Chapecó ocupa uma posição central na economia do Oeste de Santa Catarina. O município combina uma base agroindustrial consolidada, presença expressiva de cooperativas, comércio regional, serviços especializados, instituições de ensino e um ambiente empresarial em expansão. Essa estrutura faz da cidade um polo de influência que ultrapassa os limites municipais e atende parte do Oeste catarinense, do noroeste do Rio Grande do Sul e do sudoeste do Paraná.
O desempenho econômico de Chapecó está diretamente ligado à capacidade de transformar a produção rural em alimentos, insumos, serviços, empregos e negócios. Ao mesmo tempo, a cidade busca reduzir a dependência de uma única matriz produtiva, com investimentos em inovação, tecnologia, logística, educação e empreendedorismo.
Uma economia ligada ao agronegócio
A agropecuária e a agroindústria formam o núcleo histórico da economia de Chapecó e do Oeste catarinense. A região é reconhecida pela produção de suínos, aves, leite e grãos, atividades que se articulam com frigoríficos, cooperativas, transportadoras, empresas de equipamentos, laboratórios, fornecedores de insumos e prestadores de serviços especializados. (epagri.sc.gov.br)
Em Chapecó, essa cadeia produtiva não se limita ao campo. A produção agropecuária sustenta uma ampla rede de processamento e distribuição, com efeitos sobre a indústria, o comércio, o transporte, a armazenagem e o setor de serviços. A presença de empresas ligadas à proteína animal e ao processamento de grãos também conecta o município aos mercados nacional e internacional.
O modelo regional foi construído com participação de agricultores familiares, cooperativas e agroindústrias. Essa integração permite que propriedades rurais de diferentes portes participem das cadeias produtivas, embora também exija qualificação técnica, controle sanitário, acesso a crédito, gestão e capacidade de adaptação às oscilações de preços e custos.
Um exemplo da dimensão dos investimentos no setor foi a implantação de uma indústria de óleo de soja da Cooperalfa, anunciada com investimento de R$ 300 milhões. O projeto previa a ampliação da capacidade de processamento da cooperativa de 700 para 2 mil toneladas por dia. A iniciativa foi apresentada como parte de um conjunto de investimentos agroindustriais na região de Chapecó e municípios próximos. (chapeco.sc.gov.br)
Cooperativismo e integração regional
O cooperativismo tem papel relevante na organização econômica do Oeste catarinense. Por meio das cooperativas, produtores conseguem acessar assistência técnica, insumos, canais de comercialização, estruturas de armazenagem e unidades de processamento. Esse sistema também contribui para aproximar a produção rural das indústrias e dos mercados consumidores.
Em Chapecó, a atividade cooperativa se relaciona com diferentes segmentos, como grãos, suínos, aves, leite e alimentos processados. A presença de grandes organizações do setor amplia a capacidade de investimento e ajuda a formar uma rede de fornecedores, trabalhadores e empresas prestadoras de serviços.
A força do agronegócio também aparece na arrecadação e na movimentação econômica municipal. Dados divulgados pela prefeitura indicaram que a produção dos agricultores representava, em média, 7% do retorno total do ICMS do município em levantamento referente a 2019. Embora o indicador seja de um período específico, ele demonstra a importância atribuída à produção rural nas finanças e na atividade econômica local. (chapeco.sc.gov.br)
Indústria de alimentos mantém papel central
A indústria de transformação, especialmente a produção de alimentos, continua entre os principais motores do mercado de trabalho de Chapecó. No primeiro trimestre de 2026, o município registrou 5.382 admissões e 4.202 desligamentos na indústria, com saldo positivo de 1.180 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados pela prefeitura com base nas informações do Caged.
Considerando todos os setores, Chapecó teve saldo de 2.222 novas carteiras de trabalho no mesmo período. Além da indústria, houve resultados positivos na construção civil e nos serviços. Os números indicam que a dinâmica econômica da cidade depende tanto da agroindústria quanto das atividades que orbitam sua cadeia produtiva e do crescimento do mercado urbano. (chapeco.sc.gov.br)
A indústria de alimentos atende ao mercado brasileiro e participa das exportações. Para manter competitividade, as empresas precisam lidar com exigências sanitárias, custos de energia e transporte, disponibilidade de mão de obra, variação cambial e padrões cada vez mais rigorosos de rastreabilidade e sustentabilidade.
Serviços, comércio e empreendedorismo
O crescimento de Chapecó ampliou a importância dos serviços e do comércio na economia municipal. A cidade concentra hospitais, clínicas, instituições financeiras, escritórios, empresas de tecnologia, centros educacionais, redes varejistas e serviços voltados a consumidores e empresas de toda a região.
O município também apresenta uma base expressiva de pequenos negócios. Dados do programa Simplifica Chapecó apontaram 58.431 contribuintes ativos no fim de agosto de 2026. A prefeitura informou ainda que, na média dos três anos anteriores, foram registradas 2,4 empresas abertas para cada encerramento, ante uma média estadual de 1,8 para um. Os dados municipais incluem diferentes categorias empresariais e devem ser lidos como um retrato do ambiente de negócios local, não como medida isolada de desempenho econômico. (chapeco.sc.gov.br)
Outro levantamento divulgado em abril de 2026 havia registrado 55.376 contribuintes ativos até março, com 3.169 empresas abertas no primeiro trimestre. Entre elas, cerca de 2,2 mil eram microempreendedores individuais. A prefeitura também informou que 316 empresas deixaram a categoria de MEI e passaram a atuar como sociedades limitadas no período. (chapeco.sc.gov.br)
A expansão do empreendedorismo reforça a necessidade de políticas de desburocratização, acesso a crédito, capacitação e apoio à formalização. Medidas municipais voltadas à simplificação de procedimentos podem reduzir custos de entrada, mas a permanência das empresas depende de fatores mais amplos, como demanda, produtividade, gestão e condições de infraestrutura.
Inovação busca diversificar a matriz produtiva
A economia de Chapecó tenta avançar para além da produção e do processamento de alimentos. Tecnologia, inovação e conhecimento passaram a ser tratados como instrumentos para aumentar a produtividade do agronegócio, criar novos negócios e agregar valor à produção regional.
O ecossistema local reúne universidades, institutos federais, escolas técnicas, entidades empresariais e organizações de apoio ao empreendedorismo. Entre as instituições presenciais listadas pela prefeitura estão UFFS, Unochapecó, Unoesc, IFSC, Udesc, Senai e Senac, entre outras. Essa rede amplia a oferta de formação profissional e cria condições para projetos de pesquisa, extensão, inovação e qualificação de trabalhadores. (chapeco.sc.gov.br)
Em 2025, a prefeitura reuniu representantes de instituições como IFSC, Udesc, Unochapecó, Unoesc, Senai, Senac, UFFS e Sebrae para tratar do programa Chapecó Inovadora. A proposta incluía oficinas, palestras, sessões de negócios, exposições, visitas técnicas e atividades nas instituições parceiras. (chapeco.sc.gov.br)
A inovação também é aplicada diretamente ao agronegócio. A Governança Setorial do Agronegócio, vinculada ao ecossistema de inovação do município, reúne representantes do setor produtivo, instituições de ensino e pesquisa, ambientes de inovação, sociedade civil e poder público. O objetivo é desenvolver soluções para uma atividade que precisa produzir mais, controlar custos, reduzir impactos ambientais e atender às exigências dos mercados consumidores. (chapeco.sc.gov.br)
Logística é um dos principais desafios
Por estar distante dos grandes centros consumidores e dos portos, o Oeste catarinense depende de uma infraestrutura logística eficiente. Rodovias, acessos urbanos, terminais de carga e transporte aéreo influenciam diretamente o custo dos insumos e o escoamento de carnes, grãos, máquinas e produtos industrializados.
O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso é considerado uma estrutura estratégica para a conexão regional. Em setembro de 2026, uma proposta de modernização apresentada pelo LabTrans, da Universidade Federal de Santa Catarina, previa ampliar a pista de 2.060 para 2.200 metros e preparar a estrutura para uma demanda estimada em 933 mil passageiros por ano até 2045. O projeto ainda dependia de licenciamento ambiental, levantamentos técnicos e definição de cronograma. (chapeco.sc.gov.br)
A modernização aeroportuária pode favorecer viagens de negócios, turismo, transporte de cargas e atração de investimentos. No entanto, os resultados dependerão da execução das obras, da oferta de voos, da integração com as rodovias e da capacidade de transformar conectividade em redução de custos e novas oportunidades econômicas.
O planejamento urbano também passou a considerar áreas de apoio ao aeroporto e ao Contorno Viário Oeste. A legislação municipal prevê unidades destinadas a serviços, atividades comerciais e estruturas de suporte ao funcionamento do contorno e do aeroporto. (web.chapeco.sc.gov.br)
Desenvolvimento regional e sustentabilidade
O desenvolvimento de Chapecó produz efeitos sobre uma extensa área do Oeste catarinense. A cidade funciona como centro de serviços, educação, saúde, comércio, negócios e processamento industrial para municípios de menor porte. Essa centralidade fortalece a economia regional, mas também aumenta a responsabilidade do município em temas como mobilidade, habitação, saneamento, qualificação profissional e preservação ambiental.
Entre os desafios está o equilíbrio entre a expansão da produção agropecuária e a proteção dos recursos naturais. Estudos sobre a suinocultura no Oeste de Santa Catarina destacam que a atividade tem histórico de crescimento, mas também gera impactos ambientais relacionados à produção e ao manejo de dejetos. O licenciamento, o planejamento territorial e o uso de tecnologias são apontados como instrumentos para reduzir riscos de contaminação da água e orientar a ocupação produtiva. (publicacoes.epagri.sc.gov.br)
Essa agenda inclui ainda a necessidade de melhorar a gestão de resíduos, ampliar a eficiência energética, incentivar a economia circular e apoiar práticas de produção de menor impacto. Para uma região dependente de cadeias agroindustriais, sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser também uma condição de competitividade.
O futuro da economia de Chapecó
Chapecó parte de uma posição econômica consolidada, mas enfrenta o desafio de transformar crescimento em desenvolvimento equilibrado. O agronegócio continuará sendo uma de suas principais bases, especialmente pela força da produção de proteínas animais, dos grãos, do leite e das cooperativas. A tendência, porém, é que a competitividade dependa cada vez mais de tecnologia, qualificação, logística e capacidade de inovação.
A diversificação dos serviços, o fortalecimento dos pequenos negócios, a expansão da indústria de máquinas e equipamentos e a aproximação entre empresas e instituições de ensino podem ampliar as fontes de renda e emprego. Ao mesmo tempo, investimentos em infraestrutura regional serão decisivos para reduzir custos e integrar Chapecó aos mercados brasileiros e internacionais.
O município reúne, portanto, características de uma economia urbana e industrial conectada ao campo. Seu desenvolvimento está ligado à capacidade de manter a produtividade do agronegócio, distribuir oportunidades, proteger os recursos naturais e criar condições para que novas empresas e tecnologias surjam no Oeste de Santa Catarina.




