domingo, 25 de outubro de 2026
Tecnologia

Economia digital deve mudar o valor das habilidades profissionais até 2030

Relatório Core Skills in 2030, do Fórum Econômico Mundial, mostra como a transformação tecnológica deve alterar a importância relativa das habilidades profissionais. Inteligência artificial, análise de dados, criatividade, resiliência e alfabetização tecnológica aparecem entre as competências centrais, enquanto tarefas manuais e operações básicas tendem a perder espaço como diferenciais.
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O avanço da tecnologia deve alterar o peso relativo das habilidades profissionais até 2030. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, apresentado no relatório Core Skills in 2030, reúne as competências que, na avaliação de empregadores de diferentes partes do mundo, devem ganhar importância, permanecer estáveis ou perder espaço na economia digital.

O levantamento organiza as habilidades em quatro categorias: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A classificação procura mostrar não apenas quais conhecimentos serão necessários, mas também como a transformação dos processos de trabalho pode modificar os critérios de preparação profissional.

Entre os pontos centrais do estudo estão o uso de inteligência artificial e big data, o pensamento analítico, a criatividade, a capacidade de adaptação e a liderança. A alfabetização tecnológica também aparece como uma competência que deve alcançar profissionais de diferentes áreas, e não apenas aqueles que trabalham diretamente com tecnologia da informação.

Competências centrais para o trabalho de 2030

O grupo de habilidades consideradas essenciais reúne capacidades que já têm importância no mercado e, segundo o relatório, devem continuar avançando nos próximos anos. A combinação inclui domínio tecnológico, capacidade de análise, flexibilidade e competências relacionadas à condução de equipes.

Inteligência artificial e big data estão entre os destaques. Com a digitalização dos processos e a ampliação da automação, a compreensão dessas ferramentas tende a ser cada vez mais associada à análise de informações e à tomada de decisões. O estudo aponta que profissionais capazes de utilizar esses recursos terão maior preparo para atuar em um ambiente orientado por dados.

O pensamento analítico e a criatividade aparecem lado a lado. A análise permite interpretar informações e enfrentar problemas complexos, enquanto a criatividade contribui para a elaboração de soluções, produtos e serviços. Em um cenário de automação, essas competências são apresentadas como elementos ligados à participação humana em atividades que exigem interpretação e inovação.

Também fazem parte desse grupo a resiliência, a flexibilidade e a agilidade. A mudança nas demandas do setor produtivo exige profissionais capazes de responder a novos desafios e ajustar sua atuação diante de diferentes situações. O chamado mindset ágil é apontado como um dos pilares das organizações que precisam lidar com transformações constantes.

A liderança e a influência social completam esse conjunto. Com equipes mais diversificadas e distribuídas globalmente, as empresas devem buscar profissionais capazes de orientar, mobilizar e acompanhar grupos mesmo em ambientes remotos e multiculturais.

Tecnologia passa a fazer parte de diferentes áreas

A alfabetização tecnológica é outro ponto destacado no levantamento. O conhecimento sobre o funcionamento de tecnologias, softwares de automação e ferramentas de análise de dados tende a ser exigido também de profissionais que não atuam em funções específicas de tecnologia da informação.

A mudança indica que a relação com recursos digitais deve integrar a rotina de diversos setores. O domínio das ferramentas não aparece isoladamente no mapa de competências: ele se combina com a capacidade de analisar informações, tomar decisões e encontrar soluções para situações novas.

O estudo também inclui motivação e autoconsciência entre as habilidades essenciais. A inteligência emocional e a capacidade de administrar as próprias emoções são relacionadas ao desempenho e à produtividade no trabalho. A motivação pessoal, nesse contexto, aparece como parte do conjunto de características esperadas no profissional dos próximos anos.

Quatro habilidades que ganham espaço

Além das competências centrais, o relatório identifica habilidades emergentes, cuja importância tende a crescer à medida que a economia digital se desenvolve. Entre elas estão cibersegurança e redes, gestão ambiental e sustentabilidade, design e experiência do usuário, além de curiosidade e aprendizado contínuo.

A cibersegurança ganha relevância com a digitalização dos negócios e a necessidade de proteger informações e sistemas. A área é apresentada como uma frente de demanda crescente, associada à expansão das redes e à dependência de recursos digitais.

A gestão ambiental e a sustentabilidade também aparecem entre as habilidades emergentes. O estudo relaciona essa tendência ao foco crescente das empresas em práticas sustentáveis, o que pode tornar o conhecimento sobre gestão ambiental mais relevante em diferentes setores da economia.

O design e a experiência do usuário estão ligados à forma como consumidores interagem com marcas, produtos e serviços no ambiente digital. Nesse cenário, o design centrado no usuário é apontado como uma área valorizada pela capacidade de considerar a experiência do público durante o desenvolvimento de soluções.

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam o grupo. Como as tecnologias e as demandas profissionais passam por mudanças frequentes, a disposição para aprender ao longo da carreira é apresentada como uma forma de acompanhar esse processo.

Habilidades básicas perdem força como diferencial

O relatório também aponta competências que tendem a perder relevância relativa. Isso não significa que deixem de ser úteis ou necessárias, mas que podem deixar de funcionar como diferenciais competitivos, especialmente porque parte de suas aplicações passa a ser realizada por ferramentas automatizadas.

Leitura, escrita e matemática básica aparecem nessa categoria. Embora continuem fundamentais, essas habilidades devem ter menor peso como elemento de distinção profissional, segundo o material, diante da expansão de sistemas capazes de executar tarefas relacionadas a essas funções.

A destreza manual e a precisão também são citadas entre as competências que podem perder centralidade. A automação de atividades motoras e físicas detalhadas, especialmente na manufatura e na indústria, é apontada como um dos fatores associados a essa mudança.

A atenção aos detalhes e a precisão permanecem relevantes em determinadas áreas, mas o relatório indica que sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial já assumem parte das tarefas que dependem desse tipo de execução. Por isso, essas capacidades deixam de ocupar o mesmo lugar de destaque no desenvolvimento profissional projetado para os próximos anos.

Preparação depende de atualização constante

O mapa apresentado pelo Fórum Econômico Mundial coloca a adaptação no centro da preparação para o trabalho de 2030. A expectativa é de que profissionais combinem competências técnicas, capacidade de análise, criatividade e habilidades relacionadas à convivência e à liderança.

Nesse conjunto, o aprendizado contínuo aparece como uma resposta às mudanças na economia digital. A formação profissional não se encerra na aquisição de um conhecimento específico, já que novas ferramentas, processos e exigências podem modificar a forma de executar as atividades.

O desenvolvimento de pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização tecnológica é apontado como parte da preparação para as oportunidades de carreira. A combinação dessas competências deve permitir que os profissionais acompanhem transformações que não se limitam a uma única ocupação ou setor.

Para as empresas, o material destaca a importância de incentivar a capacitação dos funcionários. A formação das equipes é relacionada à capacidade de enfrentar os desafios decorrentes da digitalização e de manter profissionais preparados para novas demandas.

O cenário descrito no relatório não apresenta apenas a substituição de tarefas por ferramentas. Ele mostra uma mudança na composição do perfil profissional, com maior peso para competências que envolvem interpretação, inovação, adaptação, tecnologia e relacionamento humano.

Assim, as habilidades profissionais até 2030 devem ser avaliadas pela combinação entre o uso de recursos digitais e a capacidade de tomar decisões, criar soluções, liderar equipes e aprender continuamente.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário, estudou Liderança da Inovação no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Ele esteve à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP.

Paiva liderou o planejamento de projetos complexos como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas, além de coordenar inovações técnicas e administrativas.

Como coordenador-geral de Modernização da Suframa, participou da gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, relacionados ao desenvolvimento sustentável. Sua atuação inclui gestão de projetos, transparência financeira, coordenação de equipes e inovação.

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