Os cuidados com a pele no inverno precisam ser reforçados na Serra Catarinense. A combinação de temperaturas baixas, vento, menor umidade do ar e banhos mais quentes pode reduzir a hidratação natural da pele, deixando o corpo sujeito a ressecamento, descamação, coceira, vermelhidão e rachaduras.
A rotina não precisa ser complexa. Pequenas mudanças no banho, na escolha dos produtos e na frequência da hidratação ajudam a preservar a barreira de proteção da pele ao longo dos meses frios. O protetor solar também deve continuar sendo usado diariamente, mesmo em dias nublados ou com temperaturas amenas.
Por que a pele resseca mais no inverno?
Durante o frio, a pele pode perder água com mais facilidade. O vento e o ar seco contribuem para esse processo, enquanto o hábito de tomar banhos quentes e prolongados remove parte da oleosidade natural que ajuda a proteger a superfície cutânea.
O uso exagerado de sabonete, buchas e produtos esfoliantes também pode agravar o problema. Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, banhos muito quentes e demorados, excesso de sabonete e a falta de hidratação logo após o banho estão entre os hábitos que favorecem o ressecamento. (sbd.org.br)
Na prática, a pele pode ficar áspera, repuxada ou esbranquiçada. Em algumas pessoas, surgem pequenas fissuras, ardência e coceira. Quem já tem dermatite atópica, psoríase, rosácea ou acne pode perceber piora dos sintomas durante a estação.
Como adaptar o banho nos dias frios
O primeiro passo é evitar a água muito quente. Embora ela proporcione sensação de conforto, pode retirar a camada de gordura que reduz a perda de água pela pele. A recomendação é optar por banho morno e evitar permanecer no chuveiro por tempo excessivo.
Também não é necessário ensaboar todo o corpo repetidamente. O sabonete deve ser usado de maneira moderada, principalmente nas áreas de maior suor e nas regiões indicadas para a higiene. Produtos suaves, hidratantes e sem fragrância podem ser mais adequados para peles sensíveis ou muito ressecadas.
Buchas e esponjas devem ser evitadas quando a pele estiver irritada, descamando ou com fissuras. O atrito pode aumentar a sensibilidade e prolongar o desconforto. Depois do banho, seque o corpo sem esfregar, usando a toalha com movimentos leves.
Hidrate a pele logo após o banho
O melhor momento para aplicar o hidratante é logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida. Essa prática ajuda a reter a água na superfície cutânea. O produto pode ser aplicado no corpo e reaplicado sempre que houver sensação de repuxamento ou ressecamento.
Cremes e pomadas costumam oferecer hidratação mais intensa do que loções muito fluidas. Entre os componentes frequentemente usados em produtos para pele seca estão glicerina, ceramidas, ácido hialurônico, vaselina, manteiga de karité e óleos minerais. A escolha deve considerar o tipo de pele e a região do corpo.
Para o rosto, pessoas com pele oleosa ou tendência à acne podem preferir hidratantes em gel, oil-free ou não comedogênicos. Já quem tem pele seca pode se adaptar melhor a cremes mais consistentes. O ideal é não aplicar automaticamente no rosto o mesmo produto destinado ao corpo, especialmente quando há histórico de acne ou sensibilidade.
A hidratação deve fazer parte da rotina mesmo quando a pele não apresenta descamação visível. De acordo com a Academia Americana de Dermatologia, aplicar o produto após o banho, depois de lavar as mãos e sempre que a pele estiver seca ajuda a reduzir o desconforto e a preservar a barreira cutânea. (aad.org)
Cuidados com o rosto durante o inverno
A limpeza do rosto deve ser feita com produto suave e adequado ao tipo de pele. Evite lavar a face várias vezes ao dia ou usar sabonetes que provoquem ardência e sensação intensa de repuxamento.
Também é importante reduzir ou suspender temporariamente a esfoliação quando houver ressecamento, vermelhidão ou descamação. Esfoliar a pele irritada pode remover ainda mais sua proteção natural. A Academia Americana de Dermatologia alerta que a esfoliação de áreas secas e descamadas pode agravar a perda de hidratação. (aad.org)
Produtos com retinoides, ácidos ou outros ativos potencialmente irritantes exigem atenção. Se houver ardência persistente, descamação intensa ou vermelhidão, não é recomendável aumentar a frequência de uso por conta própria. Em caso de tratamento prescrito, a pessoa deve conversar com o profissional responsável antes de fazer alterações.
Protetor solar continua necessário
O frio não elimina a exposição à radiação ultravioleta. Por isso, o protetor solar deve continuar sendo aplicado nas áreas descobertas, como rosto, pescoço, orelhas e mãos. A recomendação geral é escolher um produto de amplo espectro, resistente à água quando necessário e com fator de proteção solar de pelo menos 30, conforme orientações dermatológicas. (aad.org)
Na Serra Catarinense, atividades ao ar livre, caminhadas, turismo rural, esportes e deslocamentos em áreas abertas podem aumentar o tempo de exposição. Mesmo em dias nublados, a proteção não deve ser deixada de lado. Chapéu, óculos escuros, roupas que cubram a pele e busca por sombra complementam o cuidado.
A reaplicação depende do produto, da exposição, do suor, do contato com água e das orientações do fabricante. Quem passa muitas horas ao ar livre deve redobrar a atenção e reaplicar o filtro de acordo com essas condições.
Lábios, mãos e áreas mais expostas
Os lábios costumam sofrer bastante com frio, vento e baixa umidade. Para evitar rachaduras, use hidratante labial várias vezes ao dia e escolha, quando possível, produtos que também ofereçam proteção solar. Evite umedecer os lábios constantemente com a língua, pois a saliva pode aumentar o ressecamento.
As mãos também merecem cuidado, sobretudo para quem precisa lavá-las com frequência ou utiliza produtos de limpeza. Após a higienização, aplique creme hidratante. À noite, uma camada mais espessa pode ajudar a reduzir o ressecamento, desde que o produto seja bem tolerado.
Ao sair em dias frios, luvas podem proteger as mãos do vento e do ar seco. Se houver contato com água ou produtos de limpeza, use luvas apropriadas e evite permanecer com a pele úmida por longos períodos.
Não se esqueça da hidratação do organismo
No frio, a sede pode diminuir, mas a ingestão de líquidos continua importante para o funcionamento do organismo. Mantenha água disponível ao longo do dia e inclua bebidas sem excesso de açúcar na rotina. A hidratação interna não substitui o uso de creme, mas faz parte dos cuidados gerais com a saúde.
Uma alimentação variada, com frutas, verduras e outros alimentos in natura, também contribui para o bem-estar. Não é necessário recorrer a suplementos ou receitas caseiras para cuidar da pele sem orientação profissional.
Cuidados específicos para crianças e pessoas idosas
Crianças pequenas e pessoas idosas podem apresentar maior sensibilidade ao ressecamento. Nesses grupos, é importante observar mudanças na pele, evitar banhos muito quentes e manter uma rotina regular de hidratação com produtos adequados.
Em bebês, crianças e pessoas com histórico de alergia, prefira produtos suaves e sem fragrância. Qualquer produto novo deve ser introduzido com atenção, especialmente quando há dermatite, feridas ou irritação prévia.
Quando procurar atendimento médico
O ressecamento leve costuma melhorar com ajustes na rotina. Entretanto, é importante buscar avaliação médica quando houver rachaduras profundas, sangramento, dor, feridas, secreção, coceira intensa, vermelhidão persistente ou sinais de infecção.
A consulta também é indicada quando os sintomas não melhoram após alguns dias de hidratação e cuidados básicos, quando a pele descama de forma recorrente ou quando há suspeita de dermatite, psoríase, alergia ou outra doença dermatológica. O Ministério da Saúde e serviços públicos de dermatologia orientam procurar atendimento diante de pele muito sensível, lesionada, avermelhada ou excessivamente ressecada. (hds.saude.pr.gov.br)
Não use pomadas com corticoide, antibiótico ou outros medicamentos por conta própria. O tratamento depende da causa do problema e pode variar conforme a idade, o local afetado e as condições de saúde de cada pessoa.
Checklist para proteger a pele no inverno
- Prefira banhos mornos, rápidos e sem excesso de sabonete.
- Evite buchas e esfoliação quando a pele estiver seca ou irritada.
- Aplique hidratante logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida.
- Use produtos diferentes para rosto e corpo quando necessário.
- Hidrate lábios e mãos várias vezes ao dia.
- Mantenha o uso diário de protetor solar nas áreas expostas.
- Proteja a pele do vento com roupas adequadas, luvas e acessórios.
- Beba líquidos ao longo do dia.
- Procure atendimento se houver dor, fissuras, sangramento, feridas ou coceira persistente.
Com uma rotina simples e constante, é possível reduzir os efeitos do frio sobre a pele durante o inverno na Serra Catarinense. O principal é evitar os hábitos que removem a proteção natural, reforçar a hidratação e observar qualquer alteração que não melhore com os cuidados básicos.



