sexta-feira, 2 de outubro de 2026
SAÚDE

Como evitar acidentes em trilhas e cachoeiras em Santa Catarina

Veja como se preparar para fazer trilhas e visitar cachoeiras em Santa Catarina com mais segurança. Saiba quais cuidados tomar antes do passeio, durante o percurso e em situações de emergência.

Trilhas, rios e cachoeiras estão entre os principais atrativos naturais de Santa Catarina, mas também podem oferecer riscos que nem sempre são percebidos pelos visitantes. Terreno irregular, pedras escorregadias, mudanças rápidas no tempo, correntezas e dificuldade de comunicação podem transformar um passeio em uma situação de emergência.

Para evitar acidentes em trilhas e cachoeiras, o principal cuidado é planejar a atividade de acordo com o nível de experiência do grupo e com as condições do local. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) recomenda consultar a previsão do tempo, informar familiares sobre o percurso e evitar áreas de risco durante períodos de chuva ou instabilidade.

Planeje o passeio antes de sair

Antes de escolher uma trilha ou cachoeira, procure informações sobre a distância, o tempo estimado de caminhada, o grau de dificuldade, as condições do caminho e a existência de sinalização. Também é importante saber se o acesso é permitido e se o local possui regras específicas de visitação.

Não subestime percursos curtos. Uma trilha de poucos quilômetros pode exigir esforço físico, passar por trechos íngremes ou ter áreas sem cobertura de celular. O tempo de retorno também pode aumentar em caso de chuva, queda, cansaço ou dificuldade para encontrar o caminho.

O ideal é fazer o passeio acompanhado por pessoas preparadas e, em trajetos pouco conhecidos ou mais difíceis, considerar a contratação de um condutor experiente. O acompanhamento é especialmente importante em áreas de mata fechada, costões, travessias de rios e locais com desníveis acentuados.

Informe a um familiar ou amigo o nome do atrativo, o percurso planejado, o horário de saída e a previsão de retorno. Se possível, compartilhe a localização antes de iniciar a caminhada e avise quando chegar e quando deixar o local.

Consulte a previsão do tempo

A chuva é um dos fatores que mais alteram as condições de segurança em trilhas e cachoeiras. Mesmo que não esteja chovendo no ponto visitado, uma precipitação na cabeceira do rio pode aumentar rapidamente o volume e a força da água.

Evite iniciar a atividade quando houver previsão de chuva forte, trovoadas, ventos intensos ou baixa visibilidade. Também é recomendável adiar o passeio após períodos de chuva, quando o solo fica encharcado, as pedras permanecem escorregadias e os rios podem apresentar correnteza acima do normal.

Em rios e cachoeiras, fique atento aos sinais de aumento repentino da água, como mudança de cor, elevação do nível, surgimento de galhos e folhas, barulho mais intenso ou aumento da velocidade da correnteza. Esses sinais podem indicar uma cabeça d’água, fenômeno provocado por chuvas nas partes mais altas da bacia.

Ao perceber qualquer alteração, saia imediatamente da área próxima ao rio e procure um ponto mais alto e seguro. Não tente atravessar a água para chegar à outra margem nem espere a situação piorar.

Use roupas e calçados adequados

Prefira roupas leves, confortáveis e que protejam a pele do sol e do contato com a vegetação. Calçados fechados, com sola aderente, ajudam a reduzir o risco de escorregões, torções e ferimentos provocados por pedras, galhos ou animais.

Em trilhas longas ou com terreno irregular, botas ou tênis de cano alto podem oferecer mais estabilidade aos tornozelos. Evite chinelos, sandálias abertas e calçados sem boa aderência, principalmente em áreas molhadas.

Também podem ser úteis boné ou chapéu, protetor solar, repelente e uma capa de chuva. Em regiões de mata, observe onde pisa e onde coloca as mãos. Não tente capturar, tocar ou afastar animais peçonhentos. Se encontrar uma cobra, aranha ou outro animal, mantenha distância e siga o caminho com cuidado.

Leve água, alimentação e equipamentos básicos

Leve água suficiente para todo o percurso e uma reserva para situações inesperadas. A quantidade necessária varia conforme a duração da caminhada, o calor, o esforço físico e a disponibilidade de pontos seguros para abastecimento.

Alimentos leves, como frutas, barras de cereal e outros itens de fácil transporte, ajudam a manter a energia durante a atividade. Não dependa exclusivamente de fontes naturais de água, que podem estar contaminadas ou impróprias para consumo.

O celular deve estar carregado, mas não deve ser o único recurso de comunicação ou iluminação. Um carregador portátil e uma lanterna são itens recomendados pelo CBMSC para trilhas e acampamentos. Também é importante levar um pequeno kit de primeiros socorros, medicamentos de uso pessoal e documentos.

Use mochila que deixe as mãos livres e distribua o peso de maneira equilibrada. Evite carregar objetos desnecessários, mas não abra mão dos itens essenciais por causa de uma mochila mais leve.

Tenha cuidado perto de rios e cachoeiras

Água aparentemente tranquila pode esconder pedras, buracos, troncos, galhos e áreas profundas. Por isso, não pule de pedras, pontes ou bordas de cachoeiras. A profundidade do poço pode mudar após chuvas, e não é possível identificar todos os obstáculos submersos.

Evite nadar em locais desconhecidos, com correnteza, redemoinhos ou sinalização proibindo o banho. Não entre na água após consumir bebida alcoólica. O álcool reduz a capacidade de avaliação, equilíbrio e reação, aumentando o risco de afogamento.

Também não tente atravessar rios ou riachos quando a água ultrapassar a linha da cintura ou apresentar correnteza. Mesmo níveis aparentemente baixos podem derrubar uma pessoa e arrastá-la para pedras ou áreas profundas.

Pedras cobertas por limo são especialmente escorregadias. Caminhe devagar, mantenha o equilíbrio e não se aproxime de bordas, paredões ou quedas para tirar fotos. O risco aumenta quando a pessoa se concentra no celular ou tenta alcançar um ponto de vista mais alto.

Respeite os limites do grupo

A escolha da trilha deve considerar a idade, o condicionamento físico e a experiência de todos os participantes. Não pressione alguém a continuar quando houver sinais de cansaço, tontura, falta de ar, dor, desidratação ou medo.

Faça pausas em locais seguros, mantenha o grupo reunido e evite que pessoas caminhem muito à frente ou fiquem isoladas. Crianças devem permanecer sob supervisão constante, principalmente perto de rios, poços, pedras e desníveis.

Não transforme a visita em uma competição. A pressa aumenta a chance de quedas, torções e decisões arriscadas. O horário de retorno precisa ser calculado para que a saída ocorra ainda com luz natural.

Não saia da trilha sinalizada

Atalhos e caminhos improvisados podem levar a áreas instáveis, propriedades privadas, paredões e trechos sem saída. Siga as marcações oficiais e obedeça às orientações dos responsáveis pelo atrativo, dos parques e das unidades de conservação.

Se o caminho ficar confuso, pare e tente identificar o último ponto conhecido. Evite continuar sem certeza da direção. A economia de bateria do celular é importante: reduza o uso de aplicativos e preserve o aparelho para uma eventual chamada de emergência.

Além de aumentar o risco de se perder, sair da trilha causa erosão e danos à vegetação. Recolha o lixo, não acenda fogueiras em locais proibidos e não deixe restos de alimentos pelo caminho.

O que fazer se alguém se perder

Se uma pessoa não for localizada, não é recomendável que todos saiam em direções diferentes sem planejamento. Reúna as informações disponíveis, marque o último ponto em que ela foi vista e acione o socorro o quanto antes.

Quem estiver perdido deve manter a calma, evitar deslocamentos desnecessários e permanecer próximo da trilha ou de um local identificável, quando isso for seguro. Economize água e bateria do celular. Sons, roupas coloridas e sinais visíveis podem ajudar as equipes de busca.

Em caso de emergência, ligue para o 193, telefone do Corpo de Bombeiros Militar. Informe o nome do local, o número de pessoas envolvidas, o tipo de ocorrência, as condições das vítimas e qualquer referência disponível. A localização compartilhada pelo celular pode facilitar o trabalho das equipes.

Como agir em caso de queda ou acidente

Primeiro, verifique se o local é seguro para prestar ajuda. Não se aproxime de uma área sujeita a deslizamento, queda de pedras, correnteza ou nova queda.

Acione o 193 e forneça a localização mais precisa possível. Evite movimentar a vítima, principalmente se houver suspeita de fratura, lesão na coluna ou trauma na cabeça, a menos que exista risco imediato no local.

Enquanto aguarda o socorro, mantenha a pessoa aquecida e protegida da chuva e do sol. Não ofereça alimentos, bebidas ou medicamentos sem orientação. Siga as instruções do atendente e mantenha o telefone disponível para novos contatos.

Em situações de afogamento, não entre na água para tentar salvar alguém se você não tiver treinamento. Procure lançar ou estender um objeto que ajude a vítima a alcançar a margem, acione o socorro e aguarde orientação profissional.

Confira a orientação oficial

O CBMSC reúne orientações sobre cuidados em trilhas, incluindo preparação, equipamentos, preservação ambiental e procedimentos em caso de emergência. A corporação também mantém recomendações específicas para segurança em rios, cachoeiras e outros ambientes de água doce.

Antes de sair, consulte as regras do atrativo e confirme se há restrições temporárias de acesso. Em áreas administradas por parques ou unidades de conservação, o banho pode ser permitido apenas em pontos sinalizados, e algumas trilhas podem ser fechadas por causa do clima, de obras ou de condições inseguras.

Com planejamento, equipamentos adequados e respeito às condições do ambiente, é possível aproveitar as paisagens naturais de Santa Catarina com mais segurança. A melhor forma de evitar acidentes é reconhecer os riscos antes que eles apareçam e desistir do passeio sempre que as condições deixarem de ser favoráveis.