinas contra varicela e hepatite A.
Os prazos de algumas vacinas infantis são específicos. O rotavírus, por exemplo, possui limites de idade para a aplicação das doses. Quando há atraso, a família deve procurar a UBS o quanto antes para que a equipe avalie o que pode ser atualizado. Não é necessário reiniciar automaticamente todo o esquema sem orientação profissional.
Adolescentes e jovens também precisam de proteção
A adolescência é uma fase importante para completar esquemas iniciados na infância e receber vacinas recomendadas para essa faixa etária. O calendário inclui orientações para vacinas contra o papilomavírus humano (HPV), hepatite B, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, tétano e meningites.
A vacina contra o HPV é indicada rotineiramente em dose única para crianças e adolescentes na faixa prevista pelo calendário nacional. Em caso de atraso, a recomendação pode alcançar adolescentes até 14 anos, 11 meses e 29 dias. Para pessoas fora dessa faixa, a estratégia pode variar conforme as orientações do estado e do serviço de saúde.
A vacina meningocócica ACWY é indicada na adolescência, com possibilidade de atualização em caso de atraso dentro da faixa etária estabelecida. A proteção é importante porque doenças meningocócicas podem evoluir rapidamente e causar complicações graves.
Adultos devem conferir doses e reforços
Adultos nem sempre sabem quais vacinas receberam na infância ou deixam de atualizar doses por falta de acompanhamento. A consulta à UBS pode identificar a necessidade de vacinas contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e tríplice viral, de acordo com a idade, o histórico e as condições individuais.
A vacina dT, contra difteria e tétano, exige atenção aos reforços conforme o histórico vacinal. Pessoas que sofreram ferimentos de risco também podem precisar de avaliação específica para definir a conduta. Trabalhadores da saúde e outros profissionais podem ter recomendações adicionais, inclusive para a vacina dTpa.
A febre amarela deve ser avaliada conforme o histórico vacinal e as orientações vigentes para residentes ou viajantes de áreas com circulação do vírus. Para viagens, a vacina pode precisar ser aplicada com antecedência para que o organismo desenvolva resposta protetora. O viajante deve buscar orientação antes do deslocamento, especialmente quando houver exigências sanitárias ou condições de saúde específicas.
Gestantes precisam de acompanhamento
A vacinação durante a gestação protege a mulher e também pode ajudar a proteger o bebê nos primeiros meses de vida. O calendário nacional prevê, entre outras orientações, a vacina dTpa a partir da 20ª semana de cada gestação, independentemente de quando ocorreu a gravidez anterior.
O calendário de 2026 também prevê a vacina contra o vírus sincicial respiratório a partir da 28ª semana de cada gestação, conforme as indicações do programa nacional. A medida busca reduzir o risco de bronquiolite, pneumonia e outras complicações no bebê.
Gestantes devem levar o cartão da gestante e a caderneta de vacinação à consulta. Algumas vacinas exigem avaliação individual durante a gravidez. A decisão deve ser tomada com a equipe de saúde, considerando os benefícios, os riscos e a situação epidemiológica.
Idosos e pessoas com condições especiais
Com o avanço da idade, algumas infecções podem apresentar maior risco de hospitalização e complicações. Por isso, idosos devem consultar o calendário específico e manter as vacinas indicadas em dia, incluindo aquelas recomendadas para doenças respiratórias e outras infecções preveníveis.
Pessoas com imunodeficiências, doenças crônicas, histórico de transplante, uso de determinados medicamentos ou outras condições clínicas podem ser encaminhadas aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Esses serviços avaliam situações que exigem vacinas ou esquemas diferentes dos previstos para a população em geral.
Como acessar a vacinação pelo SUS
O primeiro passo é procurar a unidade básica de saúde de referência do município. A disponibilidade de vacinas, os horários de atendimento e a necessidade de agendamento podem variar conforme a organização local. Por isso, é importante confirmar as informações diretamente com a secretaria municipal de saúde ou com a UBS.
Na maioria dos atendimentos, é útil levar documento de identificação e a caderneta de vacinação. Crianças podem ter o registro acompanhado pela caderneta infantil, enquanto gestantes devem apresentar também o cartão da gestante, quando disponível. A falta do cartão, entretanto, não deve impedir a busca pelo serviço: o Ministério da Saúde informa que a ausência do documento não impede a aplicação das vacinas indicadas.
Quando não há registro suficiente, a equipe pode orientar a atualização com base nas informações disponíveis e nas regras do calendário. A caderneta deve ser guardada junto aos documentos pessoais e apresentada em consultas, matrículas escolares, viagens e outros atendimentos de saúde.
Caderneta digital facilita o acompanhamento
O acompanhamento também pode ser feito por meio do aplicativo Meu SUS Digital. O acesso depende de uma conta Gov.br e permite consultar informações de saúde disponíveis nos sistemas integrados. Para crianças, o Ministério da Saúde oferece a possibilidade de acessar a Caderneta da Criança pelo aplicativo, após a inclusão dos dados solicitados.
O registro digital não substitui a conferência com a equipe de saúde. Em caso de divergência entre a caderneta física e o sistema, o usuário deve procurar a unidade responsável pelo atendimento para verificar e corrigir as informações, quando necessário.
Vacinação contra gripe, covid-19 e dengue
Além das vacinas de rotina, o SUS pode desenvolver estratégias específicas para influenza, covid-19, dengue e outras doenças, conforme a faixa etária, o risco clínico, a disponibilidade de doses e a situação epidemiológica.
Em Santa Catarina, as orientações para influenza seguem as regras nacionais e estaduais. A vacinação é especialmente relevante para crianças pequenas, idosos, gestantes, puérperas, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores da saúde e outros grupos definidos pelas campanhas ou pela rotina do programa.
A vacinação contra a covid-19 segue indicações específicas para cada público e pode ter esquemas diferentes conforme a idade e as condições de saúde. Já a vacina contra a dengue foi incluída em estratégias direcionadas a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme as orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde para 2026. A oferta pode depender da organização local e das doses encaminhadas ao município.
Antes de comparecer ao posto, é recomendável verificar a orientação mais recente da secretaria municipal de saúde. Campanhas têm períodos, públicos e regras próprias, que podem mudar de acordo com a situação epidemiológica.
Prevenção de doenças vai além das vacinas
A vacinação é essencial, mas não substitui outras medidas de prevenção. Para reduzir o risco de infecções, é importante lavar as mãos com frequência, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, evitar contato próximo quando houver sintomas e manter ambientes ventilados.
Em períodos de circulação de doenças respiratórias, pessoas com sintomas devem buscar orientação e evitar frequentar escolas, locais de trabalho ou espaços coletivos quando houver risco de transmissão. A procura por atendimento também é necessária diante de sinais de gravidade, como falta de ar, confusão mental, desidratação ou piora rápida do quadro.
Para prevenir doenças transmitidas por mosquitos, é necessário eliminar água parada, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e utilizar repelente conforme as orientações do fabricante. Em Santa Catarina, essas medidas são importantes no controle de arboviroses como dengue, chikungunya e zika.
Cuidados com água e alimentos, uso de preservativos, acompanhamento pré-natal e controle de doenças crônicas também contribuem para reduzir riscos. As medidas devem ser combinadas com a vacinação e com o acompanhamento regular nos serviços de saúde.
O que fazer quando há atraso
Quem perdeu uma dose ou não sabe se recebeu determinada vacina deve procurar a UBS, sem esperar uma campanha específica. A equipe analisará a idade, os registros disponíveis e as condições de saúde para indicar a atualização possível.
Não é necessário aguardar o aparecimento de sintomas para verificar a situação vacinal. Doenças preveníveis podem voltar a circular quando a cobertura diminui, e a proteção individual também contribui para reduzir o risco para bebês, idosos e pessoas imunossuprimidas.
Em caso de dúvida sobre uma recomendação, a orientação mais segura é consultar os canais oficiais do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e da secretaria municipal. Informações compartilhadas em redes sociais devem ser conferidas antes de orientar decisões de saúde.



