Laguna, no litoral sul de Santa Catarina, reúne em um mesmo destino elementos que costumam aparecer separados nos roteiros turísticos: patrimônio histórico, praias, lagoas, sítios arqueológicos e tradições ligadas à pesca. A cidade preserva um conjunto arquitetônico reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e mantém uma relação direta com episódios importantes da formação política e cultural do Sul do Brasil.
O município também é marcado pela paisagem costeira. Praias como Mar Grosso, Gi, Itapirubá, Cardoso, Cigana e Prainha formam um litoral diversificado, com áreas urbanizadas, trechos de natureza preservada e pontos procurados por praticantes de surfe e outros esportes. No Cabo de Santa Marta, o farol e as comunidades de pescadores completam o cenário.
Uma cidade construída entre a lagoa e o mar
A geografia ajuda a explicar a identidade de Laguna. A cidade se desenvolveu junto ao complexo lagunar e às áreas de ligação com o Oceano Atlântico. Essa posição favoreceu atividades como a pesca, o transporte e o comércio, mas também criou uma paisagem em que áreas urbanas, morros, lagoas, canais e praias aparecem próximos umas das outras.
O núcleo mais antigo está concentrado na área central, às margens da Lagoa de Santo Antônio dos Anjos. Ali estão ruas, praças, igrejas, casarões e edifícios públicos que preservam diferentes momentos da ocupação do território. O Centro Histórico de Laguna foi tombado pelo Iphan na década de 1980 e inclui aproximadamente 600 imóveis, segundo informações divulgadas pela prefeitura. (gov.br)
A preservação não se limita a fachadas isoladas. O tombamento abrange um conjunto urbano, com espaços públicos, construções, trechos da orla da lagoa e elementos naturais que ajudam a compreender a relação entre a cidade histórica e a paisagem. Por isso, caminhar pelo centro é uma das formas mais diretas de conhecer Laguna.
Centro histórico concentra referências culturais
O passeio pelo centro histórico pode começar pela Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos, um dos principais marcos religiosos do município. A construção está ligada à formação da antiga povoação e permanece como referência visual e cultural da área central.
Outro ponto associado à memória local é a Casa de Anita, relacionada à trajetória de Anita Garibaldi. Nascida Ana Maria de Jesus Ribeiro, em Laguna, ela se tornou uma das personagens mais conhecidas da história do Brasil e da América do Sul por sua participação nos conflitos da Revolução Farroupilha e da unificação italiana ao lado de Giuseppe Garibaldi.
A relação de Anita com a cidade é lembrada em museus, monumentos, nomes de ruas e espaços culturais. A chamada Casa de Anita integra esse circuito de memória, que também inclui o Museu Histórico Anita Garibaldi e outros edifícios do centro. O roteiro permite observar como a história nacional é interpretada a partir de uma perspectiva local.
A Fonte da Carioca é outro espaço tradicional de Laguna. Ela pertence ao conjunto de antigas fontes que abasteciam a população e é apontada pela prefeitura como a única das três fontes históricas que permanece preservada. O local também aparece associado às memórias sobre Anita e Giuseppe Garibaldi. (laguna.sc.gov.br)
Além dos edifícios religiosos e culturais, o centro reúne sobrados, casas térreas, largos e ruas de pedra. A variedade arquitetônica revela mudanças econômicas e sociais ocorridas ao longo do tempo, sem apagar a estrutura urbana formada durante o período colonial e os séculos seguintes.
Patrimônio arqueológico remonta a milhares de anos
A história de Laguna é anterior à colonização portuguesa. A região abriga sambaquis, estruturas formadas principalmente por conchas, restos de alimentos, ossos e outros vestígios deixados por comunidades que viveram no litoral há milhares de anos.
Segundo a prefeitura, levantamentos do Iphan identificam 43 sítios arqueológicos no município, relacionados a grupos sambaquieiros e guaranis. Esses locais ajudam a mostrar que a ocupação do litoral catarinense começou muito antes da formação das cidades atuais. (laguna.sc.gov.br)
Os sambaquis são importantes não apenas pelo tamanho ou pela aparência das formações. Eles funcionam como registros da alimentação, dos hábitos, das tecnologias e das relações dessas populações com o ambiente costeiro. A conservação desses sítios exige cuidado, pois intervenções inadequadas podem comprometer informações que ainda são estudadas pela arqueologia.
Esse patrimônio amplia a compreensão sobre Laguna. A cidade não é apenas um destino associado ao período colonial, à Revolução Farroupilha ou à trajetória de Anita Garibaldi. Seu território também preserva marcas de sociedades indígenas e pré-coloniais que viveram na região muito antes da chegada dos europeus.
Praia do Mar Grosso é o principal balneário urbano
Entre as praias de Laguna, a do Mar Grosso é a mais conhecida e concentra boa parte da estrutura voltada aos visitantes. A faixa litorânea é acompanhada por avenida, calçadão, restaurantes, bares, hospedagens e serviços que ganham movimento principalmente durante a temporada de verão.
O balneário também é usado para caminhadas, contemplação e atividades esportivas. Como ocorre em outras praias de mar aberto de Santa Catarina, as condições do oceano podem variar conforme o vento, a ondulação e as correntes. Antes de entrar na água, é importante observar a sinalização e as orientações das equipes de segurança.
A proximidade entre o Mar Grosso e o centro histórico permite combinar praia e cultura no mesmo roteiro. Durante o dia, o visitante pode explorar a orla e, em outro período, caminhar pelas ruas antigas, conhecer igrejas e visitar espaços ligados à história da cidade.
Gi, Itapirubá e as praias do litoral sul
A Praia do Gi é conhecida pelas dunas e pela paisagem mais aberta. O nome está relacionado à formação natural que se destaca na área, enquanto a praia oferece um ambiente diferente do trecho urbanizado do Mar Grosso.
Itapirubá, na divisa entre Laguna e Imbituba, é outro ponto de interesse do litoral sul. A região combina praia, vegetação e áreas de dunas, com trechos procurados por quem prefere uma experiência mais próxima da natureza. A ocupação e os acessos podem variar ao longo do ano, por isso é recomendável verificar as condições locais antes de planejar atividades específicas.
Já no entorno do Cabo de Santa Marta estão praias como Cardoso, Cigana, Prainha, Praia Grande, Teresa, Siriú e Gravatá. Cada uma apresenta características próprias de acesso, extensão, ondas e estrutura. Algumas são mais conhecidas entre surfistas; outras atraem visitantes pela paisagem, pelas trilhas e pelo ambiente de vila de pescadores.
O Farol de Santa Marta é o principal marco dessa área. Construído no século XIX, ele orienta a navegação na região do cabo e se tornou um dos cartões-postais de Laguna. O acesso ao interior do farol depende de programação e regras de visitação divulgadas pelos responsáveis. O Portal de Turismo de Laguna informa que há períodos específicos de abertura ao público. (turismo.laguna.sc.gov.br)
Farol de Santa Marta preserva paisagem e vida comunitária
O entorno do farol é formado por praias, costões, dunas e pequenas comunidades. A paisagem mantém forte presença da pesca artesanal, atividade que continua ligada à economia e à cultura local.
A região também é procurada por praticantes de surfe, kitesurfe e outros esportes dependentes das condições do vento e das ondas. No entanto, a experiência pode mudar de acordo com a época do ano. Em períodos de maior movimento, os acessos ficam mais disputados e a infraestrutura local pode operar no limite.
Além do turismo de praia, o Cabo de Santa Marta permite observar a relação entre a ocupação humana e os ambientes costeiros. A presença de comunidades tradicionais, áreas naturais e estruturas históricas reforça a necessidade de preservar dunas, restingas, costões e cursos d’água.
Pesca artesanal e os botos na Lagoa de Santo Antônio
Na Lagoa de Santo Antônio dos Anjos, a pesca artesanal integra o cotidiano de Laguna. Um dos fenômenos mais conhecidos é a interação entre pescadores e botos, que pode ser observada em determinados pontos e condições.
Os animais se aproximam dos pescadores e, em alguns momentos, ajudam a indicar a presença ou a movimentação dos cardumes. A prática é reconhecida como uma manifestação cultural e ambiental singular da região, mas a observação deve ser feita com respeito à distância, sem alimentar ou perseguir os animais.
A lagoa também é importante para a produção de pescados e para a gastronomia local. Peixes, camarões e outros frutos do mar aparecem em restaurantes e mercados, refletindo a relação histórica entre a população e as águas do complexo lagunar.
Como organizar um roteiro por Laguna
Um roteiro básico pode começar pelo Centro Histórico, com visita à Igreja Matriz de Santo Antônio dos Anjos, à Casa de Anita, ao Museu Histórico Anita Garibaldi e à Fonte da Carioca. O passeio pode ser feito a pé, com atenção ao calçamento, às áreas de circulação e aos horários de funcionamento dos espaços culturais.
Na sequência, a visita pode seguir para a orla da lagoa, os molhes e a Praia do Mar Grosso. A partir da área central, o visitante pode reservar outro período para conhecer o Cabo de Santa Marta e o farol, considerando o tempo de deslocamento e as condições das estradas e acessos.
Quem deseja explorar mais praias pode incluir Gi, Itapirubá, Cardoso e Cigana no planejamento. Já os interessados em arqueologia devem buscar informações sobre os sítios autorizados à visitação, pois nem todos os sambaquis possuem estrutura turística ou acesso livre.
Também é importante respeitar imóveis tombados, não retirar materiais arqueológicos, evitar a circulação sobre dunas e seguir orientações ambientais. Em áreas de mar aberto, a segurança deve ser prioridade, principalmente em dias de forte correnteza ou ressaca.
Um destino que combina memória e natureza
Laguna se destaca no sul de Santa Catarina por reunir diferentes camadas de tempo em uma área relativamente próxima. O centro histórico preserva a arquitetura e as memórias da formação urbana; os sambaquis lembram a ocupação humana anterior à colonização; as praias e lagoas mostram a força da paisagem costeira; e a pesca artesanal mantém práticas que atravessam gerações.
Essa combinação faz com que a cidade ofereça mais do que um roteiro convencional de verão. Laguna pode ser visitada por quem busca praia, mas também por quem se interessa por história, arquitetura, arqueologia, gastronomia, trilhas e cultura popular. O desafio é conciliar o uso turístico com a preservação dos bens culturais e naturais que dão identidade ao município.
Ao caminhar pelas ruas antigas ou observar o horizonte a partir do Cabo de Santa Marta, o visitante encontra uma cidade marcada pela convivência entre patrimônio e natureza. É essa combinação que coloca Laguna entre os destinos mais singulares do litoral sul de Santa Catarina.





