sábado, 3 de outubro de 2026
CIDADES

Balneário Camboriú: como a cidade se tornou um dos grandes destinos turísticos de Santa Catarina

A história turística de Balneário Camboriú começou com a chegada de veranistas no século 20 e ganhou força a partir dos anos 1960. Desde então, a cidade combinou praias, infraestrutura, verticalização e investimentos privados para se consolidar como um dos destinos mais conhecidos de Santa Catarina.

Balneário Camboriú é hoje um dos destinos turísticos mais conhecidos de Santa Catarina e do Sul do Brasil. A cidade combina praias, hotéis, restaurantes, comércio, vida noturna, eventos e atrações voltadas a diferentes públicos. A imagem dos edifícios altos junto à orla se tornou uma das marcas mais reconhecidas do litoral catarinense.

Esse cenário, porém, é resultado de um processo relativamente recente. Durante boa parte de sua história, a região foi ocupada por comunidades ligadas à pesca, à agricultura e à vida rural. A transformação em balneário turístico começou no século 20, ganhou velocidade nas décadas seguintes e alterou profundamente a economia, a paisagem urbana e o perfil da população.

O desenvolvimento de Balneário Camboriú não ocorreu por uma única razão. A localização no Litoral Norte de Santa Catarina, a presença de praias abrigadas, a expansão da infraestrutura, a proximidade com outros centros urbanos e os investimentos públicos e privados ajudaram a criar as condições para que a antiga Praia de Camboriú se tornasse uma das principais vitrines turísticas do Estado.

Uma região ocupada antes do turismo

A história de Balneário Camboriú é anterior à formação do município. Registros reunidos por instituições públicas indicam a presença de populações indígenas e de grupos associados aos sambaquis na região. Pesquisas arqueológicas identificaram vestígios de ocupação humana antiga, especialmente na área da Praia de Laranjeiras.

O povoamento colonial ocorreu de forma gradual. Segundo o histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a ocupação da área começou no século 18, com a chegada de famílias procedentes de Porto Belo ao local conhecido como Nossa Senhora do Bonsucesso, mais tarde chamado de Barra. Ao longo do tempo, também chegaram famílias de origem alemã vindas do Vale do Itajaí e de Blumenau.

No século 19, a localidade passou a ser associada ao nome Garcia, em referência a Thomas Francisco Garcia, que chegou à região em 1836 com a família e pessoas escravizadas. A economia era baseada em atividades rurais, na pesca e no aproveitamento dos recursos naturais disponíveis.

A área que hoje corresponde a Balneário Camboriú também mantinha relação direta com o rio Camboriú e com as comunidades localizadas na margem. A pesca artesanal permaneceu importante mesmo depois do crescimento do turismo, especialmente em áreas como a Barra, onde a memória das antigas comunidades ainda faz parte da identidade local.

A chegada dos primeiros veranistas

A transformação da região em destino de descanso começou a se desenhar no fim da década de 1920. A paisagem litorânea, o clima e a facilidade crescente de acesso passaram a atrair moradores de cidades do Vale do Itajaí, principalmente de Blumenau.

Inicialmente, esses visitantes construíram casas de veraneio ou passaram temporadas em estruturas simples. A praia era procurada como espaço de descanso, banho de mar e convivência familiar. A atividade ainda tinha dimensão regional, mas criou uma nova demanda por hospedagem, alimentação, transporte e serviços.

O IBGE registra que, em 1930, começou uma fase de ocupação mais intensa da área por banhistas. Dois anos depois, foi construído o primeiro hotel na região da confluência das avenidas Central e Atlântica. A instalação desse empreendimento representou uma mudança importante: o local deixou de depender apenas da hospedagem em residências particulares e começou a formar uma estrutura própria para receber visitantes.

A presença dos veranistas também modificou a relação dos moradores com a faixa litorânea. A praia, antes associada principalmente à pesca e às atividades cotidianas, passou a ser valorizada como espaço turístico. Aos poucos, surgiram novos comércios, serviços e iniciativas voltadas ao atendimento do público que chegava nos períodos de férias.

Dos primeiros hotéis à emancipação

O crescimento da atividade turística se intensificou a partir da década de 1960. O aumento do número de visitantes fortaleceu o comércio, estimulou a construção de hotéis e ampliou a procura por terrenos próximos à praia. O turismo começou a ocupar uma posição central na economia local.

Esse processo ocorreu em paralelo à mobilização pela autonomia administrativa. Até então, a localidade fazia parte de Camboriú. O crescimento populacional e econômico da faixa litorânea ampliou as demandas por serviços públicos, planejamento urbano e investimentos próprios.

Em 20 de julho de 1964, Balneário Camboriú tornou-se município. A emancipação marcou uma nova etapa da história local, pois permitiu que a administração municipal passasse a organizar diretamente as políticas relacionadas ao turismo, à urbanização e à infraestrutura.

O nome oficial também passou por alteração. O município foi criado como Balneário de Camboriú e, em 1979, passou a adotar a forma Balneário Camboriú. A mudança consolidou a denominação que já era utilizada no cotidiano e na divulgação do destino.

Infraestrutura e expansão do turismo

A emancipação ocorreu em um momento de expansão do turismo de praia no Brasil. Durante as décadas de 1960 e 1970, o litoral catarinense passou a receber um fluxo maior de visitantes de outras regiões, especialmente do Paraná, do Rio Grande do Sul e do próprio interior de Santa Catarina.

Balneário Camboriú se beneficiou da posição estratégica no Litoral Norte, entre importantes cidades catarinenses e próximo a rotas de circulação regional. A melhoria dos acessos, o crescimento da rede hoteleira e a expansão dos serviços ajudaram a transformar o município em base para turistas que desejavam conhecer outras praias e atrações da região.

A Praia Central tornou-se o principal eixo desse processo. A Avenida Atlântica concentrou hotéis, restaurantes, bares, lojas e equipamentos de lazer. A faixa litorânea passou a funcionar como cartão-postal e como centro econômico da cidade, reunindo moradores, visitantes e trabalhadores durante diferentes períodos do ano.

Com o passar do tempo, o turismo deixou de se restringir ao verão. Eventos, gastronomia, comércio e atividades de entretenimento ajudaram a distribuir parte do movimento ao longo do calendário. A prefeitura também passou a divulgar o município como destino para turismo de negócios e eventos, além do tradicional turismo de lazer.

A verticalização como marca urbana

Um dos aspectos mais visíveis da transformação de Balneário Camboriú foi a verticalização. O aumento da procura por imóveis próximos ao mar, combinado com a valorização dos terrenos, estimulou a construção de edifícios cada vez mais altos.

A paisagem urbana mudou de maneira acelerada, principalmente na área central e ao longo da orla. Prédios residenciais, hotéis e empreendimentos comerciais ocuparam espaços antes marcados por casas baixas e terrenos vazios. A construção civil passou a ter papel relevante na economia municipal e contribuiu para a valorização imobiliária da cidade.

Estudos sobre a história urbana do município apontam que a construção de edifícios altos se intensificou ao longo da segunda metade do século 20 e continuou nas primeiras décadas do século 21. O resultado foi uma paisagem de forte contraste entre o mar, os morros, os bairros tradicionais e a concentração de torres na orla.

A verticalização ajudou a ampliar a capacidade de hospedagem e moradia em uma área territorial relativamente limitada. Ao mesmo tempo, trouxe desafios relacionados ao trânsito, à infraestrutura urbana, à circulação de pessoas, ao saneamento e à preservação da paisagem costeira. Esses temas passaram a fazer parte do debate sobre o futuro do município.

Praias, atrações e diversificação

Embora a Praia Central seja o principal símbolo turístico, Balneário Camboriú construiu sua imagem a partir de um conjunto de atrações. O município possui praias menores, áreas de natureza, mirantes, parques, equipamentos culturais, comércio e espaços de entretenimento.

Entre os locais associados à experiência turística estão as praias de Laranjeiras, Taquaras, Taquarinhas, Estaleiro e Estaleirinho, além do Pontal Norte, do Molhe da Barra Sul, do Morro do Careca, do Parque Natural Municipal Raimundo Gonçalez Malta e do complexo do Cristo Luz. O Parque Unipraias também passou a integrar a oferta de atrações e reforçou a conexão entre praia, morros e transporte turístico.

Essa diversificação foi importante para ampliar o perfil dos visitantes. A cidade passou a receber famílias, grupos de amigos, turistas interessados em vida noturna, participantes de eventos e viajantes atraídos pela gastronomia e pelo comércio. Pesquisas de demanda turística divulgadas pelo Consórcio Intermunicipal de Turismo Costa Verde & Mar indicam que a viagem em família representa uma parcela significativa dos visitantes.

O município também entrou no roteiro de cruzeiros marítimos e passou a receber eventos de maior porte. A realização de congressos, feiras e festivais contribuiu para reduzir a dependência exclusiva da temporada de verão e fortaleceu a posição de Balneário Camboriú no calendário turístico regional.

De balneário regional a destino nacional

A consolidação da cidade como destino nacional resultou da combinação entre divulgação, investimentos, oferta de serviços e localização. O município conseguiu transformar uma vocação litorânea em uma estrutura turística ampla, com atendimento durante todo o ano.

A administração pública teve papel na organização urbana, na promoção turística e na criação de equipamentos. A iniciativa privada, por sua vez, participou da expansão da hotelaria, da construção civil, do comércio, da gastronomia e das atrações pagas. A relação entre esses setores ajudou a construir uma economia fortemente associada ao turismo.

Atualmente, a prefeitura apresenta Balneário Camboriú como um dos principais destinos turísticos do Sul do Brasil e do Mercosul. Durante a alta temporada, a cidade recebe um fluxo de visitantes muito superior à população residente, o que provoca impactos no trânsito, no consumo de água, na produção de resíduos e na demanda por serviços.

Esse movimento também explica por que a cidade mantém uma agenda permanente de planejamento. Obras na orla, melhorias na mobilidade, saneamento, preservação ambiental e qualificação dos serviços são temas decisivos para a continuidade do crescimento turístico.

Os desafios do próximo ciclo

A história de Balneário Camboriú mostra como o turismo pode transformar rapidamente um território. Em poucas décadas, a antiga comunidade litorânea se tornou uma cidade densamente urbanizada, com forte valorização imobiliária e projeção nacional.

O desafio atual é conciliar a atração de visitantes com a qualidade de vida dos moradores e a proteção dos recursos naturais. A força do destino depende das praias, das paisagens, da infraestrutura e da capacidade de oferecer serviços eficientes. Ao mesmo tempo, o crescimento exige planejamento para evitar que a pressão sobre o território comprometa os próprios elementos que sustentam a atividade turística.

Balneário Camboriú chegou a essa posição por meio de um processo contínuo: ocupação histórica, chegada dos veranistas, construção dos primeiros hotéis, emancipação, expansão da infraestrutura, verticalização e diversificação das atrações. O resultado é uma cidade que se tornou referência turística em Santa Catarina e que continua redefinindo sua paisagem e seu papel no litoral brasileiro.