sexta-feira, 2 de outubro de 2026
MANCHETES

Turismo cultural em Santa Catarina valoriza histórias, tradições e modos de vida

O turismo cultural em Santa Catarina reúne festas, culinária, arquitetura, religiosidade, artesanato e modos de vida transmitidos entre gerações. A atividade amplia a experiência dos visitantes e contribui para preservar a memória das comunidades catarinenses.

O turismo cultural em Santa Catarina vai além da visita a museus, centros históricos e monumentos. A atividade também envolve a participação em festas, o contato com a culinária regional, a observação de técnicas artesanais e a aproximação com comunidades que mantêm vivos saberes transmitidos entre gerações.

Em diferentes regiões do estado, a experiência turística está ligada às histórias de pescadores, agricultores, tropeiros, imigrantes, povos indígenas, comunidades quilombolas e famílias que preservam tradições religiosas e formas próprias de produzir, celebrar e receber visitantes. Esse conjunto de referências ajuda a explicar a diversidade cultural catarinense e amplia as possibilidades de roteiros durante todo o ano.

O conceito de turismo cultural está relacionado à vivência do patrimônio histórico e cultural, incluindo bens materiais, manifestações imateriais e eventos. Em Santa Catarina, essa combinação aparece na arquitetura, nas paisagens rurais, nas festas populares, na gastronomia, nos ofícios tradicionais e nos modos de vida de comunidades do litoral, do Vale do Itajaí, do Oeste e da Serra. (turismo.pr.gov.br)

Uma identidade formada por diferentes povos

A cultura catarinense não tem uma única origem. Ela foi formada pela presença e pelo encontro de povos indígenas, populações de origem africana e comunidades de ascendência portuguesa, açoriana, alemã, italiana, polonesa e de outros grupos de imigrantes. Também recebeu influência das populações que circularam pelo território em atividades como a pecuária, o comércio e o tropeirismo.

Essa diversidade pode ser percebida nos sotaques, nas formas de ocupação das cidades, nos tipos de construção, nas receitas, nos instrumentos musicais, nas festas e nas técnicas de trabalho. Em muitos casos, os elementos culturais permanecem associados ao cotidiano, e não apenas a apresentações destinadas aos turistas.

O material produzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional sobre os roteiros de imigração em Santa Catarina destaca que o patrimônio dos imigrantes inclui dialetos, festas, culinárias, folclore, tradições agrícolas, paisagens, arquitetura, hábitos e modos de fazer. Esses elementos são considerados parte do chamado patrimônio vivo, porque continuam presentes nas comunidades e podem ser conhecidos por meio de experiências turísticas. (portal.iphan.gov.br)

Pesca artesanal e cultura do litoral

No litoral catarinense, a pesca artesanal é uma das expressões mais importantes da relação entre comunidade, território e natureza. Ranchos de pesca, canoas, redes, técnicas de navegação e conhecimentos sobre marés formam um conjunto de referências que ajuda a contar a história de diversas localidades.

Em áreas do litoral Sul, projetos de turismo de base comunitária aproximam visitantes de pescadores, agricultores familiares, artesãos e produtores rurais. A proposta não se limita à observação da paisagem: ela apresenta o modo de trabalhar, as histórias das famílias e as dificuldades enfrentadas para manter atividades tradicionais.

Um dos exemplos registrados pela Epagri é o território Costa Catarina, que reúne destinos relacionados à pesca artesanal, à agricultura familiar e ao artesanato. O roteiro inclui engenhos de farinha e de açúcar, ranchos de pesca, comunidades e associações. A iniciativa busca valorizar as pessoas e seus saberes, além dos atrativos naturais da região. (blog.epagri.sc.gov.br)

Essa abordagem também permite compreender que a cultura do litoral não se resume às praias. A fabricação de farinha, o preparo de pescados, a construção de embarcações, as festas religiosas e as narrativas familiares fazem parte da experiência de quem percorre essas comunidades.

Festas, religiosidade e memória coletiva

As festas populares ocupam lugar central no turismo cultural em Santa Catarina. Muitas celebrações estão relacionadas à religiosidade, às colheitas, à imigração ou à preservação de costumes comunitários. Elas reúnem música, dança, culinária, decoração, rituais e formas de participação que variam de acordo com a história de cada município.

O estado mantém manifestações ligadas às tradições açorianas, como festas do Divino e do boi de mamão, além de celebrações religiosas de diferentes origens. Também são conhecidas as festas associadas à cultura alemã, italiana e polonesa, que apresentam pratos típicos, bandas, danças e símbolos herdados de gerações anteriores.

Na Serra Catarinense, a cultura tropeira e o tradicionalismo gaúcho aparecem em festas, encontros, cavalgadas, festivais e práticas relacionadas à vida no campo. A Festa Nacional do Pinhão, em Lages, por exemplo, incorporou atividades que recuperam referências da cultura serrana e do tradicionalismo regional. (lages.sc.gov.br)

As celebrações religiosas também movimentam roteiros de visitação. Em janeiro de 2026, novas normas estaduais passaram a reconhecer a Rota Turística Religiosa Caminhos do Santuário como área especial de interesse turístico, fortalecendo a relação entre peregrinação, patrimônio e desenvolvimento regional. (alesc.sc.gov.br)

Arquitetura, culinária e modos de fazer

O patrimônio cultural catarinense também está presente em edificações, paisagens e objetos. Casas enxaimel, igrejas, antigas estações ferroviárias, engenhos, moinhos, galpões rurais e centros históricos revelam diferentes fases da ocupação do estado. Esses espaços ajudam a preservar informações sobre técnicas construtivas, atividades econômicas e formas de convivência.

A culinária é outro eixo importante dos roteiros culturais. No litoral, receitas à base de peixes e frutos do mar dialogam com a herança açoriana e com a atividade pesqueira. No interior, pratos preparados com milho, pinhão, carnes, massas, embutidos, queijos e produtos cultivados por agricultores familiares revelam influências diversas.

Em regiões de colonização alemã e italiana, a produção de alimentos e bebidas pode estar associada a propriedades rurais, pequenas agroindústrias, vinícolas, cervejarias, alambiques e restaurantes familiares. Na Serra, o pinhão, a maçã, os vinhos de altitude e os produtos ligados à criação de animais aparecem em experiências que combinam gastronomia, paisagem e história.

Para o visitante, conhecer esses produtos de forma responsável significa entender quem os produz, como são elaborados e quais conhecimentos estão envolvidos. Para as comunidades, a atividade pode gerar renda e estimular a continuidade de práticas que enfrentam dificuldades para sobreviver diante da mudança dos hábitos de consumo.

Patrimônio imaterial precisa de participação comunitária

O patrimônio imaterial reúne saberes, celebrações, formas de expressão, lugares e modos de fazer reconhecidos como referências para determinados grupos. Em Santa Catarina, o registro estadual de bens culturais de natureza imaterial organiza essas referências em livros relacionados aos saberes, às celebrações, às formas de expressão e aos lugares.

O Decreto estadual nº 2.504, de 29 de setembro de 2004, estabeleceu formas de registro para bens culturais de natureza imaterial ou intangível. A norma também prevê a reavaliação periódica dos bens registrados, considerando sua relevância para a memória local e regional e para a identidade das comunidades catarinenses. (cultura.sc.gov.br)

O reconhecimento, porém, não substitui a participação de quem mantém a tradição. Uma festa, uma receita, um ofício ou uma técnica não pode ser compreendido apenas como produto turístico. É necessário considerar o significado que a prática tem para a comunidade, os limites de visitação, a proteção dos conhecimentos tradicionais e a distribuição dos benefícios gerados pela atividade.

Por isso, roteiros de turismo cultural tendem a ser mais consistentes quando são construídos com associações locais, produtores, mestres de ofício, grupos culturais, órgãos públicos, instituições de pesquisa e empreendedores da região.

Turismo cultural pode movimentar a economia local

Ao valorizar histórias e tradições, o turismo cultural cria oportunidades para pequenos negócios e amplia a permanência dos visitantes. Guias, restaurantes, pousadas, artesãos, produtores rurais, músicos, organizadores de eventos e transportadores podem participar da cadeia econômica formada pelos roteiros.

A atividade também ajuda a distribuir o fluxo turístico para além dos destinos mais conhecidos. Em vez de concentrar visitantes apenas em praias ou grandes eventos, os roteiros culturais podem estimular viagens para comunidades rurais, centros históricos, propriedades familiares, museus locais e espaços de memória.

O governo de Santa Catarina aponta a diversidade de experiências culturais, a gastronomia, a arquitetura típica e as manifestações folclóricas como elementos capazes de diferenciar os destinos do estado. A estratégia também relaciona o turismo cultural à criação de roteiros temáticos e à valorização do patrimônio imaterial. (invest.sc.gov.br)

Esse potencial depende de planejamento. Sinalização, acessibilidade, qualificação profissional, preservação dos espaços, calendário organizado e divulgação confiável são fatores que influenciam a qualidade da experiência. Também é importante evitar a descaracterização das tradições e a transformação de práticas comunitárias em apresentações sem relação com seu significado original.

Como o visitante pode contribuir

O turismo cultural começa com uma postura de respeito. Antes de visitar uma comunidade ou participar de uma celebração, é recomendável buscar informações sobre regras locais, horários, formas de acesso e condutas esperadas. Durante a visita, o viajante deve respeitar espaços religiosos, pedir autorização para fotografar pessoas e evitar interferir em atividades de trabalho ou rituais.

Outra forma de contribuir é consumir produtos e serviços oferecidos pelos próprios moradores, sempre que possível. Comprar artesanato diretamente de quem produz, contratar guias locais e escolher restaurantes familiares ajuda a manter parte da renda no território.

Também é importante compreender que tradições não são estáticas. Elas podem mudar com o tempo, incorporar novos elementos e assumir diferentes significados para as novas gerações. Preservar uma cultura não significa congelá-la, mas garantir que a comunidade tenha condições de continuar praticando, transmitindo e reinterpretando seus conhecimentos.

Histórias que ampliam a experiência da viagem

O turismo cultural em Santa Catarina revela um estado formado por muitas memórias e identidades. O visitante pode encontrar, em uma mesma viagem, referências à pesca artesanal no litoral, à imigração em cidades do Vale do Itajaí, à produção rural no Oeste, aos caminhos tropeiros na Serra e às manifestações religiosas presentes em diferentes regiões.

Mais do que acrescentar atrações ao calendário turístico, a valorização dessas tradições amplia a compreensão sobre o território. Cada receita, festa, construção, música ou ofício ajuda a explicar como as comunidades catarinenses se formaram e como continuam construindo sua identidade.

Quando planejado com participação local, respeito e compromisso com a preservação, o turismo cultural transforma a viagem em uma oportunidade de encontro com histórias que permanecem vivas. Ao mesmo tempo, fortalece iniciativas econômicas, incentiva a proteção do patrimônio e aproxima moradores e visitantes da diversidade que caracteriza Santa Catarina.