Concórdia ocupa uma posição estratégica na economia do Oeste de Santa Catarina. O município construiu sua trajetória de desenvolvimento a partir da produção rural, da organização dos agricultores, da expansão das cooperativas, da instalação de agroindústrias e da formação de uma cadeia produtiva ligada principalmente à suinocultura e à avicultura.
Esse modelo transformou a cidade em uma referência regional no agronegócio e criou uma rede que envolve propriedades rurais, empresas de processamento de alimentos, transportadoras, fornecedores de insumos, instituições de pesquisa, comércio e serviços especializados. O resultado é uma economia na qual o desempenho do campo influencia diretamente a atividade urbana.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Concórdia tinha 81.646 habitantes no Censo 2022. O município também registrou PIB per capita de R$ 67.491,26 em 2023, indicador que ajuda a dimensionar a relevância de sua atividade econômica, embora não represente sozinho a distribuição de renda ou as condições sociais da população. (ibge.gov.br)
Da colonização à formação de uma economia rural
A ocupação de Concórdia ocorreu no contexto de colonização do Oeste catarinense, intensificada nas décadas de 1920 e 1930. A região recebeu principalmente descendentes de imigrantes europeus que haviam se estabelecido no Rio Grande do Sul. A formação de pequenas propriedades rurais contribuiu para a criação de um sistema produtivo baseado na mão de obra familiar e na diversificação das atividades.
Nas primeiras décadas, os agricultores produziam alimentos para o consumo e para o comércio regional. A criação de suínos, o cultivo de milho, feijão, trigo e outros produtos formaram a base de uma economia que, posteriormente, seria integrada às agroindústrias.
Esse processo não ocorreu de forma isolada. A melhoria das estradas, a expansão do comércio e a criação de organizações cooperativas ajudaram a aproximar os produtores dos mercados consumidores. Com o tempo, o município passou a reunir condições para concentrar etapas importantes da cadeia de produção de carnes e alimentos.
A história de Concórdia também está ligada à presença de empresas que ajudaram a estruturar a agroindústria catarinense. A expansão desse setor criou demanda por animais, grãos, ração, equipamentos, assistência técnica, transporte e mão de obra qualificada.
Suinocultura e avicultura no centro da economia
A suinocultura é uma das principais marcas econômicas de Concórdia e do Oeste de Santa Catarina. O sistema de produção combina propriedades rurais, empresas integradoras, cooperativas e unidades industriais. Nesse modelo, os produtores fornecem instalações, trabalho e manejo, enquanto as agroindústrias participam do fornecimento de genética, ração, assistência técnica e orientação sanitária.
A avicultura segue lógica semelhante. A produção de frangos está conectada a incubatórios, fábricas de ração, granjas, frigoríficos, laboratórios, transportadoras e empresas de equipamentos. A integração permite padronizar processos e atender às exigências dos mercados interno e externo.
Em documento da Vigilância Sanitária de Santa Catarina, a economia de Concórdia é descrita como baseada em atividades industriais, comerciais e agrícolas. O material destaca a suinocultura, a avicultura, a produção leiteira, a piscicultura e outras criações, além das lavouras de milho, soja, trigo, feijão e triticale. (vigilanciasanitaria.sc.gov.br)
A produção de grãos exerce função importante nesse sistema. O milho é utilizado principalmente na alimentação animal, enquanto a soja fornece farelo e óleo para a produção de rações. Assim, o desempenho das lavouras interfere nos custos de criação de suínos e aves e afeta toda a cadeia agroindustrial.
Agricultura familiar e sistema de integração
O desenvolvimento do agronegócio em Concórdia não eliminou a presença da agricultura familiar. Ao contrário, as pequenas propriedades continuam integradas a diferentes cadeias produtivas e desempenham papel relevante na oferta de animais, leite, grãos, hortaliças e alimentos processados.
A produção familiar também aparece em agroindústrias de menor porte, que agregam valor a produtos como embutidos, queijos, panificados, geleias e conservas. Essas unidades ajudam a ampliar as fontes de renda e podem reduzir a dependência exclusiva das atividades tradicionais.
O modelo de integração oferece acesso a mercados e assistência técnica, mas também exige investimentos constantes em instalações, equipamentos, manejo ambiental e biossegurança. A rentabilidade dos produtores depende de fatores como preço dos insumos, produtividade, custos de energia, disponibilidade de mão de obra e condições sanitárias.
Essa realidade mostra que o agronegócio local não se resume à produção dentro das propriedades. Ele envolve contratos, planejamento, controle de qualidade, logística, crédito, assistência técnica e capacidade de adaptação às regras dos mercados consumidores.
Pesquisa e inovação como diferencial regional
Um dos principais diferenciais de Concórdia é a presença da Embrapa Suínos e Aves. A unidade foi criada em 1975 para desenvolver pesquisas voltadas à suinocultura e incorporou a avicultura ao seu campo de atuação em 1978. Em 2025, o centro de pesquisa completou 50 anos de atividades no município. (embrapa.br)
A instalação da Embrapa reforçou a posição de Concórdia como polo de conhecimento aplicado à produção animal. A unidade atua em áreas como genética, nutrição, sanidade, manejo, meio ambiente, biossegurança e sistemas de produção.
A pesquisa tem impacto direto sobre a competitividade do setor. Tecnologias que reduzem o uso de água, melhoram a conversão alimentar, diminuem a emissão de resíduos ou aprimoram o controle de doenças podem gerar efeitos econômicos para produtores e agroindústrias.
Também existe uma relação entre pesquisa, formação profissional e inovação. O funcionamento de laboratórios, unidades experimentais e centros de diagnóstico estimula a demanda por técnicos, veterinários, zootecnistas, engenheiros, administradores e profissionais ligados à tecnologia da informação.
O papel da Embrapa é especialmente relevante em um setor sujeito a exigências sanitárias rigorosas. Doenças em rebanhos, restrições comerciais e mudanças nos padrões de consumo podem afetar rapidamente a produção e as exportações. Por isso, a capacidade de monitoramento e resposta se tornou parte essencial da atividade econômica.
Agroindústria amplia o efeito sobre a cidade
A agroindústria é responsável por transformar a produção rural em mercadorias destinadas ao mercado brasileiro e a outros países. Essa etapa agrega valor, gera empregos e movimenta uma rede de serviços que ultrapassa os limites das fábricas.
Em Concórdia, a presença de empresas alimentícias e cooperativas contribui para a circulação de renda em setores como comércio, transporte, manutenção industrial, construção civil, armazenagem, tecnologia e serviços financeiros.
O impacto também aparece na arrecadação pública e na demanda por infraestrutura. O município precisa manter estradas rurais, sistemas de abastecimento, serviços de saúde, educação profissional e condições logísticas compatíveis com o transporte de animais, grãos, rações e produtos industrializados.
O desempenho do agronegócio estadual ajuda a explicar a importância desse ambiente. Em 2024, Santa Catarina registrou valor de R$ 63,7 bilhões na produção agropecuária, segundo dados da Epagri/Cepa divulgados pela Secretaria de Estado da Agricultura. O Estado também alcançou US$ 1,7 bilhão em exportações de carne suína e US$ 2,3 bilhões em vendas externas de carne de frango naquele ano. (agricultura.sc.gov.br)
Concórdia está inserida nesse cenário estadual, embora os números de Santa Catarina não possam ser atribuídos diretamente ao município. A conexão entre produção local, processamento industrial e mercados externos, no entanto, ajuda a dimensionar a relevância econômica das cadeias instaladas no Oeste.
Desafios para manter o desenvolvimento
A força do agronegócio não elimina os desafios. Um deles é a necessidade de conciliar aumento de produtividade com preservação ambiental. O manejo adequado de dejetos, a proteção de nascentes, o uso racional da água e a conservação do solo são questões permanentes para a produção animal e agrícola.
A sanidade também exige atenção contínua. A circulação de animais, pessoas, rações e veículos aumenta a necessidade de protocolos de biossegurança. Qualquer ocorrência sanitária relevante pode afetar a produção, o consumo e o acesso a mercados.
Outro ponto é a sucessão rural. A permanência dos jovens no campo depende de renda, conectividade, educação, acesso a crédito e condições de trabalho. Sem renovação geracional, propriedades podem ser desativadas ou concentradas, reduzindo a diversidade produtiva e alterando a estrutura social das comunidades rurais.
Os custos de produção também pressionam os agricultores. Milho, farelo de soja, energia, medicamentos, equipamentos e transporte influenciam a margem de lucro. Em períodos de preços elevados ou de instabilidade climática, a capacidade de investimento das famílias diminui.
A logística regional é outro fator estratégico. A distância até centros consumidores e portos, as condições das rodovias e a disponibilidade de transporte interferem na competitividade dos produtos. Para uma cadeia que trabalha com alimentos perecíveis, eficiência logística é parte da qualidade do produto final.
Diversificação pode ampliar as oportunidades
A economia de Concórdia permanece fortemente ligada às proteínas animais, mas há espaço para ampliar a diversificação. A produção leiteira, a piscicultura, a horticultura, as agroindústrias familiares e o turismo rural podem complementar a renda e reduzir a dependência de um número limitado de cadeias.
A agregação de valor é uma das possibilidades. Em vez de comercializar apenas matéria-prima, produtores podem investir em processamento, certificação, rastreabilidade e produtos diferenciados. O crescimento de mercados que valorizam origem, qualidade e sustentabilidade pode abrir novas oportunidades para pequenas propriedades.
Para isso, são necessários assistência técnica, crédito adequado, qualificação profissional e políticas públicas de longo prazo. A cooperação entre produtores, empresas, universidades, centros de pesquisa e governos pode facilitar o acesso a tecnologias e mercados.
Um polo agroindustrial com influência regional
O desenvolvimento de Concórdia resulta da combinação entre território, agricultura familiar, organização cooperativa, agroindústria e pesquisa. A cidade não depende apenas da produção rural, mas de uma rede econômica formada ao longo de décadas.
Essa estrutura explica por que as decisões tomadas no campo têm reflexos no comércio, nos serviços e no mercado de trabalho urbano. Também ajuda a entender a influência de Concórdia sobre municípios vizinhos, que participam do fornecimento de animais, grãos, leite, mão de obra e serviços.
O futuro do município estará ligado à capacidade de manter a produtividade sem ampliar desequilíbrios ambientais e sociais. A inovação tecnológica, a biossegurança, a qualificação profissional, a sucessão rural e a diversificação econômica devem permanecer no centro das discussões sobre desenvolvimento.
Mais do que uma atividade econômica, o agronegócio em Concórdia representa uma estrutura que conecta propriedades rurais, empresas, trabalhadores, cooperativas e instituições de pesquisa. É essa integração que mantém o município como uma das principais referências do Oeste de Santa Catarina.






